Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Nunca deixes de ser essa eterna romântica que és. Nunca percas a capacidade de sonhar...nunca! ”
Imagem de Jnos Makray
Apesar do frio, o sol brilhara o dia todo e ela deixara-se ali estar, entregue aos seus pensamentos, passando em memória os últimos anos da sua vida.
As coisas belas que lhe tinham acontecido, fizeram-na sorrir… as memórias da sua vida, que guarda com carinho, no interior da sua alma.
Em cada margem
Em cada ponte
Encostou-se à rocha, sentindo o seu frio, mas isso não a incomodou. Ao longe, uma musica suave confundia-se com o rumor do mar e ela deixou-se embalar pelo som das ondas.
Um toque suave no seu cabelo rebelde, acorda-a do marasmo. Não pressentira a sua presença e olharam-se nos olhos.
Nesse olhar, há um mundo de magia que os une e instintivamente abraça-o.
e no vento, escuta a voz do horizonte que parte para a descoberta
de sonhos e de saudade…
- Oh! Momento de estranha magia, sente seus lábios percorrerem a pele como uma brisa, fundindo-se nela como encantamento. O calor do seu corpo percorre-a, com um enternecimento abrasador, acordando repentinas sensações dentro da sua alma e um desejo profundo, de se envolver nos seus braços, fazem-na tremer.
A voz sussurra-lhe palavras inaudíveis e o seu corpo é uma onda azul que avassala e sente roçar lasciva uma carícia exótica.
Deliciosamente irresistível o seu abraço percorre-lhe o corpo e…
A boca na sua boca se incendeia…
Imagem de Scot Howdwn
Sorrio maliciosamente… sentira o seu olhar durante todo o jantar.
Quando passa por mim o toque leve da sua mão percorre, carinhosamente, o meu rosto.
Com a saída do último convidado sorrio-lhe enquanto seguro, pela ponta dos dedos, a garrafa de champanhe e duas taças, subindo resoluta a escadaria.
Espero…entre lençóis de seda sorrindo plena de amor…
Vem…
Acarinha a minha pele, sente o meu corpo, que te quer meigamente…
Sinto as suas mãos percorrerem-me e deixo que tudo aconteça, de uma maneira suave, enquanto gradualmente a paixão nos consome.
Uma música harmoniosa acompanha ao longe o ondular dos nossos corpos que se saciam enquanto em frenesim anseio a libertação…
De repente… tal como uma bola de sabão colorida o sonho esfuma-se e encaro a realidade…
Aconchego a almofada no meu rosto e espero que amanheça depressa…
Sonhos… não deixam de ser sonhos…
Pintura de Salvador Dali-Angustia
Perdida no meio dos muros que eu própria ergui, vivo a fantasia de ser aquilo que não sou capaz de ser. Pelo sonho e ilusão, encontro um equilíbrio pardo, amarelado, que suaviza a dor da minha própria ausência.
Na fantasia, sinto as tuas mãos. Tão diferentes das que conhecem a geografia do meu corpo.
No sonho, uns lábios de sabor a mel. Tão diferentes do sabor da rotina dos que conheço.
Na ilusão, o cheiro do teu corpo a maresia. Tão diferente do que já se confunde com o meu.
Pouco interessa quem és, se me permites a ilusão de me sentir renascer.
Mas, quando os meus olhos se abrem, apenas sinto a tua ausência em mim, a dor do desejo, a permanente insatisfação que me tolda a mente, que me acentua a dor, quase física, de te não ter.
Amor? Romance? Liberdade? Auto estima? Sei lá o quê…
À mercê de todos os outros, sempre os outros no meu pensamento, ergo bem alta a herança do preconceito de ser leal a mim própria, aos meus desejos e sentimentos.
Pelo bem dos outros, não hesito em actos de autofagia do que quero, do que me faria sentir mais mulher, mais pessoa, mais eu.
Tenho, em agonia, uma máscara de sorrisos pregada no rosto que, em oferenda, fazem os outros um pouco mais felizes.
Ainda pelos outros, pela lealdade aos outros, pela regra do estipulado como virtude, sou a tecedeira parcimoniosa do mais ignóbil crime – deixar que a Vida, apenas desenhe rugas no meu corpo e amargue o meu olhar!
Poderão os outros ser bafejados com momentos de maior felicidade, originados pela insatisfação a que me voto? Ou será ilusão? Valerá a pena?
Olho-me ao espelho…é difícil ver-me por detrás da máscara.
Receio perder-me de vez…
Imagem de Katarzyna Widmanska
Gosto do fresco do Outono, nestas manhãs de Primavera.
Sinto o vento bater-me no rosto e, como uma carícia o Sol pousa em mim…
Sinto a tua presença a meu lado. Vem. Dá-me um momento de ti…
O vento revolta o meu cabelo. Ou serão as tuas mãos?
Sinto o teu cheiro dilatar-me os poros e, deixo-me cair nos meus sentimentos.
A tua boca aproxima-se da minha… já ávida da tua…
Colo-me ao teu corpo, desejando que este momento não pare.
Um frémito percorre-me e, pouco a pouco, todas as sensações explodem em mil ritmos e eu estou ali a desejar, que me possuas, que desfaças em mim, todas as ondas do teu querer…
Sinto os teus lábios percorrerem o meu corpo, e impulsivamente, volto-te deixando que a minha língua tome conta de ti.
Sacio a minha fome do teu sabor, do teu corpo, explodindo num frenesim que te faz sorrir.
- És uma selvagem, leoa!
Mergulho a cabeça no teu colo, espalhando o meu cabelo, que acaricia todo o teu corpo.
Sinto as tuas mãos, agarrarem-me fortemente a cabeça, pressionando para que fique…
Sacias-te nos meus lábios, enquanto a minha mão percorre os cantos mais íntimos do teu corpo, fazendo-te gemer de prazer…
E cada vez mais louco, aproximas-te de mim, possuindo-me como se eu fosse a tua própria carne.
As nossas almas fundem-se num grito de êxtase, que nada pode deter.
O desejo intenso em nós, não se sacia de uma só vez e retomamos a viagem, até à exaustão do nosso querer.
Abro os olhos e sorrio, mergulhando em ti o meu olhar. Tu és o meu oceano, a minha fonte jorrante.
Na possibilidade dos impossíveis, como é bom sentirmos o nosso corpo vibrar…
Imagem de Isabel Filipe daqui
O sol entra esplendoroso pela janela envidraçada do meu quarto, dando um tom misterioso ao aposento… afasto o lençol e deixo-me estar quieta.
Uma verdadeira sinfonia entoa através da clarabóia aberta, produzindo em mim um efeito maravilhoso.
De um salto, corro a abrir as portadas do terraço e descalça, percorro o espaço e deito-me na cadeira de repouso.
O trinado do melro continua muito mais alto, que qualquer outro.
Parece que ele percebeu que estou ali para o ouvir…De repente, atrevido, pula de telha em telha e aproxima-se do beiral.
Eu continuo quieta. A cor clara do meu pijamita, parece chamar-lhe a atenção. Ou seriam as minhas pernas nuas? Ele deixa-se estar a cantar para mim. E eu deixo-me estar a ouvi-lo.
O sol continua a sua rotação, embalada pelos trinados, divago nos meus pensamentos.
A calma do amanhecer liberta os meus sentidos e revejo-me como num filme a cores… o passado já não me dói… o presente apesar de tudo sorri-me, e o futuro está ali, no prazer de apreciar as pequenas coisas que a vida me proporciona.
Um poema que li recentemente, povoa o meu espírito…
“Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só a metade
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado
O logro da aventura
És Homem, não te esqueças!
Só é a tua loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.”
(Poema de Miguel Torga)
É hora de recomeçar o dia a dia… sorrio para o melro, que levanta voo, como percebendo que tinha cumprido a sua missão…serenando o meu espírito…corro liberta, sentindo-me feliz…
(memórias de mim...)
Pintura de Javier Azurdia
Queria ser capaz de ter as palavras certas para escrever o que me vai na alma.
Mas não as tenho, sinto-me perdida no tempo e no espaço, perdida no meio da gente, no meio de ninguém…
Procuro os meus sonhos. Aqueles que a ninguém confesso, procuro encontrar tudo aquilo que perdi e que nunca encontrei.
Sinto tudo como ontem, vivo no dia de hoje, preparando o amanhã.
Que me espera depois da noite? Que segredo me irá revelar o tempo? Anseio por uma vida, por um sentido, por amor, por um sonho que já foi realidade.
Perdi-me no tempo...Perdi-me em ti!
Quero voar pelo mundo, quero conhecer o que não conheço, quero amar o que não amo. Quero encontrar um sentido para a vida…
Quero deixar sair o que me vai na alma. Quero… quero… ou será, que na realidade, não quero, o que quero?
Sei o que procuro, sem saber o que quero.
Aspiro o ar que me envolve, que me lembra a ti, agarro-me à fina corrente invisível que ainda nos liga e penso… penso no tempo, no espaço, no ontem, no hoje, no amanhã, penso no momento....
Deste-me tanto, deste-me tão pouco, deste-me o tudo e tiraste-me o nada!
Sou tua. Profundamente tua, completamente tua e nada mais que tua. Quero ficar contigo; quero voltar ao passado, quero parar o tempo, o que sinto, o que receio.
Quero que leias isto. Que saibas quanto te amo...que passo as noites em branco, em busca de ti.
No frio que congelou a minha alma; quero que saibas que o tempo não passa, não mexe, não evolui.
Quero que saibas, o quanto significaste, significas e significarás para mim! Tu és parte de mim! Eu sou parte de ti....Ambos somos o todo!
Nunca te esqueças de mim.
Do amor que te dei. Do amor que recebi.
Sê feliz...

Imagem de Victor Jorgensen
A água corre silenciosamente da torneira…e uma ténue linha de fumo desenha-se no espelho à minha frente, enquanto preparo os sais e as essências onde me quero banhar…
A música toca baixinho…e ao som da RFM dispo-me lentamente numa sincronia perfeita, respondendo ao apelo da música, difundida no Oceano Pacifico.
Acendo meia dúzia de velas, dispostas religiosamente, que acentuam ainda mais a luminosidade transmitida através do espelho.
A voz da cantora inebria os meus sentidos, enquanto calmamente entro na água tépida da banheira.
Embalada pela voz sensual nem me apercebo do tempo que passou, quando sinto a sua presença, olhando-me com olhos malandros, enquanto despe calmamente a roupa que cai a seus pés.
Fixo o corpo nu à minha frente e sorrio num convite descarado, que ele aceita sem hesitar.
Reconheço a música que toca neste momento…sorrio… esta música…
Sinto as mãos percorrerem-me, como acompanhando a melodia e deixo-me arrastar…
Os meus lábios sequiosos, percorrem a sua pele, impedindo as mãos de me tocar. Quero ser eu a comandar os meus desejos e explodir o frenesim que pressinto em mim.
Busco nele a força que aumenta o meu desejo.
Um tremor perpassa-me, quando sinto o seu calor e ergo-me vigorosamente em ondas, que vão e vêm em busca da sensação que sinto dentro do meu corpo.
Arranho os seus ombros, penetrando-me cada vez mais fundo, enquanto sinto os lábios húmidos correrem o meu seio, mordiscando-me de uma forma que me deixa completamente louca…
Não tenho forma de impedir a agitação que me deleita deixando-o cada vez mais próximo da explosão que eu tento controlar temendo o fim que se aproxima…
De repente, a força do seu abraço força-me a mergulhar e sinto, que nada pode impedir o vigor abrasador, que numa convulsão afunda até ao fim em mim…
Tremo, numa sintonia espasmódica, que não consigo impedir, enquanto a música ao fundo de tudo, continua a tocar…
Abro os olhos… que loucura a minha…tremendo de frio, sozinha neste sonho, deixando as velas apagar…
(memórias minhas...)