poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

:: Quinta-feira, Abril 20, 2006

se te digo de palavras que são contos

se te digo de palavras que são contos
ou dos cantos das palavras de dizer
que de encantos inebria ou nos faz tontos
tanto quanto quantos cantos te souber

se te digo apenas talvez o que sabes
ou então tudo o que eu sei que queres saber
ficará entre nós um céu sem aves
que de azul se perdeu já do entardecer

vem daí pois seremos bem capazes
de outro sabor descobrirmos nas palavras
que renasça do que eu faço e do que fazes

abrirei também a porta que tu abras
surgirão de nós palavras mais audazes
nesse campo onde semeio e que tu lavras

publicado por OrCa • às 11:37 PM • categoria: poesiaconta aqui a tua estória (3) •

:: Segunda-feira, Abril 10, 2006

Gramática do Desejo

Gramática do Desejo

Desdobra-se agora a tela
E os rostos
São os semicerrados olhos

E a água o gesto puro
Das linhas
Decifradas..

(A cor

Não desejo
Ainda… )

Os tons breves e o silêncio
Que apenas os gestos
Gritam
E a pele abrindo-se
Sob os dedos…

(A sede

Não ainda
Arde...)

Desnuda-se o olhar
Lento
E abre-se corpo…

Cor e gesto
Ainda e o fogo agora
Entrelaçando-se na forma
Adivinhada…

Volátil espera
De lume e água…

publicado por Romeiro • às 11:42 AM • categoria: poesiaconta aqui a tua estória (7) •

:: Quinta-feira, Abril 06, 2006

era um dia como o de hoje

apenas mais um apontamento para combater a (des)arte de se estar só…

era um dia como o de hoje
e tu vieste

era um dia igual a tantos
mas sentiste
chegar a ti alguma voz muda de mágoa
era um dia sem encantos
que acordaste
onde foste no deserto esse mar de água

era um dia como o de hoje
e tu vieste
e os prantos de mil sons emudeceram
era um dia do combate
que quiseste
e logo então mais de mil flores desabrocharam

e assim se fez o dia em que nascemos
e assim se faz no dia a caminhada
e eu sinto ao longe o grito de um poema
contra os medos de tormenta ou vento agreste
ao sentir-te junto a mim nesta jornada

e o dia renasceu

porque apenas
era um dia como o de hoje
e tu vieste.

publicado por OrCa • às 11:07 PM • categoria: poesiaconta aqui a tua estória (4) •

:: Sábado, Abril 01, 2006

reminiscência

John Mallord William Turner
(1775-1851)

perdida numa tela de Turner
a memória toda de existir
perdida em lugares profundos
entre pedras frias e túmulos
cobertos de água e fascínio

mergulhar na cor no traço puro
ser a textura da tinta ser o poema
ser o risco permaturo no olhar
que pinta a tonalidade única do
momento

sentir o aroma das romanescas
manhãs de amores - no arco
imperfeito da existência
uma rosa ardente
e uma vaga impressão de flores

publicado por deSaraComAmor • às 09:44 PM • categoria: poesia



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