- proposta de sorriso
estranheza de me ver
campos afora
assim correr
mal irrompe a luz da aurora?
um ramalhete rubro de papoilas
que planto vivas
à entrada de um exílio
que frescas se ouviam as vozes das moçoilas
loiras divas
palpitando em meu auxílio
um tempo de inocência
tal cenário
doçura sem penitência
relicário
onde nem cabe sequer a impertinência
doce de um Cesário
mal sei hoje a quantas ando
e quando
mas em cada instante brando
em que a vida me comove
então
é verem-me a correr para lá a nove!
Ah, aquele ramalhete rubro de papoulas!! Semear e colher a amizade sem direitos de propriedade!!!
Obrigada por esta entrada bucólica de inspiração certeira. Delicioso poema, proposta de sorriso que pronto veio logo que pôde. Bem reaparecido meu poeta residente!
Para ti, da entrada do exílio…
DE TARDE
Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro de papoulas!
Mas eu acho que sabes bem por onde andas…
De contrário não escreverias tão belo poema. É muito bom.
Abraço
Gostei mto do poema. Apreciei especialmente a “ironia poética” que magistralmente utilizas. Abraços
E de repente fui procurar uma velha canção do Pedro Barroso… “um ramalhete rubro de papoilas"… muito bom!
Uma “proposta de riso” tornada poesia, feito ramalhete, pra quem te lê, puro deleite! Parabéns!! Deixo um abraço fraterno.