Pintura de Imelde Tobia, nata a Perugia nel 1911,
tenho uma serra azul a crepitar no mar
neblinas luminosas afagam as pedras
a chuva recolhe para dentro do olhar
tenho esta manhã de gesta inquieta
a poesia solta neste orvalho urbano
a luz que penetra nos cantos da noite
a memória densa que dói e seduz
o tempo aparou as dobras do medo
nascem em casulos borboletas leves
solta-se a ternura na pele dos dedos
escrevem-se cores por fora do sol
liberta-se a voz no verde da serra
há uma idade velha que passa por nós
o corpo que apela à clemência da luz
a natureza espera o meu gesto fútil
pintá-la para quê se o belo existe
além das libações que lhe cumpro hoje
evoco a serra porque é o meu mundo
as árvores solteiras respiram virtude
os poetas bebem harpas e alaúdes
onde só o vento os torna fecundos
a vida que vela sensata por nós
a vela que volteia no ar da manhã
a paixão debruada no brilho da foz
a idade que vira para a baía da paz
reflicto o que vejo neste espelho duplo
de um lado a existência, a fala no outro
a natureza é este corpo suspenso
divindade muda de apaziguamento e luz…
Bom Domingo!
Gostei do teu “panteísmo"…
Todo o poema é muito belo, muito bem escrito. Tenho dificuldade, por isso, de destacar este ou aquele verso.
Uma boa semana para ti, já que o Domingo se foi…
Beijos.
Um “panteismo” com “espírito” com sentimento, rico de poesia, como costuma dar-nos a Sara.