poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

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:: Quinta-feira, Novembro 16, 2006

A GEDEÃO – NOS 100 ANOS DO SEU NASCIMENTO (24 DE NOVEMBRO)

(pé ante pé, bato ao de leve na porta, pedindo licença para entrar… não sendo um filho pródigo, nem qualquer outro prodígio, cumpro promessas mais que devidas à excelsa dona desta casa… à falta de flores, trago o Gedeão, sempre fresco, que inspirou, com o seu desassombro, com o seu tão fino sarcasmo e a sua tão doce ironia, estes meus pobres versos...)

gê de ião? – pouco provável
que um átomo p’ra apresentável
requeira algum monograma
porque não usa pijama
e passando a electrólise
careça de mais análise
p’ra concluir o programa

gê de quê?… ah é de António?
mas não se vê o porquê
tal letra assim à mercê…
‘inda se fosse plutónio
agitação de neurónio
neutrónio bombardeado
isso sim daria brado

agora cá esse gê
dando ao rosto um outro nome
sem nos dizer o porquê…

ele havia um Galileu
tipo estranho cuja fome
era muito olhar para o céu
num gesto que era tão seu
que lhe chamavam um vício
(coisa que em boa não deu
p’los lados do Santo Ofício)

disseram-me mesmo agora
que era de sonho tal letra
cruzando pelos céus afora
qual luzidio cometa
e era um gê de grandeza
pois é um gê com certeza
de que se fez um poeta.

- Jorge Castro

publicado por OrCa • às 11:52 PM • categoria: poesiaestórias contadas (3) •

:: estórias:

Bom dia, Jorge! E eu que perdi a rota do Gedeão, (mea culpa) esperava lá que ele viesse ter comigo de modo tão discreto e retumbante? Foi fácil imaginar o poema a voar da tua voz e a encher a sala. O que o Jorge escreve, para quem não sabe, lê-se de todas as maneiras, mas tem um timbre especial se lido no eco do silêncio, ao saborear de pausas e de acentos. Basta experimentar. A poesia nem só mata a fome e a sede do olhar, mas acolhe também o prazer do ouvido. Bonita homenagem ao António Gedeão! Eu tinha algo alinhavado, mas não concluí…
Fez-se honra ao poeta e assistiu-se à quebra da monotonia aqui da casa, com um (teu) poema remarcável. Bem hajas, amigo Jorge.

contado por  em  11/17  às  10:14 AM

Excelente poema.
Que em nada desmerece o visado.
Parabéns ao Jorge.
Beijinhos para ti, Libelua…

contado por Nilson Barcelli  em  11/17  às  06:20 PM

Bravo, Jorge! Bravo!

Um beijo.

contado por Márcia  em  12/02  às  09:06 PM

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