poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

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:: Sábado, Junho 10, 2006

as casas brancas de Sophia

as casas brancas
o céu de anil
e o rosa forte de buganvília

deuses amenos
águas de Abril
espinhos rosas ramagens mil
e um rio flui sorvendo margens
viagens de águas em tons serenos
feitos de sons
das aves todas entre as estevas
gritos
chilreios
de espantar medos

e as chaminés que o fumo levam
pelas giestas e por montados
e o vento é norte
aura de mar
azul mais forte
a desenhar brando contorno em tons de lua
laivos de sal
e de cal nua
feita brancura dolente a sul
e o mar dourado do sol poente
faz-se mais quente
depois do azul

e o rosa forte da buganvília
vulcão de cor no céu de anil
cobre de esperança
o medo e o pranto
nesse quebranto
das casas brancas no mês de Abril.

publicado por OrCa • às 11:20 PM • categoria: poesiaestórias contadas (5) •

:: estórias:

quase posso ver. wink
um beijo grande, meu querido.

contado por Márcia  em  06/11  às  12:55 AM

o teu poema é como um desenho que nos aparece diante dos olhos e que ao mesmo tempo se pode tocar e cheirar. O fumo da chaminé em Abril é estranho, estranho nesse mês, e causa desconforto ou assombro no meio da paisagem que nos encandeia com tanta luz!

contado por André  em  06/11  às  03:10 PM

André, com a minha gratidão pelo interesse manifestado e pelo amável comentário, deixa-me dizer que esse fumo apenas serve para nos mostrar que a casa é habitada. As “minhas” casas de Sophia só fazem sentido com gente nelas. E uma fumaça - do preparo de uma refeição, de um aconchego de velhice - é, para mim, um sinal de conforto… a contrariar tanto deserto.

Achei devida esta “dica”, apenas porque é muito sentida e aquele fumo foi muito intencional.

Com abraços.

contado por OrCa  em  06/11  às  04:22 PM

Pois é. Conheço bem esse casario branco. Não posso deixar de lhe encontrar um poética muito especial. Luz, muita luz. Conheço o poema da Sophia. Casas revisitadas, sempre. Habitadas ou profanadas, abandonadas, fechadas, as casas são quem as habita ou desabita. Está muito bonito o teu poema. Mas mais ainda, a trepadeira que constitui. Muito, muito grata e sempre encantada por ler-te aqui em poemas viçosos que a partilha afina.  Beijinhos e boa semana de trabalhao.

contado por  em  06/11  às  09:26 PM

poema de grande beleza “pictórica”. muito belo. dos tais poemas que apetece ler intimamente e ouvir-(te) declamar…

abraços

contado por heretico  em  06/12  às  02:32 PM

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