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[ Quinta-feira, Agosto 24, 2006 ]
adornadas ilusões

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
sem revisão
textos esquecidos ou abandonados. ou simplesmente não queridos. desprezados.
(eis a prova.
ouve-se o silêncio. em qualquer outro lugar. certo. onde se empilha a mestria da inacção. será tudo calmo e até o mar. ficção. se dispunha às vezes saber bem. até no meu deambular. e acordar tarde. e sentir que o tempo descansa também. «o difícil será mesmo acordar». pouco a pouco não tardam os fumos sérios. os recantos mais fortes. onde na boca as lágrimas guardam. acordam. mas. caso seja este acordar parco. a gosto o cubro ou ensopo de tinta. e repouso. em baixo. na tranquilidade inocente do teu encanto.
* como pintor. compositor. ou escritor talvez.
numa mistura tão íntima que nem consigo compreender.
distante o mar. ferido. também querido.
ainda me lembro de sonha-lo dissipado.
digo que sim. com um sorriso. mas sei dos tormentos. atento. num ápice.
a vontade.
quase se escutam as palavras que escolho oscilando-as entre azul-escuro e montes claros e planícies amareladas. em secas palavras. escrevo o som. o ritual das minhas mãos na tua face. vista inexcedível até onde o olhar alcança. ás vezes é difícil explicar como se criam os sonhos. o olhar perde-se. depois. pelas muitas vezes adornadas ilusões. depois a meio da noite. no entorpecimento do sono. decoram-se de cores alegres. criação sublime. teu rosto. teu corpo. meu sonho. julgo que quase retenho a passagem do tempo esquecido em teu embalo.
vidas encantadas.
onde as velas bruxuleiam.
recantos e amores felizes.
uma vida inteira. a duvida. a falta. a ilusão de ter. e não ter.
devem ser poucos os sonhos que não tenha vivido*. trajado de ferrugem. ou outro estado de habito e vício. em forma de corrente. e num grande numero de motivos. por fim volvi. dirijo-me para o “acordar”. sem deixar de me apresentar. engano. não o fiz. e já que estava ali tão perto..
de que perdi o uso da razão. louco. demente.)
( heterónimo de © biquinha )
à escuta |
| ( she stole my precious - reflection of the white lie ) |
• publicado por
um.quase.nada em 24/08 às 00:00 •
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[ Quarta-feira, Agosto 16, 2006 ]
sem título #132.cn

desenho e trabalho sobre desenho de © ricardo biquinha
132.cn
detenho-me em noite escura
naquela que me arranha
a dúvida e fere a lembrança
( heterónimo de © biquinha )
à escuta |
| ( nad navillus - your good side )
• publicado por
corvo negro em 16/08 às 00:00 •
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• interruptor
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[ Quinta-feira, Agosto 10, 2006 ]
à mistura e saudade

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
30
recortes (à mistura)
comecei por tentar escrever uma frase da qual tinha duas e por fim acabo por falar de mim, acabamos por falar sempre em nós próprios, de nos olharmos sempre no mesmo espelho, como somos centro e tormento meu deus. tento enrolar as palavras marginais em caminhos de esforço, chegar a conclusões simples, tento mas não consigo. falo-vos e apresento um lugar de verdade em linhas de mentira em que se fundem em círculos e se expõem ou exponho em resumo, eu. divago sempre em frases impróprias, talvez em revolta e volta, longe de fascínios e vontade própria, divago sempre em sonhos imaculados entre anjos e diabos. desperto soluções pacíficas e naturais por vezes, vigilante e que facilmente se realizam sem combates fixos ou crucifixos. terei a mobilidade de sonhar, ajustar sonhos e medo, mas satisfação não prometo. aparentemente surpreendido em inabdicáveis pensamentos, termino sem nunca dizer nada, a eterna conclusão adiada, eu.
sobre nós dois
surpreendias-me com tua presença, fonte de porte em modos aparentemente físicos e em face, com actos e sorrisos, verdadeiros se não escondes. sentia certa e genuína tal aflição, de contornos profundos, dos nossos gestos e carícias. envoltos em lã tecida em agrado e ternura, perdura a fonte, levantam-se agrados, volúpias do sempre e agora. é forte teu chamar em mim, que sólido bate em teu rosto de amar. surpreendias-me com essa delícia, satisfação sensível ou sensual, verdadeira por sinal, protecção de momento de teu alento de medo a perder-me. em salvas de ternura a florescer em nós unidos e sós como as cordas de um navio atadas em nós, torcidos um no outro, em excitação máxima, o nosso amor envolto de dor e calor, em ambos de espírito e calma, em final de silêncio findou. surpreendias-me com esta ternura, fonte de sorte em modos aparentemente carnais e em verdade, com actos e afagos, verdadeiros se não finais. surpreendias-me com cuidado e amor. surpreendes-me ainda. surpreendes?
ter-te presente (saudade)
a imagem que tinha (sonho) de que te esperava (deitada) envolta e volta de mistério (a ti), recordo com se estivesse a sonhar (agora), era o sentido de tuas palavras e fontes, onde te deitas e deleitas, maresia de minha saudade, era. sonho que voltaste, e agora (talvez pergunta), em grande, meu corpo junto ao teu (sentido platónico) nas saudades rasgadas e partilhadas, e agora, em grande, que fazemos das nossas carícias, durar, amor, perdura… perdura… até a saudade passar. voltas sempre que te sonho. e sonho.
e o elevador que nunca mais trabalhara; e o telefone que nunca mais tocara.
e ela que não mais está. - e agora?
estou farto. de percorrer este caminho sozinho.
( © ricardo biquinha, in “um quase nada” )
à leitura: | outras partes de um quase nada |
| novas perspectivas: |
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• publicado por
um.quase.nada em 10/08 às 00:00 •
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[ Sexta-feira, Agosto 04, 2006 ]
sigo-te de pé raso

foto e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
* dedicado à kat que me faz sempre «despertar»
§ pé ante pé
passo após passo
pretexto;
motivo;
ensejo;
sigo-te
atentamente
de pé raso e amor azo
reverto cor
misturo-te sabor
sigo-te
o passo §
( heterónimo de © biquinha )
à escuta: | ( gravenhurst - the diver )
|
( bart davenport - new cool shoes ) |
• publicado por
in[culto] em 04/08 às 00:00 •
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