pendurados os relógios no tempo em redor da alma,
sentemo-nos sobre o sono e sejamos os épicos
guerreiros da palavra solta e frágil de amarras
a alma a queimar o tecto, a alma amarelecida pelos estios
na ponta narcótica de um cigarro, sejamos rios
a lama ardente já fincada nos teus passos
em volta danças arremessando palavras ao fogo
uma a uma incineradas para que nos expludam
denunciando a celebração de tréguas no tempo
que enfim nos abre o mistério das estrelas
dezembrinamente frias mas ardentes belas
para que nos exista a febre a cintilação das veias
e a palavra te escorra pela garganta como nêspera
docemente mel melodiosa iridiscente e fresca
uma bátega de inocente chuva na púrpura musselina
das despidas vestes minhas do momento
pois há noites opulentas que nos fervem nas mãos
são as noites onde os corpos anoitecem o cansaço
nas ritmadas danças de um harém deserto
bátegas de vento cospem os vidros que desassossegas
no quarto as rosas ferem profundamente verdes
há uma véspera vazia aberta a um litoral diferente
tu que me colhes árvore e avanças entre o pomar
para que te nutra no meu seio de seiva e sol
como num pacto de sangue a noite é-te fiel e morre
Que queres que eu diga?
Olha, a única coisa que me ocorre é que escreves bem comó caraças.
Um feliz Natal e um bom ano de 2007, para ti e para a tua família.
Beijos.