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[ Terça-feira, Novembro 21, 2006 ]
demências e outras colagens (desejo)

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
sem título
5~4 sinto[-me] amarrar, apertar com nó ou laçada em teu desejo, impele, neste nunca desatar e caminho, rodeio, talvez enleio [neste teu] beijar.
6~4 pranto de*[abraçar] palavras pro[feridas], [lamentar], [queridas] neste [silêncio] e dor [sentidas] de [amar] e querer sempre [presente][recordar] desejo
( heterónimo de © biquinha )
a ti |
| ou | outras~demências com título e outras~colagens sem título |
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de[mente] em 21/11 às 00:00 •
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[ Quarta-feira, Novembro 15, 2006 ]
que as palavras se tornem água

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
| observar observa(.se) o todo nunca as partes nem pares nem semelhanças só íntegro (indefinido qualquer completo) | © exactu
destinos em cantos de embalar que nos «levas» em ondas e mar: assumidos, existentes, sem vermelhidão nem dor; «lavas» palavras talhadas a pique e rochedos, recheadas de acenos e cânticos surdos (que cantam e dançam), elas, macias como «luvas»; em corpo de bailarinas, tanto seja, tu e eu, que em silêncio (.me) fazes acompanhar (.te) solitário.
. . .
que as palavras se tornem água
(em teu corpo; em minha boca)
texto de
des(re)organizadas por
à escuta |
| ( sonic youth - schizophrenia )
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de[mente] em 15/11 às 00:00 •
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[ Quinta-feira, Novembro 09, 2006 ]
m, 32 - .41 e .42

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
41
ás vezes no silêncio da noite penso em ti. na tua doce silhueta onde sempre me encontro e gosto e onde (como) dono lhe percorro e em carinhos e planos e enganos mereço. o silêncio da noite.
onde estás agora?
em tudo o que me disseste
nas tuas carícias
envelheço
fecundo
agora?
42
abruptamente, achei-me frio e molhado, quente também, e enrolado de braços e pernas, com martinha deitado, na cama abraçados. talvez tivesse perdido os sentidos por um momento. não o sei. senti-lhe arrepios e soluços, os dentes tremiam-lhe e as lágrimas corriam-lhe na face, por momentos tremi também, chorei também. não dissemos muitas palavras, nunca dizemos, murmuramos gemidos, talvez. nunca a estimara tão perfumadamente como naquele momento. nunca a amara tanto como naquele dia, embora as palavras nunca tivessem sido ditas. - não fazia diferença. não as dizemos sempre, pois não? e para quê palavras se temos outros sentidos mais apurados ou verdadeiros. parecia que era tudo irreal. fazíamos amor. estávamos no fim. no inicio da sua partida. no fim deste ultimo reencontro.
a sua face tornara-se ao mesmo tempo grande e serena. inclinada sobre mim. o seu rosto parecia enorme, possuindo por uma espécie de força que me afundava na cama.
- estás a pensar sorrindo?
- sim – disse-lhe.
martinha sorriu ligeiramente.
- em quê?
a sua voz tornara-se mais meiga e sonhadora e era patente no seu rosto, talvez o reflexo do meu.
- estava a sonhar que não partias, que ficavas aqui comigo, perto, juntos.
tentei de novo:
- sonhava que não partias novamente.
43
mas partiste novamente.
( © ricardo biquinha, in “um quase nada” )
à escuta: |
| ( low skies - levelling ) | ou | ( graig markel - winter never… ) |
|
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um.quase.nada em 09/11 às 00:00 •
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