poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

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:: Sexta-feira, Março 17, 2006

Declinar do tempo sobre a hora..

Sobre o invisível leito das horas
Gastas de memória e de chuva
A eterna marca d´água indelével
E a terra desbravada… fruto ainda.

São estes sulcos veias e o sangue
É líquen em espasmos no caule
Da flor que ainda colhe os raios
No dobrar das folhas e da cor…

Evanescente desejo de caminhos
Sob os pés da viagem. Inesperados
Gomos que os lábios sorvem
Em sede de beijos reclamados ...

Assim, amor, esta ternura. Amoras
No gosto puro de manhãs claras
Que não sendo, são nossas. Tempo
Avaro. Declinar do tempo sob a hora…

publicado por Romeiro • às 03:23 PM • categoria: poesiaestórias contadas (7) •

:: estórias:

"(N)o declinar do tempo sob as horas”
ou em terra madura feita leito,
te revejo mulher trincando amoras
e estou a ver que hoje não me deito.

In “Beijos com amoras” de Gaspar Cerejo, Editorial Fruta da Época, Lisboa.

Abraços e óptimo fim de semana!

contado por legivel  em  03/17  às  09:10 PM

que bom ler voc~e nessa noite de sexta, manuel. estava com uma imensa saudade… beijos muitos. daqui.

contado por Márcia  em  03/18  às  12:41 AM

red face
esse escritor o tal Cerejo
gostava de saber onde é que mora;
que não quero de certo dar-lhe um beijo
mas sim acertar-lhe num olho com uma amora*

*de pedra. Passaria a Cerejo Camões

beijo, bom fim-de-semana

contado por segurademim  em  03/18  às  05:09 PM

Hmmm… ternura com sabor a amoras, parece-me bem. E com esse sabor, talvez o tempo resolva ser pródigo. smile Gosto de te ler neste fim de tarde chuvoso. Beijos e bom resto de fim de semana.

contado por lique  em  03/18  às  09:29 PM

"Amoras no gesto puro das manhãs claras...” eis o que aqui nos deixas para a delícia do olhar e do paladar - que a tua poesia é para degustar no plato, com toda esta musiclidade…
Meu amigo, desculpa a ausência e esta indifereça de não comentar sequer aqui. Não é. Morro de isolamento!Acabei de adquirir banda larga portátil, mas revelou-se um logro, pois não tem rede aqui na aldeia e a maior parte das vezes nem abre… Vou tentar ser mais assídua, pelo menos junto de vocês, aqui. Obrigada pelo poema. Um abraço forte. Até breve.

contado por LibeLua  em  03/25  às  12:24 AM

”..Evanescente desejo de caminhos
Sob os pés da viagem. Inesperados
Gomos que os lábios sorvem
Em sede de beijos reclamados ... “

... lindo!

Um abraço e boa semana smile

contado por Poesia_Portuguesa  em  03/29  às  07:43 PM

Evanescente desejo de caminhos
Sob os pés da viagem.
(...)
Declinar do tempo sob a hora…

...é de Romeiro… wink
kisses, Bell

contado por MJM  em  04/03  às  01:23 AM

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