(pé ante pé, bato ao de leve na porta, pedindo licença para entrar… não sendo um filho pródigo, nem qualquer outro prodígio, cumpro promessas mais que devidas à excelsa dona desta casa… à falta de flores, trago o Gedeão, sempre fresco, que inspirou, com o seu desassombro, com o seu tão fino sarcasmo e a sua tão doce ironia, estes meus pobres versos...)
gê de ião? – pouco provável
que um átomo p’ra apresentável
requeira algum monograma
porque não usa pijama
e passando a electrólise
careça de mais análise
p’ra concluir o programa
gê de quê?… ah é de António?
mas não se vê o porquê
tal letra assim à mercê…
‘inda se fosse plutónio
agitação de neurónio
neutrónio bombardeado
isso sim daria brado
agora cá esse gê
dando ao rosto um outro nome
sem nos dizer o porquê…
ele havia um Galileu
tipo estranho cuja fome
era muito olhar para o céu
num gesto que era tão seu
que lhe chamavam um vício
(coisa que em boa não deu
p’los lados do Santo Ofício)
disseram-me mesmo agora
que era de sonho tal letra
cruzando pelos céus afora
qual luzidio cometa
e era um gê de grandeza
pois é um gê com certeza
de que se fez um poeta.
- Jorge Castro
Bom dia, Jorge! E eu que perdi a rota do Gedeão, (mea culpa) esperava lá que ele viesse ter comigo de modo tão discreto e retumbante? Foi fácil imaginar o poema a voar da tua voz e a encher a sala. O que o Jorge escreve, para quem não sabe, lê-se de todas as maneiras, mas tem um timbre especial se lido no eco do silêncio, ao saborear de pausas e de acentos. Basta experimentar. A poesia nem só mata a fome e a sede do olhar, mas acolhe também o prazer do ouvido. Bonita homenagem ao António Gedeão! Eu tinha algo alinhavado, mas não concluí…
Fez-se honra ao poeta e assistiu-se à quebra da monotonia aqui da casa, com um (teu) poema remarcável. Bem hajas, amigo Jorge.
Excelente poema.
Que em nada desmerece o visado.
Parabéns ao Jorge.
Beijinhos para ti, Libelua…
Bravo, Jorge! Bravo!
Um beijo.