poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

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:: Quinta-feira, Abril 06, 2006

era um dia como o de hoje

apenas mais um apontamento para combater a (des)arte de se estar só…

era um dia como o de hoje
e tu vieste

era um dia igual a tantos
mas sentiste
chegar a ti alguma voz muda de mágoa
era um dia sem encantos
que acordaste
onde foste no deserto esse mar de água

era um dia como o de hoje
e tu vieste
e os prantos de mil sons emudeceram
era um dia do combate
que quiseste
e logo então mais de mil flores desabrocharam

e assim se fez o dia em que nascemos
e assim se faz no dia a caminhada
e eu sinto ao longe o grito de um poema
contra os medos de tormenta ou vento agreste
ao sentir-te junto a mim nesta jornada

e o dia renasceu

porque apenas
era um dia como o de hoje
e tu vieste.

publicado por OrCa • às 11:07 PM • categoria: poesiaestórias contadas (4) •

:: estórias:

"(...)e eu sinto ao longe o grito de um poema
contra os medos de tormenta ou vento agreste
ao sentir-te junto a mim nesta jornada (...)

E eu respondo:

E que tal um poema
a atravessar a tarde
distintamente clandestino
como todas as sombras do passado
como todos os encontros aprazados
como todos os lugares esquecidos
os ninhos os nichos minutos e horas
os risos dos tempos meninos
e os risos de outrora?

E que tal um poema
distintamente luminoso
como o sol a dormir nas nuvens
aceso nos peitos amantes
as intermitências da chuva
a catarse permanente
os sinais da Primavera que se ouvem
distintamente tímidos no negro
horizonte?

Que tal um poema só, um só apenas
seja azul, amarelo, verde ou magenta
para nos sentirmos mais e mais vivos
mais e mais gente - luzes na escuridão
do tempo?

Abraço poético
e obrigada por saberes usar a arte de não estar só…

contado por Aziluth  em  04/07  às  01:41 PM

Nada como um encadear de versos para combater a tal solidão ou a perspectiva só de isolamento. O teu eco, Aziluth, é o supremo anseio de quem solta as palavras.

Assim, é meu também o agradecimento por teres vindo e partilhado as tuas palavras. O eco agigantou-as. Agora, ninguém saberá aonde irão parar!

contado por OrCa  em  04/07  às  03:08 PM

Belo.

Zeca da Nau

contado por Zeca da Nau  em  04/09  às  03:18 PM

Gostei muito de ler-vos. A ambos. Nesse dueto inspiradíssimo. Um privilégio enorme participar deste espaço, como o vosso enorme talento. Beijos e abraços

contado por  em  04/10  às  12:53 PM

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