poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

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:: Domingo, Janeiro 08, 2006

Pontes para as Estrelas

As crianças dormem
serenas em seus sonhos
A noite arrefece sem gritar;
abre-se algures um luar
transido de betão
e no silêncio crepitam luzes
de uma outra margem por alcançar.

Somos pontes
e o mundo abeira-se de nós pelos seus arcos,
nas cidades ou nos campos
somos frágeis como barcos

Esquece os gemidos do vento
hoje gelado
as brumas amortalhadas
os véus rasgados
a serra que destila os seus mistérios
que eu vivo na penumbra dos teus olhos
com as estrelas sonolentas
e as velhas oliveiras centenárias

Não partas ainda do tempo
em que a solidão se consome lentamente
inclina o coração para a noite e sente
como é profundo o olhar do universo
a grandeza das coisas que não vemos
e verás que a noite cresce
e as luzes das cidades perdem brilho
e a cidade ao pé das estrelas
desfalece

verás que eu suspendo
a nitidez de cada gesto antigo
guardo Pégasos e prantos
para voar entre as histórias
que invento e nunca conto
mas te mando nas crinas do vento
escritas por magia e em tropel
por um qualquer cavaleiro da esperança
feito em dobras de papel

verás que resistir é apenas
uma questão de levar o fogo do poema
ao ponto onde ruíram as pontes
e em vez das luzes do mundo
visar as estrelas como dantes

publicado por deSaraComAmor • às 11:16 AM • categoria: poesia

:: estórias:

Não sei que escrever. Só senti que é lindo. beijos

contado por wind  em  01/08  às  03:06 PM

Soube-me bem esse diálogo, em contraponto, ao meu poema anterior. E soube-me bem o tom de esperança. E, outra vez, escreveste um poema como quem dança e as palavras dançam contigo…

Ora, ora, minha linda menina, claro que muito folgarei em contar contigo!

Beijos.

contado por OrCa  em  01/09  às  02:19 AM

"resistir é apenas
uma questão de levar o fogo do poema
ao ponto onde ruíram as pontes...”.

versos que definem a craveira de uma grannde poetisia....

beijos

contado por manuel  em  01/09  às  12:08 PM

POETISA, sorry.

contado por manuel  em  01/09  às  12:10 PM

"Poemando” desta forma continuarás sempre a visar as estrelas. E até as luzes do mundo brilharão doutra forma.
Beijinhos e desculpa as ausências. O tempo e as circunstâncias da vida afastam-nos, por vezes, daquilo que é essencial.

contado por lique  em  01/09  às  05:00 PM

verás que resistir é apenas
uma questão de levar o fogo do poema
ao ponto onde ruíram as pontes
e em vez das luzes do mundo
visar as estrelas como dantes

Lindíssima esta estrofe!
Satura a mensagem que privilegia o sonho à realidade.
Porém, resistir não comporta ficar-se preso a um passado ("como dantes"), mas depreendi que o importante era recuperar o modo de se olhar as estrelas… Terei lido bem?

contado por ive  em  01/10  às  07:05 PM

Que bonito. Nem sei que mais dizer…
Beijos e um excelente 2006!
Betty

contado por Betty  em  01/13  às  12:09 PM

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