Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Pintura de Yoshitaka Amano
A Maria Mamede deu-me uma tarefa difícil – que escrevesse sete coisas sobre mim – e, apesar de raramente recusar um desafio, este é daqueles que me custa sempre fazer: falar de mim ou seja, escrever sobre mim.
Não tenho muito jeito para falar directamente de mim. Gosto de falar dos meus sentimentos, dos meus sonhos (que ainda os tenho, apesar de tudo…). Gosto de falar dos meus filhos (e do orgulho que sinto neles). Gosto de falar dos meus animais (e da paixão que me liga a eles). Do mar… do “meu” mar e de poesia.
Diria que sou uma pessoa simples, alegre, comunicativa, sincera, afável, lutadora, teimosa, sensível, sorridente e, acima de tudo, apaixonada pela Vida, que detesta: a falsidade e a hipocrisia nas pessoas; quem vive de aparências; que não me olhem nos olhos quando falam comigo; não me sentir bem num lugar e de pessoas frias.
Que sou capaz de me sacrificar pelos meus Filhos, pela Família, pelos meus Amigos, pelos meus animais.
Que o respeito, amizade e solidariedade, andam de mãos dadas e que sou capaz de dar tudo isso, sem nada exigir em troca, mas também sou uma “fera”, na defesa daquilo em que acredito. Sou capaz de dar o braço a torcer, quando sou injusta com alguém, mas não abdico das minhas convicções. E tenho um grande defeito, sou demasiado sensível e firo-me com muita facilidade, o que me traz alguns problemas …mas também perdoo com relativa facilidade e sou incapaz de guardar rancor a alguém.
Resumindo o tal número sete: 1- sou de uma alegria espontânea e sincera; 2 - lutadora que nem uma leoa; 3 - teimosa que nem uma mula; 4 - sensível até dizer basta; 5 - apaixonada pela Vida; 6 - sou amiga do meu amigo e do meu inimigo também; 7 – Sou solidária, sem nunca me ter arrependido, mesmo que me tenham traído a confiança.
Posto isto, passo a “batata quente” a:
Avó Zaida
Carlos Tavares
Manuel do Montado
Piedade Araújo Sol
Sulista
Vítor Cintra

Pintura de Isabel Magalhães
A alma e o corpo unidos,
Num último e derradeiro esforço de criação;
Quando eu partir…
Como se um outro ser nascesse
De uma crisália prestes a morrer sobre um muro estéril,
E sem que o milagre se abrisse
As janelas da vida. . .
Então pertencer-me-ei.
Na minha solidão, as minhas lágrimas
Hão-de ter o gosto dos horizontes sonhados na adolescência,
E eu serei o senhor da minha própria liberdade.
Nada ficará no lugar que eu ocupei.
O último adeus virá daquelas mãos abertas
Que hão-de abençoar um mundo renegado
No silêncio de uma noite em que um navio
Me levará para sempre.
Mas ali
Hei-de habitar no coração de certos que me amaram;
Ali hei-de ser eu como eles próprios me sonharam;
Irremediavelmente…
Para sempre.
(Poema de Ruy Cinatti)

A generosidade da Pink uma das mais fiéis leitoras deste blogue, desde o seu início, desafiou-me para uma das coisas mais difíceis, mas de que mais gosto: falar dos livros que leio.
Fui sempre uma leitora (e compradora) compulsiva de livros. Quer seja poesia ou literatura. Falar de livros, não será para mim, um tema de circunstância, porque afinal, muita da literatura que li, marcou a minha personalidade e a minha escolha de filosofia de vida…
Nos meus tempos de menina, na minha fase romântica, (confesso que ainda sou) chorei quando li “Jane Eyre”, de Charlotte Bronte, ou mesmo “O Monte dos Vendavais”, de sua irmã Emily Bronte, ou quando passava noites inteiras acordada lendo obras de (retiradas às escondidas, da biblioteca do meu Pai) Camões, Florbela Espanca, Afonso Lopes Vieira, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Sebastião da Gama, Miguel Torga, João de Deus, Antero de Quental, Natália Correia, Eríco Veríssimo, Marguerite Duras, António Botto, Teixeira de Pascoaes, Aquilino Ribeiro, Júlio Dinis, Alexandre Herculano, Walter Scott, Thomas Moore, Aldous Huxley, Honoré de Balzac, Jorge Amado, Charles Dickens, Camilo Pessanha ou um Eça de Queirós…
Houve uma altura que “estudei” Homero, Ovídio, Virgílio, mas depressa passei para Cervantes e ler o seu “D. Quixote de La Mancha” foi qualquer coisa que me marcou até hoje. Depois vieram leituras empolgantes, como “Anna Karenina” ou “Guerra e Paz” de Leon Tolstói, ou “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, que me levou a desejar ler ainda mais e aí apareceram autores, como Dostoiévski, Gorki, Gogol, Tolstoi, Tchekhov.
“ O Primeiro Amor” de Isaak Babel, deixou-me com dúvidas terríveis, mas depressa as esqueci a ler a fantástica obra de Anatoly Kuznetsov “Babi Yar” que me levou aos horrores do holocausto…
Já numa outra fase, apaixonei-me por Friedrich Nietzsche e dele retirei um pouco da sua “loucura”.
Numa viagem de vinte e dois dias por mar, li os quatro volumes de “O Don Tranquilo”, de Mikahail Chólokhov e depois interessei-me pela obra poética de Mikhail Lermontov de que aqui deixo um excerto:
Longo colar de pérolas na estepe azul,
exiladas como eu, correndo rumo ao sul,
longe do caro norte que, como eu, deixais!
Que vos impele assim? Uma ordem do Destino?
Oculto mal secreto? Ou mal que se conhece?
Acaso carregais o crime que envilece?
Ou só de amigos vis o torpe desatino?
Ali não: fugis cansadas da maninha terra,
e estranhas a paixões e ao sofrimento estranhas
eternas pervagais as frígidas entranhas.
E não sabeis, sem pátria, a dor que o exílio encerra”
(“Nuvens”, de Mikhail Iurievitch Lermontov, in Poesia de 26 Séculos, Ed.Asa
(pág.246)
Chega de falar dos livros que já li. Passemos aos que actualmente estou a ler, ou antes, a reler…exactamente nas páginas onde vou…
“Vimos de nada e vamos para onde.
Perguntamos, e nada nos responde,
A verdade e a mentira são irmãs:
O que é que o evidente nos esconde?
…(excerto)
(in “Canções de Beber” de Fernando Pessoa), Assírio&Alvim
(pág.84)

Capa do livro
“…Quem observasse o viver de Camilo assim parco na mesa só ampliada quando a ela se assentavam estranhos, como singelo no adorno da casa, rejeitava a suspeita de ostentação naquele grande espírito.”
(in Camilo” visto por Freitas Fortuna, Edição da “Casa de Camilo”
“Digo que não
Ao medo
Que me apavora;
E juro ao coração
Que virá cedo
A calma que demora.”
…(excerto)
(in “Orfeu Rebelde” de Miguel Torga) Edição Particular, Coimbra
(pág. 44)
“…Quanto maior é a cidade mais anonimamente se vive nela. Parecendo que não, isso repousa os nervos. É evidente que há parecenças em todas as partes do mundo, mas é diferente constatar parecenças do que viver a permanência….”
(In Banana SPLIT” de Rui de Brito), Pub. Europa-América
(pág.88)
“...Ver-se-ia então a noite instalar-se no mundo, as montanhas cobrirem-se de florestas e as florestas povoarem-se de feras.
Quanto aos costumes e maneiras dos povos, uma carapaça de gelo os cobriria…”
(in “Salvo-conduto” de Boris Pasternak), Bibliotex Editor
(pág. 45)

Retrato de Eugénio de Andrade por Dórdio Gomes
“Acorda-me
um rumor de ave.
Talvez seja a tarde
a querer voar.
A levantar do chão
qualquer coisa que vive,
e é como um perdão
que não tive
Talvez nada.
Ou só um olhar
que na tarde fechada
é ave.
Mas não pode voar.
(in “30 Poemas”, de Eugénio de Andrade) Fundação Eugénio de Andrade
(pág.15)

O Ruvasa teve a gentileza de atribuir a este blogue o Award Thinking Blogger e ao aceitá-lo tenho por missão distinguir cinco outros blogues de minha preferência. Ora, este é um número demasiado pequeno, para a imensidão de blogues por quem tenho preferências especiais.
As regras do jogo são estas e com grande pena minha, tenho que escolher somente cinco Blogues, pelo que por ordem alfabética os indico.
uma menina fantástica e de grande sensibilidade
pelo trabalho de divulgação dos mais variados temas de cultura
pela sua frontalidade e coerência
porque gosto de pessoas seguras, sem medo de preencherem os vazios da vida…
porque gosto dos seus voos ao sabor da alma...
e o meu especial agradecimento ao Ruvasa

… do amor que se sente, que nos envolve, que nos deleita…
Sinto o teu corpo quente envolver-me… a tua boca paira suavemente no meu corpo e eu sinto-o cada vez mais, devolvendo-me o calor… quero possuir-te… o meu desejo é maior...sinto-te na minha pele e suspiro, baixinho.
Exalo o teu cheiro, sinto o sabor da tua pele. Suavemente perpasso a ponta dos meus dedos pelo teu corpo e sinto a convulsão…
Envolves-me ansiosamente, e eu louca por te possuir, arrasto-te ardendo de desejo. Sinto a resistência do teu corpo, mas pouco a pouco, carinhosa e decidida, penetro-me em ti e embalamo-nos, numa viagem sem retorno…
Em êxtase ficamos.
O amor, começa aqui… não acabou.
(memórias minhas…)
Fotografia de Rita Silva
Moro há anos aqui e mal a conheço.
Queria ver novos lugares, ver novas pessoas.
Andei por ruas que nunca vi, passei por pessoas desconhecidas e estive longe do velho mundo a que pertenço.
Redescobri que as pessoas desta cidade são educadas.
Redescobri a beleza das velhas calçadas, das velhas vielas, o eco entoando no silêncio da manhã.
A minha cidade tem a sua identidade, coisa que eu já tinha esquecido.
Nunca andei por ela para a conhecer verdadeiramente, andava por ela, alheia a tudo, vivendo dentro de mim.
E gostei. Esta cidade ainda tem o ar de pequena aldeia, mesmo sendo tão grande.
Falou-me uma linguagem nova e, levou-me a um passado, de momentos que eu já nem recordava.
Mas o que importa? Mesmo em busca de mim, conheci algo de novo, pude conhecer esta gente e tudo aquilo que me rodeia.
Nunca estive tão perto daquilo que já amei…
Os velhos momentos vieram falar comigo, deram um beijo e disseram adeus.
E foram tantos os momentos, tantos… Agora foram-se, e eu fiquei aqui no presente, que continua a pertencer-me.
Eu sei, estou nostálgica do passado, mas isso passa!
Uma sensação estranha tomou conta de mim.
Pensei muito em tudo que já vivi.
A saudade quis falar, mas não a quis ouvir, para que serve?
Não quero ter raiva, só quero olhar de frente e seguir.
Não quero ter medo, não quero relembrar coisas más.
Quero apenas lutar por aquilo em que acredito e por aquilo que me espera.
Preciso amadurecer, preciso ser mais decidida, preciso amar com todo o meu ser.
Sim, amar… Amar as pequenas coisas e fazer delas essenciais.
Tento sempre esconder-me e procurar o que é seguro.
Mas o que é seguro? Esconder-me da vida?
Para quê procurar a felicidade em sítios tão distantes, se ela está aqui ao meu lado?
Por mais que caminhe acabo sempre no mesmo lugar.
A verdade dói mas traz consigo a força que preciso para continuar.
Hoje só quero ser feliz...