poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

:: Sábado, Outubro 14, 2006

cidades acépticas

En las afueras de Toledo (Los viejos), 1912. Óleo sobre tela, 210 x 185 cm. Diego Rivera. 

as cidades acépticas
as cidades hipócritas nos seus
labirínticos saneamentos
escondem males que antes urinavam
na via pública
as cidades gangrenam silenciosas
fomes
pálidos lamentos
nas cidades há velhos e novos
que arrastam nos pés as memórias
de ser gente - umas vezes atrevem-se
a atravessar o brilho das montras
outras buscam anódinas paredes
com medo de empobrecer o valor predial
dos edifícios da baixa
ou de tolher a súbita pressa do socialismo
em lhe cuspir nos pés
às vezes arriscam olhar o mundo
na decrepitude de um leito
subterrâneos como ratos
pudicamente limpos pelo centro de dia
e até há agora, dizem,
homens que bebem como se fosse vinho
a negra humidade do relento
mas não os vemos sentados ao sol
como antes nos arredores frescos
de Toledo

publicado por libelua • às 12:00 PM • categoria: poesia



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