poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

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:: Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

Espera pura…

Dobram-se os dias
A memória é apenas gesso
E as breves frinchas
Nas cortinas rasgadas pelo vento…

E no entanto
Quedo-me suspenso
Desta hora
Nem de partida
Nem chegada…

Espera pura!…

O sangue balbucia o nome inacessível
Das coisas por arder
Bem sabendo
Que o coração rebenta
Nas impossíveis luas
E os pés
São apenas pó nos caminhos
Inalcançados…

E no entanto
Em todas as manhãs
Se soltam andorinhas
E primaveras
Como flores fortuitas
Recolhidas no orvalho
Suspenso
De meus dias…

publicado por Romeiro • às 02:57 PM • categoria: poesiaestórias contadas (10) •

:: estórias:

As andorinhas que se soltam em cada manhã dão cor à espera. “E primaveras como flores fortuitas” . Azuis, se tentar encontrar um fio condutor na tua poesia. grin
Um poema lindo, Romeiro. De palavras puras. Que não esperam.
Beijos

contado por lique  em  02/23  às  11:15 PM

Palavras bem primaveris… grin

contado por Carlos Tavares  em  02/24  às  12:58 PM

... bem podia contar-te aquela história que começava assim: <i>"Eu tinha uma andorinha que me fugiu da gaiola...” mas acho que já sabes essa. Portanto voltamos à estaca zero; em vez de te contar uma história, desejo-te um bom fim de semana. Chega?!
Abraços.

contado por legivel  em  02/24  às  04:39 PM

Olha Manel,ao ler este teu belíssimo poema, simultaneamente tão subtil e tão inteiro, apeteceu-me, para o comentar, roubar algumas palavras a Eugénio de Andrade, aquelas em que ele diz que
“A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo

cintila,

a boca espera

(que pode uma boca
esperar
senão outra boca?)

espera o ardor
do vento
para ser ave,

e cantar.”
Beijo, Manel…

contado por maria  em  02/24  às  11:10 PM

Quanta harmonia na tensão das palavras… Belas flores fortuitas que se soltam dos teus dedos, sim! Que a tua rumagem continue a vir dar aqui… e

Beijinhos de bom fim de semana.

contado por Aziluth  em  02/25  às  12:27 AM

Será da chuva, será da ansiedade que uma viagem longa sempre me causa, não sei, a verdade é que estes teus versos me comoveram.
Beijo, meu amigo.

contado por T.  em  02/25  às  11:33 AM

Um excelente poema, “nem de partida, nem de chegada"…
Abraço.

contado por NILSON  em  02/26  às  02:43 PM

Assim permanecemos em espera pura suspensos do que desejamos e não alcançamos… valorizando o que conseguimos a espera persistirá mas os caminhos terão menos pó, desanuviar-se-ão???

Beijos

contado por segurademim  em  02/26  às  03:58 PM

espera pura e belíssima.
um beijo daqui.

contado por Márcia  em  03/03  às  10:53 PM

saudades, Romeiro

abraço

contado por T.  em  03/07  às  05:29 PM

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