... como jardins de Barcelona
imensas, gulosas e frescas
na preguiça de um café,
na incerteza de uma vírgula
ou das asas de uma frase
que venha e voe, que varra
e espalhe o medo, a dor,
o pranto, a poeria derramada
o olhar vórtico preso
à vária resistência, a vida
um violento vulcão extinto,
mas por dentro em ebulição viva,
marulhar de águas gotejantes,
fogo de um navio fantasma
respirando à proa e cuspindo mastros,
e as águas uma navalha acesa,
apontada à telúrica circunstância.
Manhãs suspensas, abismos
que alastram, fugas encetadas
para a fluidez dos astros.
Tudo enfim são anagramas
que as mãos, trôpegas, inscrevem,
na superfície porosa
de um simples guardanapo.
E a vida um papagaio verde
a que já se perdeu o fio
e no poente esbarra e arde.
Manhã de 5 de Maio de 2003
“E a vida um papagaio verde
a que já se perdeu o fio
e no poente esbarra e arde.”
como verd’espera
que nada esper’além
de si mesm’...as manhã’suspensas
afugentam as madrugad’abissais
num fio de vid’adormecido
num raio de so’lá
pros lados do poent’exangue
... mas onde ind’ard’Esperança.
(Brasília, 13 dezembro 2006, 9:35h… manhã sem sol… mas amanhã...)
Mais um magnífico poema.
Já não é de agora que a tua fasquia está muito alta…
Beijos.