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[ Terça-feira, Março 28, 2006 ]
fragmento do medo, nunca o mesmo

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
26
fragmento do medo, nunca o mesmo
baba-se pelas paredes o bafo quente, o tremor da morfina, a vontade, o medo, e pelas vidraças há muito que se arrasta, fervendo, à força, e o coloco, vencido como vencedor, de fora e estranho o torno, no centro da alma o entranho, e cravo e sinto-me atraído e traído pelo seu círculo de pensamentos e circunscrições, dedicado, largo, sem limite, quase com a mesma intensidade da verdade, infiltrando-se no meu universo, e no dos outros também, porque somos todos, todos paralelos, unidos, e nele confiei, dei-o como certo, nos encontramos certos, de costas voltadas, por vezes, mas quando se escarram os muros completamente absorvidos, frios, como se fôssemos certos, e musgo também, e fosse certo assim tanto, e assim me torno impressionista, desassossegado, assim num só e apenas só, e também o enfrento e me torno seu observador, a medo, o pinto nesta tela de palavras na qual me falta a cor.
a cor da dor. dor única, nunca a mesma.
( © ricardo biquinha, in “um quase nada” )
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• publicado por
um.quase.nada em 28/03 às 00:00 •
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Comentar (19) •
[ Quinta-feira, Março 23, 2006 ]
[de]-vaneio

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
[
]
[de]-vaneio
[de] língua em teu corpo e entro
[de] jóias e prazeres e seios teus
[de] sonho e capricho em toques
[de]-lírios em alma carnuda e
[de]-dos em toques e gemidos;
[de] quimeras e despidas em dor
[de] orgasmos e amor [de]-vaneiam
[de] húmido e sonho a [de]-lirar
[de] amor;
[de] amar
( heterónimo de © biquinha )
• publicado por
de[mente] em 23/03 às 00:00 •
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Comentar (3) •
[ Sábado, Março 18, 2006 ]
m, 31

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
40
fragilidades e lapsos maiores
entendo de momento e, assim o reconheço, em resultado de programas ajustados, aqueles onde iremos (ou onde fomos) corromper a única ligação com o mundo real, no sentido técnico do termo, sobretudo quando, sem sermos amigáveis, em tipologias e programas, somos ajustados em estratégias, e ficamos prejudicados em (ou) merecimento. apenas se finge.
vou dizendo aquilo que me vai na alma. determinar distâncias e desníveis, a distância incumbida da vida que não me deixa recurso, e tenta demover-me. estou, pois, neste intento, integrado ou assimilado, mais que adaptado, mais que de mira, assassino, e que qualquer indício, nada mais, taco a taco, com instrumento usado, em determinação, acredito. apenas o finjo.
somos todos (uns) animais exóticos. estranhos. somos lapsos maiores em medidas mais que genéticas, enganos. somos fragilidades, nada fáceis, animais de exposição pública, normalmente dóceis monstros, desígnios finais; singulares formas de moldes, programados no (em) tempo. somos todos um só ser ou a uma só pessoa, únicos. bons ou maus, exóticos. apenas fingimos ser.
apenas se fingem.
( © ricardo biquinha, in “um quase nada” )
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• publicado por
um.quase.nada em 18/03 às 00:00 •
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[ Terça-feira, Março 14, 2006 ]
fragmentos de (tua) fragrância

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
( delícia, suave e leito
gosto íntimo
teu cheiro eleito )
~
em meu olfacto
vou amando
essência
a tua
emanação agradável
gosto íntimo e suave;
voluptuosidade, regalo
em tua suavidade
em teu corpo e odor
ou deleite
teu sabor
aroma, cheiro, perfume
vou cheirando e amando
~
( designado, e preferido
gosto profundo
em teu odor ferido
andando )
( heterónimo de © biquinha )
à escuta: |
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| « o que estou a: ler, ouvir:
|
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, pintar, fotografar »
• publicado por
amo.te.sempre em 14/03 às 00:00 •
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Comentar (10) •
[ Sexta-feira, Março 10, 2006 ]
in* (recortes sem título) #8

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
*( texto escrito
para cada dia ~12~ de março )
#8
cavalgo ( eu ) o tempo
( envelheço )
que ( em ) meu corpo tu escultor
( tempo )
entalhe(s) sinais ( e )
( rugas )
que mereça eu ( sem dor )
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• publicado por
o5elemento em 10/03 às 00:00 •
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[ Domingo, Março 05, 2006 ]
(não são beijos de pardais)

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
beijos de corvo
beijos de corvo
são beijos dolorosos
e em sangue se transformam
são beijos em bico
verdadeiros, de amor
e num bom pacto se formam
beijos de corvo só os são
doridos, feridos em dor
mas seguros, certos e leais
são de amor e sabor
(não são beijos de pardais)
( heterónimo de © biquinha )
« o que estou a: ler, ouvir:
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, pintar, fotografar »
• publicado por
corvo negro em 05/03 às 00:00 •
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