deixa que os lírios se espalhem
onde passas pela tarde
que seja a única forma
de fazer florir nos lábios
o sorriso alto das montanhas
todas as ruas e praças
vindas do bosque das mágoas
e o som lento e elevado
da flauta nupcial das aves
verás a nudez
de antigos régios dosséis
formas como lamparinas
o desalinho de sedas e lençóis
será nesse recolhimento da voz
que ouvirás a respiração dos lírios
mas pensarás em limbos
e em aves ao recolher da dor
será ai que nos deitaremos
com um poema à flor do corpo