(pé ante pé, bato ao de leve na porta, pedindo licença para entrar… não sendo um filho pródigo, nem qualquer outro prodígio, cumpro promessas mais que devidas à excelsa dona desta casa… à falta de flores, trago o Gedeão, sempre fresco, que inspirou, com o seu desassombro, com o seu tão fino sarcasmo e a sua tão doce ironia, estes meus pobres versos...)
gê de ião? – pouco provável
que um átomo p’ra apresentável
requeira algum monograma
porque não usa pijama
e passando a electrólise
careça de mais análise
p’ra concluir o programa
gê de quê?… ah é de António?
mas não se vê o porquê
tal letra assim à mercê…
‘inda se fosse plutónio
agitação de neurónio
neutrónio bombardeado
isso sim daria brado
agora cá esse gê
dando ao rosto um outro nome
sem nos dizer o porquê…
ele havia um Galileu
tipo estranho cuja fome
era muito olhar para o céu
num gesto que era tão seu
que lhe chamavam um vício
(coisa que em boa não deu
p’los lados do Santo Ofício)
disseram-me mesmo agora
que era de sonho tal letra
cruzando pelos céus afora
qual luzidio cometa
e era um gê de grandeza
pois é um gê com certeza
de que se fez um poeta.
- Jorge Castro