reiniciando os caminhos já trilhados, sempre em novas circunstâncias, ocorreu-me uma recente travessia matinal do Tejo em que o barco me pareceu, de súbito, ancorado no meio do rio…
a ténue sugestão de neblina
na margem sul e muito ao rés das águas
perpassa no horizonte
sulcado por flamingos
e o rio corre lento na paisagem
Lisboa é uma linha fugidia
a acender-se no velho casario
e ao marulhar do rio
num cais abandonado
a lama vai cobrindo toda a margem
já mal desponta o grave cavername
da velha nau ancorada na vasa
poleiro de gaivotas
entre o mar e as colinas
grito-cinza que se lança à tempestade
e bordam cacilheiros seus destinos
em teias que entretecem densas névoas
e a seda que une as margens
é gente que neles singra
em derrotas já sem leme e sem miragens
mas o Sol que entretanto já espelha
por toda a extensão a madrugada
faz do rio ouro e prata
e aponta ao horizonte
o futuro erguido em poalha alvoroçada
a luz que cobre de cor a paisagem
intensa como o sopro duma aragem
desvenda outro porvir
desdobra a liberdade
de forjar o homem novo na cidade.
Bom dia, OrCa, e um BOM ANO de muito amor e realização poética, como mereces.
Obrigada pela boa estreia aqui nos Poemas III, uma estreia com sabor a mar e rio, Lisboa e Barra, os meus lugares de encanto… Compreendi a alegtoria. Na verdade somos um país de homens já sem derrotas, já sem leme e sem miragens. É preciso inventar um canto renovado para que de ano para ano as marés tragam lágrimas lavadas e dias limpos de neblina. Abandonar as naus paradas e fundear a podridão das tábuas. Afinal, o nosso futuro começa agora, com mais um ano novinho em folha, uma nau cujo percurso é ainda incerto, mas vem vestida de esperança… Gostei muito do teu poema. Grata.
Infelizmente não consigo acabar o conto aí abaixo antes que o espírito de Natal fique de novo escondidinho com a árvore de Natal, no sótão. Embrenhei-me de tal modo nas personagens que agora continuá-lo não é coisa que se faça em meia hora, o tempo de que disponho depois das linhas lides familiares! A ver vamos!
BOM ANO, Jorge!
Acabei, mesmo agorinha, (graças ao Ognid, da Catedral e da Amélia Pais, de Ao Longe Os Barcos De Flores)de descobrir que este dia 31 terá mais um segundo por imperativos de acerto cósmico…
Pois que esse segundo seja o do nosso abraço e que ele tenha o tamanho do mundo!
Renovar é uma constante da vida… Um Bom Ano!
flagrante delito ..o ter entrado..encantado fiquei ao ler..bruno pires
Bela retrato “pictórico” de Lisboa (melhor talvez apenas Cesário Verde) a desvendar o nevoeiro que teima em perseguir-nos…
Apreciei este final vigoroso de hino à liberdade e ao homem novo, perante a teimosia “histórica” dos homens providenciais que nos espreitam em cada esquina…
Abraços
estas tuas palavras vivem-se e respiram-se. Enchem-nos o peito de um ar + puro e tmb + seguro para um poutro futuro. Bjs e
Este teu poema é um hino de esperança neste país de neblinas que não dispersam.
Que venham esses dias melhores.
Beijinhos, Betty