poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

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:: Quinta-feira, Julho 13, 2006

Miragem

Ali onde os cristais brilham no escuro
e um rio de súplica vai para jusante
ali onde os astros tiveram seu declínio
ali mesmo contei o mar sobrante

Ali na alvorada do prazer, na orla do
círculo de sal, dancei dentro da miragem
nas faúlhas de um fogo por arder

Se os cristais eram pétalas, não sei
porque o rio brilhava de prata azul
e havia seda de luz no seu encalço

Era a origem de todas as sedes do
poço da ternura
Era mais que canto mais que uma
aguda espera

Era o declínio dos astros nos sentidos
o magma luzidio, a febre, a sede de rosas
e de estio, eram lufadas de ar no dossel
do mundo e o corpo solto de espadas
e leve de murmúrios…

Delicadamente uma rosa se abriu
em pétalas que caíram leves e soltas, sem
o peso das coisas mortas. Voar é a miragem
mais perfeita, pensei no encalço da luz.

Harpas em torrentes de volúpia e o
zénite do sonho eleva-se no escuro:
Ó amanhecer de um novo Ser nas águas
florais do pensamento - ó miragem dos
sequiosos de novos oásis de vento!

4 de Fev. de 2004

publicado por deSaraComAmor • às 09:31 PM • categoria: poesia

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