Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
Partilho
Arquivo
Categorias
Locais de Memória
Memórias Actuais
Blogues que Visito
Estatísticas
Pesquisa
Pesquisa AvançadaCréditos
Powered by ExpressionEngineOriginal de BlogMoxie
Redesenhado por © CB&RB
Alojado por mgrande.com
Pintura de Vicente Romero
Impossível viajar no sonho
e dele não viver o momento
inteiramente sequioso de ousadia.
Corpo trémulo de magia
que escorre em mãos
liquefeitas de ternuras
tímidas
arrojadas
permissivas.
No viajar da memória
corpos jorram mel
em lábios que se unem
e se desnudam
loucos, sôfregos
na fantasia do sentir.
Num toque de pele
gemendo
arrebatada
de desejos
inconfessáveis
um grito
que antefrui
o momento culminante
que se adivinha.
E no sonho, qual quimera
que se transmuta,
prosseguem os sentidos
da Vida…
sentimentos perpetuadas
na mansidão da penumbra.
É a palavra calada,
em novelos mordazes,
estendida, mão a mão,
no ocaso dos sentidos.
Nada há em mim
que não vos diga o que
sou, porque a voz dos olhos
é a mais profunda das
palavras, que emana
da clarividência da Vida.
Fugaz é o destino que
ombreia no universo fechado
d’algum lugar onde nunca estive e,
na fragilidade vertente dos dias,
calam-se as vozes murmuradas da
utopia.

na fugaz lembrança
de um tempo presente.
Voa
em meus braços cobertos
de carícias leves
entre beijos de corais
e momentos breves
que não se perdem
jamais.
Voamos
na sensação primeira
de abraços incontidos
que se expressam
um a um
ilusórios
persistente
em espíritos
frementes
leves
breves
momentos
de ilusão…
Voamos
ao sabor das vogais
que hibernam no coração…

A esta hora
os pássaros
despertaram
encetando
o voo matinal,
entre raios de sol
que se abrigam, nas
nuvens da Vida.
A esta hora
o mar ondulou
na areia fina
entre os pés
da solidão...
A esta hora
que não é a de todas
as perfeições,
as pedras
gritaram
as ausências
sentidas...
Imagem de Koroleva

Pintura de Eric Wallis
O vento no rosto
o vazio na alma
vem o tempo
vai o tempo
vem o dia
cai a noite
vem Agosto
vai Agosto
e no calor cíclico
da espera,
sopra-me este vazio
na alma,
pernoita-me este vento
no rosto.
(Poema de Jorge Casimiro in
TernasAlquimias)
Ouvir o poema na voz de Ana Lúcia Palminha
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Aguarela de Stephanie Pui Mun Law
nascemos nas asas de uma ilusão
adormecemos nas águas límpidas,
de um mar sereno
fruto da nossa paixão.
Voámos
para terra seca,
buscamos
grão a grão,
risos alegres,
palavras amenas,
uma carícia leve,
neste
momento breve
que é a vida
em pura ebulição.

que era
vento,
ao
vento
perguntou:
Vento,
porque és
vento,
se a
brisa
já
soprou?
E o Vento respondeu:
Tocas melodias que me embalam.
E falas-me com a sabedoria dos filósofos.
E chegam-me, no vento, os teus murmúrios.
Zélito

Imagem de Claude Tháberge
Cálida,
a noite vem nos teus olhos
quando a lua se descobre
e a promessa dos teus beijos
me estremece.
As tuas mãos,
que não tocaram meu corpo nestes dias sem tempo,
viajam no sonho e nas palavras,
florescendo no corpo húmido que se agita no desejo.
Desvendo os sons sentidos no silêncio
e neles quebro meu olhar que se espraia no horizonte,
como nuvem em dia de chuva.
Embalo-me como estrela cadente
ritmada em suave toque,
onde te imagino
percorrendo-me, gota a gota,
sorvida calidamente no desejo dos teus lábios
sôfregos,
que circulam em cada pedaço da minha pele…
És.
Sou.
Imaginação
e
Fim.
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

É o tempo de vivência deste blogue…e ainda do
Menina Marota
que no passado dia 7, completou igualmente três anos de existência.
Obrigada por me terem acompanhado nesta caminhada…
São estes os caminhos que percorro diariamente, que fortalecem a minha alma e acalmam o meu espírito.

(Fotografia pessoal daqui)
Imagem de autor desconhecido
na forma como incendeias os sentidos.
Não, meu amor, também és raiva
onde espojo meu corpo em suor.
Não, meu amor, também és água
a dessedentar minha língua
seca de silêncio e de vómito.
Não, meu amor. Não és apenas carne,
nem apenas caule, nem apenas fruto,
mas sobretudo a seiva
de que se alimenta a minha ânsia de fuga.
Não, meu amor, também és mulher,
a parte que não existe em mim, homem!
“Não, meu amor… Nem todo o corpo é carne”.
Às vezes é uma viagem
ao interior uterino da criação
ao Imo da Vida!
Pintura de Jacopo Tintoretto
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura
Tu és doce atractivo, ó formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.
Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n’alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.
Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.
Amor ou desfalece, ou pára, ou corre,
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.
(Poema de Manuel Maria Barbosa du Bocage)
Imagem de Ernst Schütz
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota…
Crepite, em derredor, o mar de Agosto…
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!
Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito…
Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.
David Mourão-Ferreira in “Infinito Pessoal”
Pintura de Edward Henry Corbould (daqui)
Escondo-me no abrigo de uma árvore,
qualquer,
enquanto a alma hiberna,
sozinha.
No ensombro, escrevo memórias espaças de um voo de mocho enamorado pela lua,
menina.
Caiu a noite, não há histórias nem sonhos…
Há uma transparência cristalina que aguarda o instante, de voltar a ter cor,
sem cinzentos-neblina.
Dorme, a alma,
talvez cansada,
talvez dorida,
dorme,
sossegada,
abraçada na árvore da vida…
(Poema do Almaro)

Imagem Jane Maclean
Respira. Um corpo horizontal,
tangível, respira.
Um corpo nu, divino,
respira, ondula, infatigável.
Amorosamente toco o que resta dos deuses.
As mãos seguem a inclinação
do peito e tremem,
pesadas de desejo.
Um rio interior aguarda.
Aguarda um relâmpago,
um raio de sol, outro corpo.
Se encosto o ouvido à sua nudez,
uma música sobe,
ergue-se do sangue,
prolonga outra música.
Um novo corpo nasce,
nasce dessa música que não cessa,
desse bosque rumoroso de luz,
debaixo do meu corpo desvelado.
(Poema de Eugénio de Andrade)