Dobram-se os dias
A memória é apenas gesso
E as breves frinchas
Nas cortinas rasgadas pelo vento…
E no entanto
Quedo-me suspenso
Desta hora
Nem de partida
Nem chegada…
Espera pura!…
O sangue balbucia o nome inacessível
Das coisas por arder
Bem sabendo
Que o coração rebenta
Nas impossíveis luas
E os pés
São apenas pó nos caminhos
Inalcançados…
E no entanto
Em todas as manhãs
Se soltam andorinhas
E primaveras
Como flores fortuitas
Recolhidas no orvalho
Suspenso
De meus dias…
As andorinhas que se soltam em cada manhã dão cor à espera. “E primaveras como flores fortuitas” . Azuis, se tentar encontrar um fio condutor na tua poesia.
Um poema lindo, Romeiro. De palavras puras. Que não esperam.
Beijos
Palavras bem primaveris…
... bem podia contar-te aquela história que começava assim: <i>"Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola...” mas acho que já sabes essa. Portanto voltamos à estaca zero; em vez de te contar uma história, desejo-te um bom fim de semana. Chega?!
Abraços.
Olha Manel,ao ler este teu belíssimo poema, simultaneamente tão subtil e tão inteiro, apeteceu-me, para o comentar, roubar algumas palavras a Eugénio de Andrade, aquelas em que ele diz que
“A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo
cintila,
a boca espera
(que pode uma boca
esperar
senão outra boca?)
espera o ardor
do vento
para ser ave,
e cantar.”
Beijo, Manel…
Quanta harmonia na tensão das palavras… Belas flores fortuitas que se soltam dos teus dedos, sim! Que a tua rumagem continue a vir dar aqui… e
Beijinhos de bom fim de semana.
Será da chuva, será da ansiedade que uma viagem longa sempre me causa, não sei, a verdade é que estes teus versos me comoveram.
Beijo, meu amigo.
Um excelente poema, “nem de partida, nem de chegada"…
Abraço.
Assim permanecemos em espera pura suspensos do que desejamos e não alcançamos… valorizando o que conseguimos a espera persistirá mas os caminhos terão menos pó, desanuviar-se-ão???
Beijos
espera pura e belíssima.
um beijo daqui.
saudades, Romeiro
abraço