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[ Quarta-feira, Junho 03, 2009 ]
convite


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.8. em 03/06 às 00:00 •
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[ Segunda-feira, Setembro 15, 2008 ]
mas partiste novamente

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
11
o movimento de tua mão, aceno. já o espero. e partiste novamente.
15
visto-me de alento. tentando retemperar-me de forças debaixo destes lençóis. sem mais o faço, sem mostrar desejo, mercenário. e estou noutra cama. e meu desejo é tal, delicado e cego, de forma tão viva que é como se estivesses mesmo ali deitada. mas não és. e não estás. nunca estás.
. . .
os sinais previsíveis do tempo são sempre visíveis em alento, e esforço.
caminho sem destino. tento. alento.
19
sento-me agora no sofá, olhando o telefone que não toca.
. . .
puxei de um cigarro, preparei um copo de rum, escolhi um disco que rapidamente cravei no prato e abri um livro. não era a nossa música. nem o livro era a nossa história.
22
engoli o que sobrava do rum, rapidamente. fiz ensaio para limpar a alma. fechei os olhos na tentativa de resistir. quase a explodir, serrei os dentes com força para que não o sentisse. emulação.
31
é altura de mudar o sentido e a forma.
40
fragilidades e lapsos maiores
entendo de momento e, assim o reconheço, em resultado de programas ajustados, aqueles onde iremos (ou onde fomos) corromper a única ligação com o mundo real, no sentido técnico do termo, sobretudo quando, sem sermos amigáveis, em tipologias e programas, somos ajustados em estratégias, e ficamos prejudicados em (ou) merecimento. apenas se finge.
vou dizendo aquilo que me vai na alma. determinar distâncias e desníveis, a distância incumbida da vida que não me deixa recurso, e tenta demover-me. estou, pois, neste intento, integrado ou assimilado, mais que adaptado, mais que de mira, assassino, e que qualquer indício, nada mais, taco a taco, com instrumento usado, em determinação, acredito. apenas o finjo.
somos todos (uns) animais exóticos. estranhos. somos lapsos maiores em medidas mais que genéticas, enganos. somos fragilidades, nada fáceis, animais de exposição pública, normalmente dóceis monstros, desígnios finais; singulares formas de moldes, programados no (em) tempo. somos todos um só ser ou a uma só pessoa, únicos. bons ou maus, exóticos. apenas fingimos ser.
apenas se fingem.
43
mas partiste novamente.
( © ricardo biquinha, in “um quase nada” )
à escuta: | the morning stares - going home
|
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um.quase.nada em 15/09 às 00:00 •
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[ Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008 ]
ignotas palavras. afouto amor.

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
*( fragmento de
ensaio sobre «dor de te amar»
. 2 8.5.2 «ignotas palavras. afouto amor.» )
«sem que as abandones profundas
ou mais tarde encontres saudosas»
«
ensaio 2 8.5.2-1.0
que adorna a alma e seca nobre, e que perto da morte se nega à sorte. que o corpo abandona sem fulgores e que cedo se finda. de corrente turva e sofre inocente para lá dos teus beijos. além. rapina-me a sepultura e sagra-me débil corpo. que de tão ricos encantos são minhas dores. e cinzas frases proibidas. outras coloridas. sem palavras humildes. e acres desenganos. sem que as abandones profundas ou mais tarde as encontres saudosas. nesse fogo atear-se veio. orgasmo. que no teu rosto se espanta murta. e murmúrios da tua boca o teu corpo sangra. que vulto semeia esto. e dor. em agitado estio lavra e paixão. e mesmo que de berro fulgente espanta em trevas profundas o sol desponta e cedo e para sempre encanta em sonhadas delícias. ardentemente desejadas. veste de outro manto o nosso amor em fiel guarida.
sem palavras agitadas. outrora sacudidas.
»
*palavras não editadas – texto em alteração espontânea (mutação)
( © ricardo biquinha, in “ensaio sobre «dor de te amar»” )
à escuta |
|
| e o negro «plano aterrado»
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amo.te.sempre em 14/02 às 00:00 •
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[ Terça-feira, Dezembro 25, 2007 ]
meta.morfose

trabalho sobre (e) serigrafia(s) de © ricardo biquinha
terça.feira, 25: que não tem forma determinada nem regular;
quarta.feira, 26: tão-pouco feitio, e ou feição exterior manifesta;
quinta.feira, 27: pupa de agudeza e espírito, oposição e essência;
sexta.feira, 28: ...
sabado, 29: ...
domingo, 30: ...
segunda.feira, 31: no entanto, com a intenção de; ser fénix ...
end
(amo.te sem nunca o saberes)
( heterónimo de © biquinha )
à escuta: | sterling - untitled
|
• publicado por
.8. em 25/12 às 00:00 •
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[ Sábado, Outubro 27, 2007 ]
de.pressÕes

foto e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha / carpas de mariana lara
(.cOmO paredes
caiadas de sangue e feição
Onde tantO se abrem as ruas
(caminhOs)
de acOrdO atraente e segurO
direitO, vaziO e afastadO
em silênciO trespasse
em cedências e sulcOs
(de.pressÕes)
cOmO paredes nuas
caiadas de fadiga e pretextO
Onde tantO se abrem as pOrtas
(entradas)
desacOrdO que repugna insegurO
curvO, cheiO e próximO
em barulhOs ancOradOs
em cadencias e fendas
(cOncessÕes)
(abatimentOs)
cOmO paredes velhas e sujas
Onde tantO se deu e dá
cOmO redes
(usadas)
pela intriga filmada
e
se exerce
pela fOrça que actua sObre uma
cilada
este caminhO cOladO
à lOucura.)
( heterónimo de © biquinha )
à escuta: |
| :morphine:
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in[culto] em 27/10 às 00:00 •
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[ Quinta-feira, Setembro 20, 2007 ]
contíguos passos

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
lentamente, sem ruído
.1
nem sempre meus passos são certos
neste recuar ou andar de pés
passada;
modo de andar;
seguir-te
tenho que deles aprendo, certeza
nem sempre meus passos são certezas
temo que deles dependo, seguir-te
vestígios;
pegadas;
seguir-te
facto;
transe;
dar um passo em falso
mas nem sempre é um erro
tenho a certeza
seguir-te
.2
fértil orgulho e sabor
em breves teus passos
os meus beijam
oscular;
tocar de leve;
amor;
seguir-te
os
passos
leves
sem dor;
azos de amor
.3
passos copiados
desdenho-me fértil de ti
passo a passo
base;
pedestal;
em amor
sigo-te;
desenho-te
em passos copiados
de sabor
como se nunca os tivesse dado
mas certos
de ti
amor
( heterónimo de © biquinha )
à escuta: |
|
|
| ( low skies ) - all the love i could find (2006) |
• publicado por
amo.te.sempre em 20/09 às 00:00 •
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[ Segunda-feira, Setembro 03, 2007 ]
a minha porta. a nossa porta.

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
( onde estás martinha? )
27
e dor; alegria e tristeza; vou expô-las com precisão e método - lei
enunciando-as de uma maneira precisa, vou escrevendo em traço
e rabisco-as, direitas para que as percebas sempre; nuas
as escrevo e tento certas; palavra verta, versada em matemática
e no fim, em fios esguios simplesmente assino em redonda forma
28
a minha casa nunca mais fora igual.
a nossa casa.
a minha porta. a nossa porta.
quando a olhava de frente, agora sem ti, ou entrava por ela, ou a olhava fixamente, e pálido como ela, e polido também, percebia o que era o medo a sério. o medo da solidão, o medo de com ela me envolver. todos os dias. sentia uma fria agulha no braço. um gelo. o frio dessa porta, ou do que estava para lá dela. mas lá entrava, sempre. nesse vazio e velho apartamento, a cair aos bocados, em segredo alugado. era um prédio antigo, mesmo no centro cidade. era sempre um doloroso teste diário, rodar a maçaneta da porta, abrir a chaga. entrar, e não te encontrar.
e o elevador nunca trabalhava.
morava no 4º andar, o último andar, direito, assim o quis, onde acabavam as escadas, longas e agora intermináveis. e o elevador nunca lá chegava, nunca trabalhava, pelo menos quando mais precisava dele. agora já velho, de ranger antigo, não queria. nem se mexia.
em frente da minha porta, morava uma igual. a porta do 4º esquerdo. habitado por uma figura sinistra, que fugia de abri-la. talvez o tenha visto duas ou três vezes, bem lá no interior. sinistro. bem lá dentro. diziam-no louco, e velho, e que tinha sido oficial combatente do ultramar. mas louco agora. ou sempre o fora. ou lá na guerra se fizera. e só. sem companhia, isoladamente e sem auxílio de outrem.
eu via-me nele. via-nos a todos, nele.
era um andar só, o meu e o dele. duas portas iguais. dois rostos iguais. onde morávamos os dois iguais. iguais na solidão. ele só, sem família, dizia-se. e agora, sem aquela que o acompanhara sempre além-mar, sua companheira e mulher. que morrera de doença sem cura. dizia-se.
29
e a minha partira também.
partira sem doença, é certo.
e o elevador, doente, que nunca trabalhava. sem ti não mais trabalhou.
e eu cá fiquei, doente.
sem ti.
sem o teu auxílio.
e agora que aos bocados caía. e nele tinha que entrar. sem ti.
e agora?
( © ricardo biquinha, in “um quase nada” - m,30 (27 a 29) )
à escuta: | ghetto pony - the delay
| ghetto pony - there was an accident
|
• publicado por
um.quase.nada em 03/09 às 00:00 •
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[ Sexta-feira, Agosto 17, 2007 ]
nefando guincho

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
na noite em que casares
estarei em lágrimas
sem cores quietas
«negras» de luto
e serei o negro corvo
aquele que no cimo
da tua igreja guinchará
de dor «sem lar»
por não ter sido ele
no altar
( heterónimo de © biquinha )
à escuta: |
( bright white lights - ignition ) |
• publicado por
corvo negro em 17/08 às 00:00 •
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[ Quarta-feira, Agosto 01, 2007 ]
sem título #23.pt

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
.
estou eu sem rumo [veloz] no meu propósito [desígnio, ou intento] e vou sem destino [direcção, ou rumo] e aqui chego sem folgo [esforço, ou alento] e aqui vou repousar [demorar com ou sem prazer] vou senti que estou neste lugar [destino] e aqui vou ficar [assentar a alma] talvez até odiar ou gostar de aqui estar [ser favorável] e pactuar [talvez]
.
© 2007, ricardo biquinha. todos os direitos reservados
à escuta | ( the jim yoshii pile-up - breakdown:
ou reckless driving:
) | letras |
• publicado por
pipetobacco em 01/08 às 00:00 •
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[ Segunda-feira, Julho 23, 2007 ]
sei-te decore

fotos e trabalho sobre fotografia de © ricardo biquinha
irei (eu) reter estas
palavras na alma
apreende-las na pele
ornamenta-las na
memória
irei adornar-me
delas
singelas de cor
enfeitar-me
nelas e
sabe-las
decore
( heterónimo de © biquinha )
à escuta |
( the morning stares ) |
( neva dinova ) |
• publicado por
amo.te.sempre em 23/07 às 00:00 •
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