Gramática do Desejo
Desdobra-se agora a tela
E os rostos
São os semicerrados olhos
E a água o gesto puro
Das linhas
Decifradas..
(A cor
Não desejo
Ainda… )
Os tons breves e o silêncio
Que apenas os gestos
Gritam
E a pele abrindo-se
Sob os dedos…
(A sede
Não ainda
Arde...)
Desnuda-se o olhar
Lento
E abre-se corpo…
Cor e gesto
Ainda e o fogo agora
Entrelaçando-se na forma
Adivinhada…
Volátil espera
De lume e água…
Água e Fogo, Lume e Sede que arde… os paradoxos terríveis da paixão… Uma Gramática antiga que não se aprende nos compêndios e não muda de língua para língua. Sente-se no peito. E escreve-se na tela do olhar. Muito bonito, Romeiro. Deixo-te algo que já fiz há algum tempo:
esta pira de amar
consome toda a solidão
que há entre portas
não há como morrer
num derrame
de melancolia lenta
e ardente
como se o fogo
fosse o primeiro
beijo e a morte
o amante
E obrigada por mais esta partilha!
Versos breves… para um poema intenso!
Valeu!!!
Um abraço fraterno.
Na noite que se arrasta, as palavras azuis tom de fogo ficam a pairar. E desejo a cor e a sede arde. Poder das palavras, semente da espera.
Beijo, romeiro.
Como sou curiosa, claro que vim à procura das tais pessoas conhecidas…
Adorei este pormenor:
Os tons breves e o silêncio
Que apenas os gestos
Gritam
E a pele abrindo-se
Sob os dedos…
Muito bonito!
O azul é sempre a cor, a sede de viver mantém-se
Beijo, dias felizes
Volátil não é seguramente a ternura decifrada pelas palavras de mais este belíssimo poema teu, Manel… Pelo contrário, nada aqui se evapora e tudo em nós se impregna…
Beijinho grande
o que tenho buscado por vocês.
bem depurada está a posia que escreves. outro dia virei ler prosas vossas. abraço bom fds