recordemos as cores do paraíso
as luminosas dores
a rosa aberta nos sentidos
a volúpia da navegação cega dos cisnes
sigamos o astrolábio da vida
estas palavras adornadas
só dos anjos tão antigas
ou a rota azul das nuvens
que seguem distraídas
para a dissolução lenta
o único paraíso que alguma vez coube
na dimensão opaca de um poema