Ísis - entre (Nut) e (Get)

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Surgindo como fruto dos amores entre o céu (Nut) e a terra (Geb).
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Terça-feira, Maio 03, 2005
Ausência

Na ausência
apenas o odor de ti
te torna presente…

Publicado por isis em 05/03 às 03:58 PM
Categoria: Poesia • (3) Comentários
Quarta-feira, Março 30, 2005
Perdida

perdida
neste recanto sem canto
imprudente pranto
deixo fluir

turvam os dias
confundem-se noites
fundeiam medos
mergulham segredos

perdida

neste lugar distante
incessante
invento guarida
baptizando vida
mas sempre

perdida

encontro-me
neste baralho
sem agasalho
nua sem norte

não sei
o dia que me afastei
neste recanto sem canto

fiquei

sem
palavras
emudeci
neste silencio
que me arruaça

perdida
perdi-me de ti

Ísis

Publicado por isis em 03/30 às 03:13 PM
Categoria: Poesia • (3) Comentários
Quinta-feira, Março 10, 2005
Pétala a pétala

Pétala a pétala

flor desfolhada
sentindo-se amada
de amor, de odor
deleite de agrados
Segredos perfumados
em sopros de voz…

O corpo coroado
adornado de amor
em gestos, desejos
melífluos em flor
tocando/ trocando
atalhos
no esculpir de corpos
em formas de querer

Pétala a pétala
Desperta
Mulher


Ísis

Publicado por isis em 03/10 às 11:50 AM
Categoria: Poesia • (1) Comentários
Terça-feira, Março 08, 2005
Mulher

Esse sonho era meu
alguém mo pediu
alguém mo trocou…
Deambulo no tempo
de sonho apagado

Eu não seria esta mulher
seria outra
a outra metade que deixei escapar
na pressa de chegar
à vida crescida

Eu não seria esta mulher
seria a outra que teimo pintar
resgate de despertar
em papel de cor
polvilhado de amor…

Teria espaço para dançar
teria tempo de cinema e teatro
tempo de ler poesia em voz alta
tempo de escrever
tempo para perder
tempo, tempo, tempo
de ser
a outra ...
Mulher

Paula in “Pedaços de Histórias ou Histórias de Pedaços”

Publicado por isis em 03/08 às 05:43 PM
Categoria: Poesia • (1) Comentários
Sexta-feira, Março 04, 2005
Dilúvio

Chovem vendavais…

no carpir
de lágrimas
jorrando ventos
em momentos
de emoção

em que te decoro
ágil neste meu mar
de vento, atento no libertar…
em que te degusto
sem conceito
nem preconceito
em almejar
rios invadindo mares
em dilúvio de afectos…

Ísis

Publicado por isis em 03/04 às 11:33 AM
Categoria: Poesia • (3) Comentários
Quinta-feira, Março 03, 2005
Apresento-te: Joana

Para ti, e para que me oiças de corpo e alma dedico, este meu tempo, noutro tempo, noutra dimensão.

Imperioso ressalvar que tudo o que te dedico é autêntico, como “eu”.
E o meu “eu” ressente-se do silêncio, da falta de tempo, das quase ausências de carinho…

Mas, urge apresentar-te a Joana, como prelúdio:

Joana é uma mulher atraente, comunicativa, inteligente. De todos os seus predicados, realço o seu sorriso, sorri de alma, emprestando ao seu rosto sempre um jeito de menina alegre e descontraída. Contagia os que a cercam. Talvez por isso, os homens fiquem cativados. Joana, finge não notar.

Joana apaixonou-se desmedidamente!

Sintomático o ar sonhador com que a surpreendo de quando em vez, vejo-a ler e reler o que tu escreves, desvio o olhar fingindo não perceber. Joana no entanto, resolveu falar-me e confessar, estar completamente “in love” por ti!
- E, agora que fazer?! - diz-me ela - tenho a cabeça às avessas, o coração aos saltos, as hormonas em rejúbilo pelas delícias vividas e o desejo de voltar!
Felicito-a pelo sentimento de amor, que a torna exuberante. Sopro-lhe ao ouvido em tom de malícia – Jo, disseste “delícias vividas”?! - Joana então descreve com ar a sonhador momentos vividos, de fazer corar! Pasmo com a excitação com que fala. Entendes o que te estou a dizer?! Joana apaixonou-se por ti de alma e coração. Queria gritar-lhe, dizer-lhe tem calma. Não me leves a mal, tu sabes como te quero bem, mas a tua fama de D. Juan ultrapassa o Atlântico. Temo por ela. No entanto sorriu e segredo-lhe ao ouvido – estás apanhadinha de todo, hem, Jo?!

Vi-lhe o brilho no olhar. Sei como é também já me senti assim, confesso-te em primeira mão. Sabes como sou reservada. Vivi uma paixão daquelas de cinema. Sim. É verdade. Imagina eu?! Quase larguei tudo o que tenho. Dei tudo por tudo. Um dia conto-te. Sei que te vais surpreender. Arrisco.

Ísis

Publicado por isis em 03/03 às 04:04 PM
Categoria: Contos • (1) Comentários
Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005
Visto-me de Mulher

Em quilómetros que percorri…
escondida do mundo
para ti num segundo

nesse segundo em que a vida instalou
arrojada, destemida no impulso de te ter
dispo-me de menina, visto-me de mulher
solta, fogosa, ardente
trocando carícias em mãos e perícias
invado-me de ti, perco-me na ilusão
crente, demente
em amor crescente
vencendo alcatrão

a cama é pequena para o tanto que temos
para o tanto que mais queremos
o quarto o nosso mundo
de vida louca num segundo

ecoa a tua voz
cálida, terna
volteando ardente, voraz
devoras tudo de mim
escondida do mundo
para ti num segundo
em quilómetros que percorri…

Ísis

Publicado por isis em 02/28 às 03:43 PM
Categoria: Poesia • (3) Comentários
Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005
Primavera

Em aromas de Primavera
sepulto o Inverno
cursa o riacho ao meu encontro
retinem os sons no brotar do sentir
exaltam-se Deuses no meu ressurgir

Serei Diva
granjeio de mim
brotando em ti…

na colheita a novidade
centelha de dias
em prenúncio de afectos
acolho-te, albergo-te…
desvelo o coração

Serei Diva. Sim
granjeio de mim
brotando em ti…

Publicado por isis em 02/23 às 05:29 PM
Categoria: Poesia • (1) Comentários
Terça-feira, Fevereiro 22, 2005
(Re)Nascer

Apago contornos de mim
do caminho que abandono

preciso nascer
preciso morrer primeiro
serei pó, serei cinza
depois, serei tudo sem vestes
estarei nua de mágoas
Inocente
Reinvento a Vida

Publicado por isis em 02/22 às 05:55 PM
Categoria: Poesia • (2) Comentários
Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005
Ísis

E diz-me a desconhecida:
“Mais depressa! Mais depressa!
“Que eu vou te levar a vida! . . .

“Finaliza! Recomeça!
“Transpõe glórias e pecados! . . .”
Eu não sei que voz seja essa

Nos meus ouvidos magoados:
Mas guardo a angústia e a certeza
De ter os dias contados . . .

Rolo, assim, na correnteza
Da sorte que se acelera,
Entre margens de tristeza,

Sem palácios de quimera,
Sem paisagens de ventura,
Sem nada de primavera . . .

Lá vou, pela noite escura,
Pela noite de segredo,
Como um rio de loucura . . .

Tudo em volta sente medo . . .
E eu passo desiludida,
Porque sei que morro cedo . . .

Lá me vou, sem despedida . . .
Às vezes, quem vai, regressa . . .
E diz-me a Desconhecida:

“Mais depressa” Mais depressa” . . .

Cécília Meireles

Publicado por isis em 02/21 às 05:29 PM
Categoria: Poesia • (2) Comentários
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