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[ Segunda-feira, Setembro 15, 2008 ]

mas partiste novamente

© ricardo biquinha, setembro 2008
fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha

      11

o movimento de tua mão, aceno. já o espero. e partiste novamente.

      15

visto-me de alento. tentando retemperar-me de forças debaixo destes lençóis. sem mais o faço, sem mostrar desejo, mercenário. e estou noutra cama. e meu desejo é tal, delicado e cego, de forma tão viva que é como se estivesses mesmo ali deitada. mas não és. e não estás. nunca estás.
. . .
os sinais previsíveis do tempo são sempre visíveis em alento, e esforço.

caminho sem destino. tento. alento.

      19

sento-me agora no sofá, olhando o telefone que não toca.
. . .
puxei de um cigarro, preparei um copo de rum, escolhi um disco que rapidamente cravei no prato e abri um livro. não era a nossa música. nem o livro era a nossa história.

      22

engoli o que sobrava do rum, rapidamente. fiz ensaio para limpar a alma. fechei os olhos na tentativa de resistir. quase a explodir, serrei os dentes com força para que não o sentisse. emulação.

      31

é altura de mudar o sentido e a forma.

      40

fragilidades e lapsos maiores

entendo de momento e, assim o reconheço, em resultado de programas ajustados, aqueles onde iremos (ou onde fomos) corromper a única ligação com o mundo real, no sentido técnico do termo, sobretudo quando, sem sermos amigáveis, em tipologias e programas, somos ajustados em estratégias, e ficamos prejudicados em (ou) merecimento. apenas se finge.


vou dizendo aquilo que me vai na alma. determinar distâncias e desníveis, a distância incumbida da vida que não me deixa recurso, e tenta demover-me. estou, pois, neste intento, integrado ou assimilado, mais que adaptado, mais que de mira, assassino, e que qualquer indício, nada mais, taco a taco, com instrumento usado, em determinação, acredito. apenas o finjo.


somos todos (uns) animais exóticos. estranhos. somos lapsos maiores em medidas mais que genéticas, enganos. somos fragilidades, nada fáceis, animais de exposição pública, normalmente dóceis monstros, desígnios finais; singulares formas de moldes, programados no (em) tempo. somos todos um só ser ou a uma só pessoa, únicos. bons ou maus, exóticos. apenas fingimos ser.

apenas se fingem.

      43

mas partiste novamente.

( © ricardo biquinha, in “um quase nada” )

à escuta: | the morning stares - going home the morning stares - going home |

• publicado por um.quase.nada em 15/09 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (0)


[ Segunda-feira, Setembro 03, 2007 ]

a minha porta. a nossa porta.

© ricardo biquinha, setembro 2007
fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha

( onde estás martinha? )

      27

e dor; alegria e tristeza; vou expô-las com precisão e método - lei

        enunciando-as de uma maneira precisa, vou escrevendo em traço
        e rabisco-as, direitas para que as percebas sempre; nuas
        as escrevo e tento certas; palavra verta, versada em matemática
        e no fim, em fios esguios simplesmente assino em redonda forma

      28

        a minha casa nunca mais fora igual.
        a nossa casa.

        a minha porta. a nossa porta.

        quando a olhava de frente, agora sem ti, ou entrava por ela, ou a olhava fixamente, e pálido como ela, e polido também, percebia o que era o medo a sério. o medo da solidão, o medo de com ela me envolver. todos os dias. sentia uma fria agulha no braço. um gelo. o frio dessa porta, ou do que estava para lá dela. mas lá entrava, sempre. nesse vazio e velho apartamento, a cair aos bocados, em segredo alugado. era um prédio antigo, mesmo no centro cidade. era sempre um doloroso teste diário, rodar a maçaneta da porta, abrir a chaga. entrar, e não te encontrar.
        e o elevador nunca trabalhava.
        morava no 4º andar, o último andar, direito, assim o quis, onde acabavam as escadas, longas e agora intermináveis. e o elevador nunca lá chegava, nunca trabalhava, pelo menos quando mais precisava dele. agora já velho, de ranger antigo, não queria. nem se mexia.
        em frente da minha porta, morava uma igual. a porta do 4º esquerdo. habitado por uma figura sinistra, que fugia de abri-la. talvez o tenha visto duas ou três vezes, bem lá no interior. sinistro. bem lá dentro. diziam-no louco, e velho, e que tinha sido oficial combatente do ultramar. mas louco agora. ou sempre o fora. ou lá na guerra se fizera. e só. sem companhia, isoladamente e sem auxílio de outrem.
        eu via-me nele. via-nos a todos, nele.
        era um andar só, o meu e o dele. duas portas iguais. dois rostos iguais. onde morávamos os dois iguais. iguais na solidão. ele só, sem família, dizia-se. e agora, sem aquela que o acompanhara sempre além-mar, sua companheira e mulher. que morrera de doença sem cura. dizia-se.

      29

e a minha partira também.
partira sem doença, é certo.
        e o elevador, doente, que nunca trabalhava. sem ti não mais trabalhou.
e eu cá fiquei, doente.
sem ti.
sem o teu auxílio.
e agora que aos bocados caía. e nele tinha que entrar. sem ti.
e agora?

( © ricardo biquinha, in “um quase nada” - m,30 (27 a 29) )

à escuta: | ghetto pony - the delay ghetto pony - the delay | ghetto pony - there was an accident ghetto pony - there was an accident |

• publicado por um.quase.nada em 03/09 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (5)


[ Segunda-feira, Junho 11, 2007 ]

nunca estás. estás?

© ricardo biquinha, junho 2007
fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha

        . . .

        mesmo assim

        puxei de um cigarro, preparei um copo de rum, escolhi um disco que rapidamente cravei no prato e abri um livro. não era a nossa música. nem o livro era a nossa história. e ali fiquei com quase todos os sentidos em alerta.
lendo, ouvindo, saboreando,
sentindo.
        só faltou o teu odor.
        e que dor. não te ter. aqui em fragrância.

tive uma vontade súbita de te dar um beijo.

      20

        umas mais que outras, mas as nossas existências são sempre penosas. e os sofrimentos presentes, quase sempre.
        estou farto. de percorrer este caminho sozinho.
        tantos meios, tanta modernidade, tantos anos de vida e esperança, e tanta solidão ampliada que nas nossas faces alcança. estado de quem está só, e estamos todos nela. solidão.


        habito na solidão
        entre paredes silenciosas.
        as horas passam…
        choro o tempo perdido.
        ideias apodrecidas abundam
        no meu coração.
        habito na escuridão
        entre algo posto de parte.
        habito na recordação
        entre lembranças paradas.
        habito no nada
        entre recordações findadas.

---

        haviam passado cerca de três semanas desde o ultimo encontro. e o telefone não se fazia tocar, sempre mudo. sempre na dúvida se estaria avariado de tantos tombos. sempre a olha-lo na esperança que tocasse. mas nunca tocou. não tocara até então.

        não é da solidão de estar só que vos falo. essa nunca a sinto. não lhe senti ainda o gosto. lá chegarei. não é da solidão das tensões e frustrações perante as quais nos encontramos sozinhos ou indefesos. nem da falta de critérios morais, apoio emocional ou bons exemplos. ou da falta da família que nunca está ou nunca esteve. é da solidão de não estar (estares) presente que escrevo, aquela que sinto quando te aperto e não estás. nunca estás.

nunca to disse,
amar-te é completar(-me) mas também o meu desintegrar(-me).

sinto-te em mim presente, mas também sinto que não estás.
nunca estás. estás?

( © ricardo biquinha, in “um quase nada” - m,1/2(19) e 20 )

à escuta: | sweeder - bells lament sweeder - bells lament | sterling - untitled sterling - untitled |

• publicado por um.quase.nada em 11/06 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (2)


[ Sábado, Fevereiro 03, 2007 ]

com alma dentro

© ricardo biquinha, fevereiro 2007
fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha

com um depurado sentido de leveza, em movimentos tranquilos que nos adoçam a boca com alma dentro e pintadas a têmpera, estas palavras de água corrente calma que nos matam a sede, (“nos” convém parar e aprecia-las; vê-las de fora) de tão natural mergulham que nos inebria o ser e planam a alma.

. . .

( heterónimo de © biquinha )

à escuta | ( grounded plane - silently rebellious ) grounded plane - silently rebellious |

• publicado por um.quase.nada em 03/02 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (1)


[ Sábado, Janeiro 27, 2007 ]

engoli o que sobrava do rum..

© ricardo biquinha, janeiro 2007
fotos de © filipa biquinha e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha

      22

        engoli o que sobrava do rum, rapidamente. fiz ensaio para limpar a alma. fechei os olhos na tentativa de resistir. quase a explodir, serrei os dentes com força para que não o sentisse. emulação.
        ciúme.
        procurei, (em vão) a palavra ciúme, esse feio zelo amoroso, mas não a encontrei. pensei em forma de questão no porquê, que causa, razão ou o motivo da sua falta. nas minhas folhas rasgadas, com nódoas e queimadas do tempo, procurei-o (em vão) até compreender que tanta dor dele vem (ciúme), que nem forças tive de o escrever.

        usufrui de largas dores quem em seu jardim deixar entrar ciúme. murcham suas flores.

      23

        escrevo, mas não falo só de mim. nem baralho a ordem das coisas. falo de todos nós. desordenadamente. sem método. escrevo-nos a nós. escrevo o que nos sai da cabeça. escrevo-te. finjo ou simulo o corpo. e da tua alma também escrevo verdade. detalhes de almas felizes e tristes, quietas ou irritadas. e muitas vezes, a maior parte delas, nada é ordenado mas sim um perfeito caos. quase tudo num quase nada. como uma pintura abstracta. onde tudo ou nada se vai encaixando desordenadamente até criar uma ordem. só por nós entendida. desentendida.
       prometi que não nós poupávamos de nada. e assim farei, na nossa falsa ou verdadeira hipocrisia. irei manifestar-me de virtudes ou sentimentos que realmente não temos. ou temos?

      24

nas nossas palavras (nos) tentamos mostrar ou esconder, dizer verdades ou mentiras, mas de facto, (é que sempre) nos descrevemos em falsas verdades.

e quem estiver imune que me dê a cura.

      25

        o que mais me assusta ou intimida e me encanta também neste ensaios, é a minha incapacidade como personagem e autor de me expressar, ou fazer-me entender. o meu eterno problema de comunicação e solidão. torno assim as palavras em verdadeiros obstáculos, onde nos iremos todos isolar ou ultrapassar. mas iremos juntos. coragem. ainda nem comecei.
        a medo vou tentando.
        a medo.
        pé ante pé.

( © ricardo biquinha, in “um quase nada” - m,30 - 22, 23, 24 e 25)

à escuta: | the swords project the swords project - the new assassin | thee shallows thee shallows - ballad of douglas chin | movimento 560 movimento 560

• publicado por um.quase.nada em 27/01 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (2)


[ Quinta-feira, Novembro 09, 2006 ]

m, 32 - .41 e .42

© ricardo biquinha, outubro 2006
fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha

      41

        ás vezes no silêncio da noite penso em ti. na tua doce silhueta onde sempre me encontro e gosto e onde (como) dono lhe percorro e em carinhos e planos e enganos mereço. o silêncio da noite.

        onde estás agora?

        em tudo o que me disseste
        nas tuas carícias
        envelheço
        fecundo
        agora?

      42

        abruptamente, achei-me frio e molhado, quente também, e enrolado de braços e pernas, com martinha deitado, na cama abraçados. talvez tivesse perdido os sentidos por um momento. não o sei. senti-lhe arrepios e soluços, os dentes tremiam-lhe e as lágrimas corriam-lhe na face, por momentos tremi também, chorei também. não dissemos muitas palavras, nunca dizemos, murmuramos gemidos, talvez. nunca a estimara tão perfumadamente como naquele momento. nunca a amara tanto como naquele dia, embora as palavras nunca tivessem sido ditas. - não fazia diferença. não as dizemos sempre, pois não? e para quê palavras se temos outros sentidos mais apurados ou verdadeiros. parecia que era tudo irreal. fazíamos amor. estávamos no fim. no inicio da sua partida. no fim deste ultimo reencontro.

        a sua face tornara-se ao mesmo tempo grande e serena. inclinada sobre mim. o seu rosto parecia enorme, possuindo por uma espécie de força que me afundava na cama.

- estás a pensar sorrindo?
- sim – disse-lhe.
        martinha sorriu ligeiramente.
- em quê?

        a sua voz tornara-se mais meiga e sonhadora e era patente no seu rosto, talvez o reflexo do meu.

- estava a sonhar que não partias, que ficavas aqui comigo, perto, juntos.
        tentei de novo:
- sonhava que não partias novamente.

      43

mas partiste novamente.

( © ricardo biquinha, in “um quase nada” )

à escuta: | low skies - levelling | ( low skies - levelling ) | ou | ( graig markel - winter never… ) | graig markel - winter never saw better light |

• publicado por um.quase.nada em 09/11 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (1)


[ Quinta-feira, Outubro 12, 2006 ]

teu texto o bravo como “valoroso”

© ricardo biquinha, outubro 2006
fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha

*comentário a um texto teu:

teu texto o bravo //como “valoroso”//

// não te vou falar em concerto //sem adornos, enfeites, atavios// simplesmente me.louco.de.canto. //

“. . . talvez te peça //sem teia de pano// em concordância e eloquência// um pouco mais de céu. e intento //eleva-se em palavras// te rogo// um não muito mais firmamento. quiçá os pés no céu. e envolver-te no cheiro da terra //sem orbita de sol; sem escala// no vento, no som //da água// no sabor de pele e língua. promontório //sem articulação do sacro// em missiva te mendigo um muito mais alto e degraus. e canto //com voz// alvo e mira// com rima// palavra e solo sobre que se anda; palco, verbo e poema. talvez.to peça cantado. e céu. . . .”

excerto de* ( heterónimo de © biquinha )

à escuta | man or astro-man? - curious constructs | ( man or astro-man? - curious constructs ) |

• publicado por um.quase.nada em 12/10 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (2)


[ Quinta-feira, Outubro 05, 2006 ]

realistadas palavras. em vapor.

© ricardo biquinha, outubro 2006
fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha

*(arroladas e secas, trilhadas de ferro.

é sempre um bom prenúncio. o silvo. e seu eflúvio.

que aqui ensopo o repouso parco. daqui também despeito.

vejo as linhas e as casas amareladas de calor e suor. ureia. e nesta penumbra noite seca de areia e polvilho de silêncio e miséria. é nessa. nesta estação. que quase se escutam os ferros que escolho. ouvem-se os cheiros. ruídos. e os fluidos subtis que emanam. entre linhas e destinos num amarelecer quase sem âncora ou protecção. o tempo aqui também descansa de calor e do sabor dos trilhos. mal escolhidos. mal pregados ou gastos. e condição. para se livrarem da usura. na tranquilidade inocente do seu encanto. já carregados e amolecidos. aqui se fizeram ilusões. cálculos e previsões. e é aqui que se destinam adornados e entorpecidos sonhos. partidas e chegadas. conclusões e revoluções. para longe que alcança o valor. e vejo. que aqui também nascem heróis e ou morrem cobardes. e eu. abanando a cabeça. em sinal de duvida. dizendo entre realistadas palavras:

- a dignidade ... a dignidade ...  eu já não sei o que seja. mas obriga-me.

oscilando a vista inexcedível até onde ela não cansa. não muito longe. vejo.

paro no meio da linha. espero. se fico ou se parto.

preparo também o meu destino.)

*texto sem revisão.

( heterónimo de © biquinha )

à escuta | made for tv movie - portable | ( made for tv movie - portable ) |

• publicado por um.quase.nada em 05/10 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (5)


[ Quinta-feira, Agosto 24, 2006 ]

adornadas ilusões

© ricardo biquinha, agosto 2006
fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha

sem revisão

textos esquecidos ou abandonados. ou simplesmente não queridos. desprezados.

(eis a prova.

ouve-se o silêncio. em qualquer outro lugar. certo. onde se empilha a mestria da inacção. será tudo calmo e até o mar. ficção. se dispunha às vezes saber bem. até no meu deambular. e acordar tarde. e sentir que o tempo descansa também. «o difícil será mesmo acordar». pouco a pouco não tardam os fumos sérios. os recantos mais fortes. onde na boca as lágrimas guardam. acordam. mas. caso seja este acordar parco. a gosto o cubro ou ensopo de tinta. e repouso. em baixo. na tranquilidade inocente do teu encanto.

* como pintor. compositor. ou escritor talvez.
numa mistura tão íntima que nem consigo compreender.

distante o mar. ferido. também querido.
ainda me lembro de sonha-lo dissipado.
digo que sim. com um sorriso. mas sei dos tormentos. atento. num ápice.
a vontade.

quase se escutam as palavras que escolho oscilando-as entre azul-escuro e montes claros e planícies amareladas. em secas palavras. escrevo o som. o ritual das minhas mãos na tua face. vista inexcedível até onde o olhar alcança. ás vezes é difícil explicar como se criam os sonhos. o olhar perde-se. depois. pelas muitas vezes adornadas ilusões. depois a meio da noite. no entorpecimento do sono. decoram-se de cores alegres. criação sublime. teu rosto. teu corpo. meu sonho. julgo que quase retenho a passagem do tempo esquecido em teu embalo.

vidas encantadas.
onde as velas bruxuleiam.
recantos e amores felizes.

uma vida inteira. a duvida. a falta. a ilusão de ter. e não ter.

devem ser poucos os sonhos que não tenha vivido*. trajado de ferrugem. ou outro estado de habito e vício. em forma de corrente. e num grande numero de motivos. por fim volvi. dirijo-me para o “acordar”. sem deixar de me apresentar. engano. não o fiz. e já que estava ali tão perto..

de que perdi o uso da razão. louco. demente.)

( heterónimo de © biquinha )

à escuta | she stole my precious - reflection of the white lie | ( she stole my precious - reflection of the white lie ) |

• publicado por um.quase.nada em 24/08 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (2)


[ Quinta-feira, Agosto 10, 2006 ]

à mistura e saudade

© ricardo biquinha, agosto 2006
fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha

      30

      recortes (à mistura) neurosis - to crawl under ones skin

      comecei por tentar escrever uma frase da qual tinha duas e por fim acabo por falar de mim, acabamos por falar sempre em nós próprios, de nos olharmos sempre no mesmo espelho, como somos centro e tormento meu deus. tento enrolar as palavras marginais em caminhos de esforço, chegar a conclusões simples, tento mas não consigo. falo-vos e apresento um lugar de verdade em linhas de mentira em que se fundem em círculos e se expõem ou exponho em resumo, eu. divago sempre em frases impróprias, talvez em revolta e volta, longe de fascínios e vontade própria, divago sempre em sonhos imaculados entre anjos e diabos. desperto soluções pacíficas e naturais por vezes, vigilante e que facilmente se realizam sem combates fixos ou crucifixos. terei a mobilidade de sonhar, ajustar sonhos e medo, mas satisfação não prometo. aparentemente surpreendido em inabdicáveis pensamentos, termino sem nunca dizer nada, a eterna conclusão adiada, eu.

      sobre nós dois tv on the radio - dreams

      surpreendias-me com tua presença, fonte de porte em modos aparentemente físicos e em face, com actos e sorrisos, verdadeiros se não escondes. sentia certa e genuína tal aflição, de contornos profundos, dos nossos gestos e carícias. envoltos em lã tecida em agrado e ternura, perdura a fonte, levantam-se agrados, volúpias do sempre e agora. é forte teu chamar em mim, que sólido bate em teu rosto de amar. surpreendias-me com essa delícia, satisfação sensível ou sensual, verdadeira por sinal, protecção de momento de teu alento de medo a perder-me. em salvas de ternura a florescer em nós unidos e sós como as cordas de um navio atadas em nós, torcidos um no outro, em excitação máxima, o nosso amor envolto de dor e calor, em ambos de espírito e calma, em final de silêncio findou. surpreendias-me com esta ternura, fonte de sorte em modos aparentemente carnais e em verdade, com actos e afagos, verdadeiros se não finais. surpreendias-me com cuidado e amor. surpreendes-me ainda. surpreendes?

      ter-te presente (saudade) papa m - so warped

      a imagem que tinha (sonho) de que te esperava (deitada) envolta e volta de mistério (a ti), recordo com se estivesse a sonhar (agora), era o sentido de tuas palavras e fontes, onde te deitas e deleitas, maresia de minha saudade, era. sonho que voltaste, e agora (talvez pergunta), em grande, meu corpo junto ao teu (sentido platónico) nas saudades rasgadas e partilhadas, e agora, em grande, que fazemos das nossas carícias, durar, amor, perdura… perdura… até a saudade passar. voltas sempre que te sonho. e sonho.

e o elevador que nunca mais trabalhara; e o telefone que nunca mais tocara.
e ela que não mais está. - e agora?

estou farto. de percorrer este caminho sozinho.

( © ricardo biquinha, in “um quase nada” )

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• publicado por um.quase.nada em 10/08 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (3)


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