Tacteio teu olhar como se brisa fosse
No rosto inocente de todas palavras por dizer…
Seminais estas veredas em que me espraio
Como ondas ou inaudíveis sons do canto fossem
Tão certas que se esfumam em mistério
Como o decair da tarde no zénite do sol
Ou apenas no gosto acre depois da chuva…
Conforta-nos breve esta solicitude das palavras
Umas pelas outras como doirados reflexos
Alimentando-se das entranhas do vento
Sem outra glória que não seja a emoção alada
E o fio ténue de nós mesmos que as segura…
Habitamos as palavras e elas nos habitam
E nelas fecundamos o tempo e a vida…
Delicado como sempre…
Bj
“Habitamos as palavras...” se por ventura adquiridas. Se arrendadas, temos o caldo entornado…
Abraços.
Conforta-nos breve esta solicitude das palavras(...)/
E o fio ténue de nós mesmos que as segura…
Salva, assim, a aparente contradição… por isso se tacteia (pluri-significação) o olhar. Atento entrosamento dos sentidos a dar sentido ao sentido que as palavras por vezes não têm.
(...)habitamos as palavras....Inquestionável.
Boa semana. Bjs e
Tactear um olhar exige a subtileza de um poeta. Que as palavras te habitem sempre! Porque com elas crias beleza.
Beijos
... e como chave de ouro:
«Habitamos as palavras e elas nos habitam
E nelas fecundamos o tempo e a vida»
Beijo, Romeiro.
As palavras dos outros, dos que escutamos, absorvemos, incorporamos, e o fio ténue de nós mesmos que as segura que as embala, as acarinha e lhes sussura agradecimentos… tantas vezes inconscientes!!!!
Beijo GR
Também nos confortas com a tua sensibilidade. Um excelente 2006!
Beijos, Betty
Poesia brilhante.
Com todas os predicados para ser um excelente soneto (talvez fosse a fórmula mais indicada...).
Mas não perde nada em ter ficado com esse formato.
Abraço e bfs.
Voltei para te dizer que o teu comment sobre o <i>tempo<i> lá no meu cantinho está soberbo (de poeta) e dizer-te, que para mim, é importante dar tempo ao tempo…
beijo, boa semana
Tacteias um olhar… e sentes as palavras.
Um abraço.
Um beijo, Raquel. Bem hajas
Legível, o mundo está povoada de palavras. Cada vez são menos as verdadeiras. Palavra de honra!!!
Abraços
Ive, a menina é exímia a dissecar palavras, sabia?
Deixa-me muito feliz por saber que as minhas merecem a sua atençao. Beijos
TMara, prazer grande ver-te por aqui. Grato. Beijos
Lique, tactear um olhar é um cuidado muito subtil, tens razão. E um “investimento” muito gratificante, por vezes. Grato. Beijos
T., a tua delicadeza e sensibilidade sempre presentes. Grato. beijos
Segurademim, tens razão: alimentamo-nos de palavras outrass e por vezes as guardamos, reconhecidos. Beijos
Betty, o teu comentário é muito bonito, sabias? grato pela ternura. Beijos.
(não tenho lido nada no teu blog. Que se passa?)
NILSON, possivelmente o poeminha mereceria mais trabalho e outra forma mais cuidada. Mas quem dá o que tem… Fico feliz por teres gostado. Grato
Abraços
(o último post é um soneto muito belo do OrCa, cuja poesia te recomendo vivamente, se não conheceres )
OrCa, um abraço, Amigo. Grato pelo estímulo das tuas palavras.