manhãs de flores
entre o canteiro das tuas mãos
a fresca flora fala de amores
e eu sou a terra
tu jardineiro da minha pele
em erosão
a fala fértil fala de goivos
como da noite à manhã nova
ruborizados noivos
em surdina se comprovam
embora triste
é pela manhã que a rosa cresce
e o peito se levanta do leito em neve
a fala ferve ao lume
em fogo leve
e já desfeito o linho dos lençóis
ainda na voz se ouve em sal
o algodão que ainda dói
mas esquece
é pela manhã que a lua
desce do seu alto parapeito
o pedestal dos amantes do deserto
segredos abrem as corolas ao amor
secretos lírios os tensos membros
entre as horas se desfolham
colhidos lentos
e entre os olhos cresce a estrela
e se demora na sua alta distinção
de raros estios
e entre beijos nos cai o selo
a pele abre o seu solto seio
e salmos da alma
são dos corpos arrepio e
lastro ou fogareiro
é raso o rasto do nevoeiro
mas a flora fina de cambraia
que é o desejo
ainda assim no escuro veio…