Eternamente Menina

Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...








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  • Segunda-feira, Dezembro 31, 2007
    O amor


    Imagem de Isabel Filipe



    Ao dizer que te amo é

    como se as portas da vida se

    abrissem, e uma luz nascida de dentro

    do desejo de ti me trouxesse

    até mim. Mas ao dizer

    que te amo, são as portas

    da noite que se fecham, e é

    contigo que espero a última

    madrugada, onde entre

    mim e ti

    nenhumas portas existam.


    (Poema de Nuno Júdice)

    Publicado por menina_marota em 12/31 às 05:21 PM
    Categoria: Poesia • (8) Comentários
    Terça-feira, Dezembro 25, 2007
    Natal




    Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
    Era gente a correr pela música acima.
    Uma onda uma festa. Palavras a saltar.


    Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
    Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
    E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.


    Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
    No teu ritmo nos teus ritos.
    No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
    Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
    E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
    No teu sol acontecia.


    Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
    Todo o tempo num só tempo: andamento
    de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
    Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
    acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
    na cidade agitada pelo vento.


    Natal Natal (diziam). E acontecia.
    Como se fosse na palavra a rosa brava
    acontecia. E era Dezembro que floria.
    Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
    E era na lava a rosa e a palavra.
    Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

    (Manuel Alegre, in Coisa Amar - 1976)



    Imagem:
    Mestre Bertram, “Painel do Altar de Grabow: Natividade” (1383)

    Publicado por menina_marota em 12/25 às 10:09 AM
    Categoria: Poesia • (1) Comentários
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