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palavra's escrita's ou pintada's |
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à luz de uma vela |
[em mim] ''olhos do tamanho do mundo | percorrem as leves linhas | em que se tecem sonhos | ora tristes ora risonhos | de esperanças minhas | que retenho no fundo [em mim]'' © ridufa |
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a outra face do espelho |
[divagação] ''vem | e aquieta no meu peito | tanta agitação. | repousa em mim | os teus tormentos | saudades, desalentos, | que em ti derramarei | compreensão. | depois verás amor | se a comunhão do espírito | é ou não | no mar da vida | tábua de salvação. | descansa pois querido | longe ou perto | estou sempre contigo. | nunca as milhas nos afastarão, | nem o mar | ou outros continentes, | outras terras, outras gentes | nos impedirão de amar | ou na lealdade | ser descrentes.'' © stillforty |
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a vida é larga ! |
[documento] ''nessa platónica lógica com a vida | teu adiado sonho roxo mais crescido | corres mutante aflito em vôo largo | apetecido o excesso todo adormecido | vês depois de fortes as amarras mal roídas | serem partes de um casulo maior em chamas | entre cortinas de grito e largos passos | entre saltos no ar batido do poema | entre veneno e veneno e pó moído.'' © jorge |
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baby lónia |
[carne, rio e alvorada] ''como a carne deste poema | - misto de sangue e nervos, | paixão e devoção, | rio e nascente – | os hinos gritam ternura | rompem as silhuetas cruzadas | de fumo e álcool, pão quente. | em corpo faminto | vinho novo, boca ardente. | na esquina aflita de betão e aço, | como pedinte extasiado, | bebo-te e como-te. | oca de amor | transbordo calor. | aquece-te e queima-te no meu regaço. | não trago nada nas mãos; | apenas elas. | vou tocar-te.'' © relouMJ |
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blue shell |
[o salto] ''do alto do planalto dei um salto | no frio do Vazio | e mergulhei nas águas quentes desse rio! | esse rio, teu corpo, me acolheu, | me aconchegou, me amou, me recebeu | toda inteira, sem nada perguntar. | me recebeste e eu me entreguei ! | me amaste e eu te amei... | somente assim | princípio e fim | calor em mim | certeza em mim... | me encontrei !'' © BlueShell |
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catedral |
© ognid |
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contos de vênus |
[fênix] ''tudo está escuro | de repente, | alma em desalinho | silêncio | quarto mudo | paredes com telas | abstratas | habitam o meu quarto | dúvidas, anseios | desejos, medos | sonhos | cruzam-se silenciosamente | e se interrogam | a procura de mim | que flutua em busca do meu | eu | com cuidado segui, | mas caí sem perceber, | no mesmo precipício | volto dilacerada, | mas renasço | sou fênix | rainha...'' © vênus |
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cumplicidades |
''há palavras que nos beijam, como se tivessem boca. palavras de amor, de esperança. de imenso amor, de esperança louca...'' © maria branco |
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desfolhada |
[atraso] "aqui | espero-te ansiosa | em horas (in)certas | sou ondas soltas | de inquietação | a cada minuto que passa | em cada ruído | escuto os teus passos | apressados | assobio canções de outrora | mas o silêncio impera | tento descansar | neste mar imaginado | de papoilas vermelhas | e sonho com um acordar | de malmequeres amarelos | é urgente (o) amor!'' © betty |
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do mal o menos |
[à minha ordem] ''toca-me! | descobre-me! | com o teu gesto. | percorre-me! todos os recantos, | mesmo os que não te lembres. | (especialmente esses!) | brinca! | com o que encontras. | empenha-te! | em mim. | dá-me! | o que esperas receber. | goza! | com o meu gozo. | não hesites! | domina!!!'' © trintapermanente |
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eternamentemenina |
[deixe o amor vencer] ''todas as pessoas são pássaros livres | o segredo é não se deixar prender | voar rasteiro por sobre as estrelas | é a melhor forma de se viver. | cantar para aquele que quer ouvir | contar para aquele que quer saber | a sensação de estar liberto | a melhor forma de ter prazer. | e quando encontra a pessoa amada | não sabe o que há-de dizer | rir, chorar e descobrir a custo | a melhor forma de se querer. | e se a tristeza lhe bate á porta | muito há a fazer, | limpe as lágrimas, abra o seu coração | e deixe o amor vencer...'' © menina_marota |
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fragmentos da lua |
[...] ''...'' © meialua |
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in the arms of an angel |
[desejos I] ''esta noite morri muitas vezes, à espera | que tu viesses | num sonho [quiça] | espero apenas uma palavra | um sussuro na mente | uma brisa na alma | um azul na parede? | pedaços de ti que escorrem no meu corpo | banho-me em sangue | no sangue que se dirige ao teu coração | um sussurro? | um suspiro? | um gemido? | bebe-me | usa-me | mas diz que me amas | desejo formulado e incompreendido'' © persephone |
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jardim de poesia |
[dor] ''a dor contida | já não suporta | o silêncio... | quer dar espaço à vida. | pede passagem | quer liberdade. | a dor explode | em versos de rimas incertas | onde meu pranto | encontra acalanto.'' © andréa motta |
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lady butterfly |
[jarros...] ''... podia construir contigo um jogo de aparados golpes macios... ser-te atenta... reagir a instintos de instante a cada toque da tua língua... responder-te da única forma que sei: disparada no pico extremo dos efeitos que me atiças. desalmada e com o cérebro esquecido no tapete, aos pés da cama. podia jogar contigo desafios de causa e efeito. alucinar em parceria do outro lado da mesa onde sempre se sentam cumplicidades. podia engendrar contigo um código matreiro. dar-te coisas. querer coisas. podia!... mas, entretanto, tu estendes corpos em paralelo e eu deixo a canção avançar-nos. como se fossem os três dedos de voz com que me entras. agora. junto à música. por instinto. esquecido o cérebro. no desalmado instante em que alucinamos já: eu, tu e os jarros...'' © Sónia P. |
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letras ao acaso |
[pinto de negro.] ... ''a noite começa a perder o seu tom crepuscular e transforma-se em noite/dia com os primeiros ruídos da cidade embrutecida que acorda lentamente. Além um corpo rijo entre cartões. Não acordou [e eu penso tanto melhor, já que ganhou a dignidade que não teve em vida] enquanto um ou outro procura algures um miserável pão para enganar estômago e fome, apanhando uma beata do chão deitado fora por um alguém que terminou o seu período de sono tranquilo num colchão e abrigado de intempéries.'' ... © LetrasAoAcaso |
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manifesto |
''me manifesto, funesta poesia | nesta ria que não sossega | ora alegre ora doentia | ora ébria ora sóbria. | o que eu quero é nascer outro dia | escrever manifesto | a cada trago de ar que se respira | pondo aqui a poesia em dia | que ninguém me tira, | ninguém me tira.'' © Carlos |
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moon night |
[aos poucos...] ''vou enlouquecendo aos poucos, | nas palavras que, | me embriagam os sentidos... | vou enlouquecendo aos poucos, | nos limites indefinidos... | vou enlouquecendo aos poucos, | em incertezas tão concretas... | vou enlouquecendo aos poucos, | por entre pensamentos dispersos... | vou enlouquecendo aos poucos, | por entre o frio que me persegue, | e que por vezes, quase me leva... | tomara eu estar febril, | e tudo não fosse mais, | que um simples delírio... | e já nem sei, | se chore ou se me rio...'' © aran_aran |
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mulher dos 50 aos 60 |
[só eu sei meu sonho] ''não estar aqui | SÓ | não ser assim | EU | ser sem sentir | SEI | ter um viver | MEU | voar em pleno | SONHO'' © lique |
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o abismo negro de sonhos esquecidos |
[novamente só] ''esqueci-me do mundo, da vida. os dias passam a correr a os momentos esvaiem-se pelas minhas mãos. aguarro o nada. abraço a sombra de um raio de luz. não consigo nascer. não consigo ver. novamente só.'' © void |
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outra de mim |
[meu poema] ''rasgo-te meu poema | oração por mim rezada | que por Deus não foi escutada | por ser fraqueza ou pecado | rasgo-te, rasgando o próprio céu | de castelã encerrada | no castelo das palavras | com que mentido falavas | rasgo-te, rasgando o coração | porque o sonho só tem razão | quando a própria ilusão | tem uma réstea de saudade | rasgo-te vida da minha vida | por temer ficar vencida | se me falasses verdade.'' © myryan |
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poemas de trazer por casa e outras estórias |
[horas dóceis] ''enquanto te espero | neste tule de desejo | sou noiva à porta da igreja | sem grinalda nem pureza | tu caminhas pelo meu corpo | com a sede do deserto... | e as minhas pernas serenas | embarcam no pulsar das estrelas | eros virá nos teus dedos | a noite vibra entre os seios | a lua tange, eu sou piano | toco-me no vértice do espelho | a lua geme ao ver o arqueiro | a flecha parte certeira | horas dóceis na romanza | dos teus dedos sementeiras | e a noite brilha em solfejos | porque enquanto não vieres | fica só uma cratera acesa | para a adaga do teu beijo'' © LibeLua |
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*_portaberta_* |
[negra (des)carga] ''chovia. um temporal abatera-se sobre a cidade, de sombras vestida. chovia torrencialmente. debaixo de um toldo ele se pusera, à espera. mas o tempo passava; e o tempo mantinha-se... e ele também. ali, imóvel, debaixo do seu pequeno abrigo, que no fundo não era seu e tão pouco o impedia de se encharcar em pensamentos tempestuosos. por isso, ao sentir que o seu olhar sucumbira ao contágio da chuva, respirou fundo e correu até casa. tentando esquecer a rua e desejando fortemente: - ''amanhã o tempo vai mudar!'''' © 100chave |
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repensando |
[momento] ''sufoco de sentires diversos | saudade perpassa como um rio de lava | nada mais que pressão no peito | de rir a vontade está recostada de dormir | uma lágrima pede que me deixe assossegar | digo-lhe que se aquiete | que se desfaça de companhia | em torrente | de vez, me acalme esta saudosa alma | de vez, por um dia ao menos, | esta tristeza se alonge | (o ar paira de uma humidade que não se dá em chuva!)'' © seila |
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república dos pêssegos |
[esquina (ponte)] ''(...) era o método, talvez, talvez fosse o medo afinal que o levasse a fazer aquele tipo de coisas, até porque não eram coisas banais do dia a dia, eram mais que isso, eram afazeres, afazeres normalissímos que o mais comum dos mortais faz, ora agora, ora mais logo, mas ali parecia metódico, não havia desvios das suas tarefas diárias o que tornava um ser enfadonho, sem vontade própria, sem ponta de auto-estima. num daqueles dias, mais um que passava de uma série de dias infindáveis, revoltou-se com ele próprio, chutou contra qualquer coisa que estava pelo chão escorregou, caiu, bateu com a cabeça na esquina de qualquer coisa. Nada melhor que uma esquina para se parar, encostar e ver os vários ângulos do que por ali se passa, a visão periférica torna-se mais aconchegante, mais certa, mais verdadeira, mais qualquer coisa, ou seja menos rectilínea.
(...)'' © carlos barros |
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rua central |
''sentimentos, desejava nunca os deixar partirem. | mas, prendê-los? como que de criminosos se tratassem, | ou invadirem-se para fora de mim. assim, mesmo sem saírem. | é como que, seres estranhos não controlados me habitassem. | deixei a chuva cair miudinha nos meus sentimentos...'' © observador |
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silêncios em cores de aguarela |
[dor] ''os silêncios gritam-me, soluçam as lágrimas que se perdem na memória. não há música, nem cor, há um dia sem caminho, sem percurso, vazio. a memória foge, redesenha-se dentro de uma caixa, sem nome, sem mistério. dorme. não há dor maior do que aquela que se solta num grito sem som nem lágrima. é a dor do não existir…'' © almaro |
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simplesmente palavras |
''PECADO que me fazes cometer | DESEJO que nos faz enlouquecer | e AMOR que me faz querer | para SEMPRE aqui te TER'' © CaMiLiNhA |
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tabacaria |
[...] ''...'' © elvira |
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webclub |
[olhos] ''que olhos são esses | cheios de tristeza? | chove lá fora | não podes sair para brincar. | não vês os pássaros, | os cães, os gatos. | esse olhar é lindo | pensas no que estás a perder. | mas amanhã | ouvi dizer | que está sol. | aí já podes | sair para a rua.'' © wind |