como se vai para Shamballa
quantas águias fazem falta
quantos rios sobranceiros
para sobrevoar Shamballa
quantas escarpas gritam
no caminho das nuvens
ah, diz-me se me ouves
nomear Shamballa como
a cidade do amor
e das rosas eternas
e se me batem os ventos
na vela da viagem mas
não deixes que Shamballa
se perca como miragem
nas terras altas do condor
deixa que o caminho nos
percorra pelo rasto dos lírios
as lágrimas puras do amor
mas não cheguemos já
ao seu mítico traçado
há viagens que nunca partem
junto à tiara da tarde
ou de qualquer outro lado
a viagem evade-nos
para Shamballa a cidade
cítara dos sonhos bordados
como se não tivéssemos nascido
para morrer entrincheirados
entre as muralhas secas
do destino, mas verdes e lânguidos
na busca de Shamballa
sempre luminosa
na desértica sede do caminho…