as casas brancas
o céu de anil
e o rosa forte de buganvília
deuses amenos
águas de Abril
espinhos rosas ramagens mil
e um rio flui sorvendo margens
viagens de águas em tons serenos
feitos de sons
das aves todas entre as estevas
gritos
chilreios
de espantar medos
e as chaminés que o fumo levam
pelas giestas e por montados
e o vento é norte
aura de mar
azul mais forte
a desenhar brando contorno em tons de lua
laivos de sal
e de cal nua
feita brancura dolente a sul
e o mar dourado do sol poente
faz-se mais quente
depois do azul
e o rosa forte da buganvília
vulcão de cor no céu de anil
cobre de esperança
o medo e o pranto
nesse quebranto
das casas brancas no mês de Abril.
quase posso ver.
um beijo grande, meu querido.
o teu poema é como um desenho que nos aparece diante dos olhos e que ao mesmo tempo se pode tocar e cheirar. O fumo da chaminé em Abril é estranho, estranho nesse mês, e causa desconforto ou assombro no meio da paisagem que nos encandeia com tanta luz!
André, com a minha gratidão pelo interesse manifestado e pelo amável comentário, deixa-me dizer que esse fumo apenas serve para nos mostrar que a casa é habitada. As “minhas” casas de Sophia só fazem sentido com gente nelas. E uma fumaça - do preparo de uma refeição, de um aconchego de velhice - é, para mim, um sinal de conforto… a contrariar tanto deserto.
Achei devida esta “dica”, apenas porque é muito sentida e aquele fumo foi muito intencional.
Com abraços.
Pois é. Conheço bem esse casario branco. Não posso deixar de lhe encontrar um poética muito especial. Luz, muita luz. Conheço o poema da Sophia. Casas revisitadas, sempre. Habitadas ou profanadas, abandonadas, fechadas, as casas são quem as habita ou desabita. Está muito bonito o teu poema. Mas mais ainda, a trepadeira que constitui. Muito, muito grata e sempre encantada por ler-te aqui em poemas viçosos que a partilha afina. Beijinhos e boa semana de trabalhao.
poema de grande beleza “pictórica”. muito belo. dos tais poemas que apetece ler intimamente e ouvir-(te) declamar…
abraços