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[ Segunda-feira, Novembro 29, 2004 ]

recortes sobre a vida #1



trabalho sobre fotografia de © biquinha

comecei por tentar escrever uma frase da qual tinha duas e por fim acabo por falar de mim, acabamos por falar sempre em nós próprios de nos olharmos sempre no mesmo espelho, como somos centro e tormento meu deus. tento enrolar as palavras marginais em caminhos de esforço, chegar a conclusões simples, tento mas não consigo. falo-vos e apresento um lugar de verdade em linhas de mentira em que se fundem em círculos e se expõem ou exponho em resumo, eu. divago sempre em frases impróprias, talvez em revolta e volta, longe de fascínios e vontade própria, divago sempre em sonhos imaculados entre anjos e diabos. desperto soluções pacíficas e naturais por vezes, vigilante e que facilmente se realizam sem combates fixos ou crucifixos. terei a mobilidade de sonhar, ajustar sonhos e meto, mas satisfação não prometo. aparentemente surpreendido em inabdicáveis pensamentos, termino sem nunca dizer nada, a eterna conclusão adiada, eu.

( heterónimo de © biquinha )

colagem de: | http://pipetobacco.blogs.sapo.pt | pra’ouvir: | sigur rós - olsen olsen | a visitar: | http://www.olhares.com/biquinha |

• publicado por pipetobacco em 29/11 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (14)


[ Sexta-feira, Novembro 26, 2004 ]

in* (recortes sem título) #1



trabalho sobre fotografia de © biquinha

tua boca gosto de namorar
namorar em tua dor
dor de te amar
manifestada
só em ti amada
nos teus lábios de linda cor


outros recortes sem título: #1;#2;#3;#4;#5;#6;#7;#8

colagem de: | http://o5elemento.blogs.sapo.pt | pra’ouvir: | damien rice - older chests |

• publicado por o5elemento em 26/11 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (26)


[ Terça-feira, Novembro 23, 2004 ]

abraçar [de nunca o ser ou lograr alcançar]



trabalho sobre fotografia de © biquinha

observo[ei], eu, neste [naquele] cobrir-se de folhas em outono luminoso, vivo e brilhante, nesta [naquela] varanda [onde tomei assento], sentado, com o sol que me abrange, [abraçava] e acerca, quente e ardente em graça, alcanço[ei] de vista no horizonte, teu sorriso, triste, infeliz… e caminho[ei] ao longo dele, embriagado, determinado e marcado, tentando vagarosamente percebe-lo. tentei eu, o que se deseja ou empreende, sondar, sentir o seu limite, e alcance. e decidido, resoluto, tentei a sua extinção. enquanto me acomodei nesse [no] sonho desenrolado e expedito, a noite, sem se chamar ou reclamar, chegou, em tempo de gestos a transformar o dia em noite rolando em escuro, parecendo, o teu sorriso, melancólico, sombrio e infeliz que não consegui[a] transformar em dia [alegria]. e noite se fez, e a noite abraçou-me. sem perder tempo, cingiu com os braços, e colheu-me em escuro completo. na noite. observo sempre o céu. não sei porque o faço, triste talvez, por o desconhecer, contente, por o desejar. é aquele silêncio que me faz despertar. e foi nele, guardar silêncio, silêncio marcado, naquela tranquilidade desejada que [te] revi, teu rosto, em lua reflectido ainda sorrindo [apaixonado rosto], e percebi logo tudo o que perdi [e que nunca entendi]. como se tudo fosse ganhando magia, em breve e rápido lance, observo[ei], eu, neste [naquele] veloz, e quase instantâneo abraçar [de nunca o ser ou lograr alcançar] de face nua. inquieto e estranhamente agitado concluído num gesto irreflectido de verdade, alcancei, eu, em grito feroz da varanda para a rua: “eu sou o sol tu és a lua”.

( heterónimo de © biquinha )

pra’ouvir: | sharon allitt - what have i done |

• publicado por temporal em 23/11 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (26)


[ Sexta-feira, Novembro 19, 2004 ]

[d’] escrevendo [o] beijo



trabalho sobre fotografia de © biquinha

definição de beijo: “acto de poisar os lábios nalguma pessoa, ser ou coisa em sinal de amor, afeição ou veneração; ósculo; contacto leve”

[poema a quatro mãos]

de húmido sinto teu beijo
querido enlace forte desejo
corrente de teu abraço, vigor
em prazer de fresco sabor
quente em laço e viço clamor
paladar de te amar e anseio
frescura, em teu abraço, ceio
esse teu som gerador, rumor
em tua de boca leio, amor
© o5elemento

de húmido sinto o teu beijo
esperado enlace a ver a dor
em frescura de águas meu abraço
vigor este em teu prazer
doces águas o sabor de amar
graça teu laço e o viço
água em teus lábios clamor
desses teus rumores gerados
prazer de te beijar querer
na corrente impetuosa dos meus braços
© deSaraComUmBeijo

[poema a outras mãos]

húmido beijo em desejo
de vigor, prazer e sabor
quente no anseio de amar
abraço gerador do amor
© ridufa

[mimo extra]

beijo
sentido, desejado, sofrido
antecipado, proibido, amado
beijo
nas suas múltiplas formas
não seguindo normas amplas
© ridufa

beijo que beija
corpos quentes e bocas de desejo
por um beijo que seja
algo que perdure para lá do que vejo.
beijo que beija
almas presentes e gestos envolventes
por esse beijo que esteja
sempre junto a nós na linha da frente.
o beijo que beija
é nosso e a nós pertence
no ritmo e na humidade que se deseja,
beijo que é beijo nunca mente.
© carlos

de húmido sinto o teu beijo
meu corpo sedento reage em fúria
com gestos agarrados a ti, antevejo:
luta, gritos, e gemidos em luxúria
o teu beijo húmido desejo em mim traça
e a tua boca o meu querer levantar enlaça
gerando a corrente que de encontro à barragem
me mostra o proibido sinal de paragem
nos teus lábios deposito o meu húmido labor
resultado do prazer do teu fresco sabor
© simulador

o beijo inicia
atiça o desejo
enlaça os corpos
no dizer do amor
nas bocas unidas
doação da alma
para lá do instante
© lique

o beijo nunca sabe (e decerto que nunca saberá) o que a boca fará depois…
...porém, quanto mais cruas as bocas, mais nu o beijo.
© pirate jenny aka paula

lábios que se tocam ansiosos em beijo que morde o desejo…
beijo que revela segredos, que silência palavras…
que se perde em abraço…
© maria

um beijo, é uma ponte que une margens de um rio de vida.
ponte que une corpos que se dissolvem, se prendem em voo de pássaro.
o beijo é uma rua, sem mapa, sem sentido, é uma porta, um abraço.
© almaro

que me beijes de bejos de tua boca

forte e n lace q u erido.
desejo
húmido. sinto.teu beijo
corrente. de teu vIgor. a braço
prazer q (u) e (n) te. em sabor.
em quente cl. amor.
la (vi )ço. vi (la )ço.
te an
sei
o. a mar.
paladar.
t eu. frescura. r u m o r o o r o o ro o ro o r r r
ceio (sei.o) amor. teu e&e sOm
gera dor. na tua b o ca. leio. lei O.

e baralho e volto a dar. beijos que são meus
de tua boca.
© blimunda

[outros beijos a ler]

“beijos...mãe!”
a ler em repensando de © seila

deixa também o teu beijo[]: aqui ou nos comentários

pra’ouvir: | cocteau twins - seeker who are lovers |

• publicado por o5elemento em 19/11 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (38)


[ Quarta-feira, Novembro 17, 2004 ]

saudade-(te)



trabalho sobre fotografia de © biquinha

lembrança triste e suave
desejo de ver ou possuir
doce e meigo tomar
terno pesar não ouvir
desejo de ler ou tornar
sentido brando e secular
necessidade de sentir
de ver regressar
em leito irei esperar
a ti; de ti

colagem de: | http://o5elemento.blogs.sapo.pt | pra’ouvir: | damien rice - older chests |

• publicado por o5elemento em 17/11 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (28)


[ Domingo, Novembro 14, 2004 ]

tentativas (para um só poema)



trabalho sobre fotografia de © biquinha

teus lábios convertem o pólen no mel que saboreio.
oiço a frescura dos teu sons, em teu corpo,
que balançam no vento dos meus abraços.
sinto o aroma flor do teu corpo, que necessito,
notei que timidamente perdias folhas em prazer
...
teus lábios em pólen
sabor a mel
frescura de teus sons
aroma flor
em vento e abraços
folhas de prazer
...
oiço a frescura do teu sorriso
dou largas aos sons dos teus lábios
que saboreio em mel e odores
em balanços do teu corpo flor
sentado no jardim do teu sorriso
já nada sinto estranho e dor
de teus seios sinto flores
em teu leito me entranho

*in (rascunhos em papel rasgado)

colagem de: | http://o5elemento.blogs.sapo.pt | pra’ouvir: | mono - halcyon (beautiful days) |

• publicado por o5elemento em 14/11 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (28)


[ Quinta-feira, Novembro 11, 2004 ]

in* (recortes sem título) #4


trabalho sobre fotografia de © biquinha

em ondas de luz teu busto saboreio
em ti de corpo inteiro
em suave (timidez) pejo
em ti a alma eu leio
em lance de anseio teu ventre beijo


[...]
... ausência [quebrada]: neste fazer de boa ausência [falta de comparência]; presente que nela toco [sentido] ... [rasgar do lugar em que deveria estar] ... e volto na essência [de contigo estar] e partilhar lembranças [temporais]; agora, empunho a lança [volto] nesse chamar [revolto] singular [florais] em tintas [escritas] de fumo e aroma ... gestos de mim [agradeço] este teu querer e [teço] comigo estar presente ...
[...]



outros recortes sem título: #1;#2;#3;#4;#5;#6;#7;#8

a visitar: | http://www.olhares.com/biquinha | blog: mulher dos 50 aos 60 |

• publicado por o5elemento em 11/11 às 00:00 • permalink


[ Terça-feira, Novembro 09, 2004 ]

mudar


fotos de © biquinha

mudar é criar, é dispor de outro modo
gerar novos espaços e alterar;
mudar é amamentar, é nascer de outro modo
manifestar-se em novas e modificar;
mudar é transformar
de novo, é nascer de outro modo;
mudar é crescer
será que estamos nós preparados pra’mudar?

«« ... »»

provoca a tua ausência o peso que exerço na ponta dos dedos, quando viciadamente digitam a morada e se dirigem para esta luz. não penses que eu já não tentei outras luzes, desde lanternas a velas, até isqueiros, mas nenhuma é tão intensamente sedutora como a luz de tecto. daí, meu caro, eu recuse terminantemente a ideia de desligar o interruptor, vou lembrar-te, mantendo a luz bem acesa, com as tuas próprias palavras: “mudar” enquanto te espero e te aguardo…

© simulador

• publicado por simulador em 09/11 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (10)


[ Sexta-feira, Novembro 05, 2004 ]

quando eu morrer


fotos de © biquinha

quando eu morrer
que queimem os meus livros[1]
que queimem as minhas telas[2]
em grandes fogueiras singelas
que [me] queimem a mim nelas
para que nada reste[3] delas[4]

[1]palavras
[2]imagens
[3]lembrança; eu
[4]memórias; recordações; ...

[quando morrer só quero rosas no meu jardim]
[não quero lágrimas, dor ... ...só amor te peço]
[adeus]
[não sei quando volto]

pra’ouvir: | the doors - a feast of friends |

• publicado por o5elemento em 05/11 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (23)


[ Quarta-feira, Novembro 03, 2004 ]

alucinogénios (“morfina”) #3


fotos de © biquinha

ensaio para reescreve algo (pedaços soltos)

florar em cinzento (“morfina”)

[…]
sempre que aqui estou sentado nesta cadeira
puxo por um cigarro e fumo a floresta calma
vendo a sorte responder “cinzeiro de morte”
divino desejo nesta pele forjada pelo tempo
em sedimentos moldado como lava, reclamo
nesta manha saudada, existência melhorada
deito-me, por fim, nesta cama, meu sonho e
de mãos partidas, doridas e amareladas. sei
o cinzento de lápis “morfina”, e deixo-me ir
cair no ruído da cidade molhada, de gentes
floreadas sem mentes lapidadas. graças em
vão, sentir e sonhar, relaxar de encosto dei,
preces de nicotina nas mãos, e em todas as
direcções, reclamei, desmentir belezas, sei
veio em passos brandos, fazer crónica e dar
florar em cinzento “morfina”, meu… sonhar
[…]

“morfina” - leia-se: algo que cria dependência

( heterónimo de © biquinha )

outros alucinogénios: #1;#2;#3;#4;#5

pra’ouvir: | migala - gurb song | morphine: | morphine - i had my chance | morphine - the jury |

a visitar: | http://www.olhares.com/biquinha | blog: á luz de uma vela |

• publicado por pipetobacco em 03/11 às 00:00 • permalink • interruptorComentar (24)


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