poemas de trazer por casa e outras estórias (III)

:: Quinta-feira, Março 30, 2006

Gramática

Gramática do olhar

Descerro os olhos
E descubro os teus pousados no meu rosto.
Sou apenas tela…

Pressinto-te.
Agora é o brilho dourado buscando o verde
Ardendo-me na face…

Rubor evanescente.
Sem mais nada. O ocre da viagem e o sal
E o gesto breve…

Imperecível.
Suspendes agora a cor. Luzem as pálpebras
E a lágrima…

Bebo-te num beijo…

publicado por Romeiro • às 02:22 PM • categoria: poesiaconta aqui a tua estória (6) •

:: Domingo, Março 19, 2006

da arte poética

a rima no alfobre onde se arruma
a quadra mera estrofe ou um soneto
se arrimada a ritmo doce em sumaúma
da palavra silabada qual ornato
não tem tempo nem lugar e cada uma
criará outro alimento ao entreacto
onde até o mar azul se faz de espuma
onde até o céu de anil é de outro trato
dando corpo e alento vário à ideia bruta
num afago que afeiçoa a alma à outra.

publicado por OrCa • às 11:14 AM • categoria: poesiaconta aqui a tua estória (7) •

:: Sexta-feira, Março 17, 2006

Declinar do tempo sobre a hora..

Sobre o invisível leito das horas
Gastas de memória e de chuva
A eterna marca d´água indelével
E a terra desbravada… fruto ainda.

São estes sulcos veias e o sangue
É líquen em espasmos no caule
Da flor que ainda colhe os raios
No dobrar das folhas e da cor…

Evanescente desejo de caminhos
Sob os pés da viagem. Inesperados
Gomos que os lábios sorvem
Em sede de beijos reclamados ...

Assim, amor, esta ternura. Amoras
No gosto puro de manhãs claras
Que não sendo, são nossas. Tempo
Avaro. Declinar do tempo sob a hora…

publicado por Romeiro • às 03:23 PM • categoria: poesiaconta aqui a tua estória (7) •

:: Quinta-feira, Março 09, 2006

Libertação


Meu belo cisne
preso nas flores do meu peito
meu príncipe imperfeito
perdido nas rotas da vida
Meu cisne branco de luz
o meu corpo é um lago azul
minhas coxas estas algas
meus seios rosas ardentes
minha concha barca imensa
no desejo azul de ti.
Meu belo cisne encantado
obras de feiticeira insana
este branco encantamento
só beijo igual quebrará
e em homem te transforma

Vi as estrelas dos teus olhos
teu sorriso e esses vincos
que a vida riscou em ti
Vi tuas penas teu gesto
e a fuga em redor de mim
Meu amor assim te quero
nas manhãs de fresca alba
caminhando no deserto
marcado de pó e sal
caindo no meu regaço
teus olhos enfim sorrindo
meu pobre cisne cansado…
Cantarás dentro de mim
como canta à noite o vento
a asa tensa em meu corpo
em um sustenido lento
o canto final enfim se ouve
despimos a alma de pássaros
como quem nasce de novo
amantes em corpos estranhos
presos de versos eternos

nas ondas do infinito
abraçados mergulhamos…

publicado por deSaraComAmor • às 10:38 PM • categoria: poesia



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