Soprou hoje leve brisa matinal de ensejo,
que me trouxe aqui a este areal extenso,
sedenta de te roubar um beijo.
Cavaleiro meu, porque esperas tu,
para cumprires com este meu
impuro desejo?
Afagar-te ou recolher um olhar teu,
será como tocar a imensidão dos céus
e queimar de sol as asas que me levam.
Bruxuleante chama eu sou e caio
na terra que viu meu sonho arder,
na lonjura em que te busco sem te ver.
Cavaleiro meu, porquê esperar
pela eternidade em nós infinda
para me estreitar de ti faminta?
Sede que trago e não é extinta, acende
em mim desejo azul de tardes
longorosas, envoltas em véu de tule.
Cavaleiro meu, de pérfida espada,
que esperas de mim nesta enseada
em que encalhou nossa barca?
Para sempre te deixo os meus sinais:
na torre em que se fecham os meus ais
te aceno em lenços brancos de cambraia.
E tu, Cavaleiro que passas, em tua
armadura baça, para cima me gritas um verso
e na minha clausura o recebo e agradeço.
Mas, Cavaleiro meu, porquê esperar
pela eternidade em nós infinda
para me estreitar de ti faminta?
Não venho contar a minha estória mas apenas dizer que este poema é muito bonito.