poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

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:: Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

A Fria Paisagem Urbana

Devora-me hoje um fogo frio
que cresce em ondas de ansiedade.
Conto gaivotas a fugir de terra,
que no mar há serenidade.

Vislumbro fantasmas que não tenho,
medos que não conheci,
nuvens dispersas, formas travessas,
palavras que não entendi.

O frio que cobre o azul do céu,
cai a pique sobre mim,
em solarengos recantos
que recortam edifícios,
entre a riqueza e os antros.

Escrevo porque o que vejo
é vistosa tirania,
é contraste, é cortejo,
da crua realidade,
que acende a luz do dia.

E escrevo também porque sim,
palavras que querem sair,
sangue, pulsar, vida assim,
compulsividade também em mim…
estranheza pelo que vi.

18 de Janeiro de 2002

(cinco anos depois, já não sei escrever assim, nem a paisagem interior se mantém fria, apesar da bruma matinal. Apenas a compulsividade permanece dinâmica e inactiva, em luta contra a tirania do tempo. Não há. Recorro à catalogação dos dias impulsivos.)

publicado por deSaraComAmor • às 09:58 AM • categoria: poesia

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