
Escrever é um acto impulsivo. És como um fumador passivo, respiras ar e fumo como se não pudesses ingerir um sem o outro. Escreves porque tens de dizer o que houver a dizer a quem dizer, ainda que penses que é a ti próprio que o dizes. Por vezes começas cegamente no lento labor de embrulhar uma ideia, encriptar um gesto, uma vontade, um sentimento, torna-se experimental o que dizes, a tua culinária é saborosa em primeiro lugar para ti, no final sentes-lhe a falta de sal, talvez pimenta, ingeres-te completamente. Um dia avanças com o corpo, arrasas a mente, cobres e descobres a memória, já não podes parar, abraçaste Deus e o Diabo duma só penada, escreves porque te encaminhaste para o labirinto das palavras e descobriste as mil e uma formas de te dizer, o vício da parábola, o vestido luminoso da metáfora, o fingimento a arte de te dramatizares em breves actos de múltiplas cenas. Só tu entras e sais, mas vão contigo outros e outras como tu, os que descreves, os que prescreves, os que lês e os que vendes como tu, pois adquiriste o direito de contradizer, depois de nada mais te restar fazer. Probematizas o vazio, fazes-te imitação do que imitas, filiação, devoção, paixão. Cultivas secretamente Tanatos num vaso de flores salgadas, ao mesmo tempo que te agarras às saias de Édipo para ganhares o direito à tua alma, mas a poesia já te menosprezou o coração como objecto alquímico e tu sabes. Tornaste-te um dia compulsivo, reduziste o mundo ao teu mundo, apartaste-se da fonte, ganhaste as asas da sublimação para um dia substituires num voo a própria vida. Nessa altura o poeta que és ensaia cenários que irradiquem de si possíveis bolbos, raízes abraçadas, persegue obsessivamente a originalidade escreve em dobras de tule, bombazina e tabuada, inventa a tábua rasa criativa, desmonta influências, mata o Outro, devora e vomita estéticas, produz estética. Nessa altura, o poeta está tecnicamente falido. Como homem. Mas terá atingido a voz mais pura da pedra luminosa da palavra.
tinha saudades de reler estas coisas tuas. Desejo que a releitura seja o sinal da mudança dos ventos no rumo do teu quotidiano. Beijinho grande, e obrigado outra vez pela partilha que me deixas fazer aqui com as tuas palavras. Beijo. J.
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Jota, sou eu q agradeço. Qt ao anterior…
Kisses
mj.
E então da musa se fez jeito
E do olhar a escrita fez sentido
Penetrando ao que alcança do teu corpo
Base era, coxas e um suspiro
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E não do jeito se fez musa
Da escrita, olhar é o sentido
Que penetra se ao corpo não alcança
Grafia - essa a lança do suspiro!…
mj.
What-a-wit !!!
xau-xau ...
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How shall I rejoice if my wit is a blind dice
And xau-xau a chinese rice?…
Continuas a suster e muito bem essa “pena” da poesia… Parabéns!
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.. assim me ajude o engenho e a Arte
Tnks
mj.
da escrita, muito bem! do desejo, tb estará e fico muito honrado com o desenho. obrigado.
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só não saíu já pq esperava o teu consentimento.
TCA, a minha admiração nunca decresceu e os teus riscos mais simples, são os q mais prefiro.
obrigada, eu.
mj.
Eh lecas, Mariette!! Isto agora é por atacado??
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Nopes. Ao q parece, é antes por atacada…
Compilo alguns dos versos q mais me deram gozo escrever. Apenas isso.
Compilo o gozo. Depilo o resto
mj.
"dízimo sempre adiado
como o vinho dentro das uvas”
you speak my language…
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and drink your wine…
mj.
Olha, MJM ..ouve esta ....
Um alentejano muito surdo sai do ginecologista da mulher muito preocupado, e diz: Não sei se ouvi se ela está fodida dos ovários ou se fode com vários.
Fartei-me de rir ... poesia, maresia ...
(A fresquinha subiu de posto)
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ãh?? o quê??? não se conseguiu ouvir nada…
mj.
era longo ...
está a melhorar ,,, (desci. deposto)
e não há meio ...
O último nome é Lembrança d’Aliàs ....´não sai ... tiro-lhe a Maria que é vulgar ...
desisto ... é Tributina Cataerva Lembrança d’Aliàs .... gostei deste ...que axas ?
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Acho q, por alguma razão, não conseguias registar esse apelido dos Borgonha… é q.... era mesmo uma bergonha
Como sou pela economia, q tal apenas Cataerva d’Aliàs?
ahahahaah
mj.
Nem sempre atrás de uma grande poetisa, está uma grande pessoa.
Venho dizer-te que tens uma amiga para a vida. Pela tua integridade hors-par, pela força das tuas convicções, pelo teu brilhantismo, inteligência e sensibilidade com que guardas o teu vinho dentro da uva.
Venho dizer-te obrigada, inusitadamente em público e ao mundo (enfim, começo a ver a verdadeira utilidade da blogosfera ...)e dar-te um abraço que só expira quando o nada começar a ser tudo.
Leonor
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Embasbaquei. Acho q a esta distância já consigo ensaiar uma espécie de resposta:
Considero-me uma grande pessoa, sim (1,70m não tá mal...).
Quanto ao ‘grande poetisa’, já não sei usar a bitola. Ninguém é bom juiz em causa própria.
A amizade, cara Leonor, é uma construção. E, neste caso, hors-blogosfera
Costumo, por aqui, falar em bit-afectos. As acções e reacções, por vezes dão-nos apenas pálidas imagens, retocadas - porque temos algum tempo para conferir gestos e não agimos ‘em cima’ do momento - embora a natureza se manifeste.
A verdadeira utilidade da blogosfera, temo desiludir-te, não é essa; nem sei ao certo qual é, que me tenho questionado e sucessivamente alterado a opinião. Agora, certo, certo, é que coisa real, não é!
Adorei as tuas palavras. Darias uma boa romancista.
Um abraço
mj.
(2004.03.30)
desliza ao sabor do que sentes…
beijo
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Tenho dificuldade em fazê-lo…
Um kiss pa ti
mj.
É sempre um prazer ler as tuas palavras!
Vim deixar-te um abraço e desejar uma feliz entrada em 2007, que realizes os teus sonhos.
FELIZ ANO NOVO
Escrevo, não por impulso, mas por falta de opção.
Pois se a escrita se fizesse sozinha
se a escrita tivesse mãos
... hoje eu fecharia as minhas.
Quedaria mudo
observando palavras serem escritas
palavras que jamais ousei pronunciar…
Por que insisto em mentir?!
Se não tivesse mãos faria como o mar
que onda após onda escreve na areia e nas pedras
o que não se pode calar.
(… sei que prossigo… só não sei ao certo pra onde.)