Sobre o invisível leito das horas
Gastas de memória e de chuva
A eterna marca d´água indelével
E a terra desbravada… fruto ainda.
São estes sulcos veias e o sangue
É líquen em espasmos no caule
Da flor que ainda colhe os raios
No dobrar das folhas e da cor…
Evanescente desejo de caminhos
Sob os pés da viagem. Inesperados
Gomos que os lábios sorvem
Em sede de beijos reclamados ...
Assim, amor, esta ternura. Amoras
No gosto puro de manhãs claras
Que não sendo, são nossas. Tempo
Avaro. Declinar do tempo sob a hora…
"(N)o declinar do tempo sob as horas”
ou em terra madura feita leito,
te revejo mulher trincando amoras
e estou a ver que hoje não me deito.
In “Beijos com amoras” de Gaspar Cerejo, Editorial Fruta da Época, Lisboa.
Abraços e óptimo fim de semana!
que bom ler voc~e nessa noite de sexta, manuel. estava com uma imensa saudade… beijos muitos. daqui.
esse escritor o tal Cerejo
gostava de saber onde é que mora;
que não quero de certo dar-lhe um beijo
mas sim acertar-lhe num olho com uma amora*
*de pedra. Passaria a Cerejo Camões
beijo, bom fim-de-semana
Hmmm… ternura com sabor a amoras, parece-me bem. E com esse sabor, talvez o tempo resolva ser pródigo.
Gosto de te ler neste fim de tarde chuvoso. Beijos e bom resto de fim de semana.
"Amoras no gesto puro das manhãs claras...” eis o que aqui nos deixas para a delícia do olhar e do paladar - que a tua poesia é para degustar no plato, com toda esta musiclidade…
Meu amigo, desculpa a ausência e esta indifereça de não comentar sequer aqui. Não é. Morro de isolamento!Acabei de adquirir banda larga portátil, mas revelou-se um logro, pois não tem rede aqui na aldeia e a maior parte das vezes nem abre… Vou tentar ser mais assídua, pelo menos junto de vocês, aqui. Obrigada pelo poema. Um abraço forte. Até breve.
”..Evanescente desejo de caminhos
Sob os pés da viagem. Inesperados
Gomos que os lábios sorvem
Em sede de beijos reclamados ... “
... lindo!
Um abraço e boa semana
Evanescente desejo de caminhos
Sob os pés da viagem.
(...)
Declinar do tempo sob a hora…
...é de Romeiro…
kisses, Bell