Eternamente Menina

Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...








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  • Terça-feira, Julho 24, 2007
    Diz-me…


    Imagem Galerie Boulet


    Diz-me
    que cada palavra trocada
    que cada beijo molhado
    valem mais
    que números frios
    em catálogos gravados
    de uma vida que se perdeu…

    Diz-me
    que para lá deste aposento
    gaivotas esvoaçam ao vento
    de momentos constantes
    perdidos em emoções
    e permanentes ilusões
    que não acabam
    em leilão…

    Diz-me
    que as nossas mãos se unirão
    mais uma vez em nossos corpos sedentos
    daquela magia que nos juntou…

    Diz-me
    que afinal
    nada terminou…


    Diz-me…


    Publicado por menina_marota em 07/24 às 01:32 AM
    Categoria: Poesia • (13) Comentários
    Quarta-feira, Julho 18, 2007
    Terra Proíbida

    Poema deixado num comentário...aqui



    Imagem de Drica Del Nero


    Os olhos do homem extasiaram-se
    Na muda contemplação da Terra.

    E na sua alma de poeta
    Nos seus olhos de artista
    No seu gosto de esteta
    O sonho se definiu
    Tomou forma
    Cresceu.

    Aureolado de esperança
    Tirou do alforge das suas ilusões
    Um punhado de sementes
    E lançou-as à terra.

    E através do prisma da sua imaginação
    As sementes germinaram
    E numa explosão de cor
    Floriram:

    Aqui
    As rosas brancas da amizade;
    Além
    O amarelo do jasmim da dedicação;
    Acolá
    O azul das glicínias da ternura;
    Mais além
    A mancha forte, rubra, dos cravos
    Na significação emblemática do Amor.

    E evolando-se da terra
    O odor agridoce dos desejos..

    Então,
    Miríades de borboletas
    Descendo
    Na sua graça alada
    Da poalha doirada do Sol
    Vieram
    Policromas e belas,
    Poisar levemente nas flores
    Levando
    De corola em corola,
    O pólen da fecundação.

    E,
    Quando em êxtase se perdia
    Na amorosa contemplação
    Da beleza que o cercava
    O homem foi
    Subitamente,
    Cruamente,
    Acordado pela Razão.

    Na aridez ressequida da realidade
    Viu
    Que a terra fecunda em que lançara
    Esperançoso, as suas esperanças
    Onde depositara,
    Cheio de ilusão,
    As suas ilusões
    A terra promissora
    Que tratara com a ternura do seu querer,
    Que sulcara com o arado dos seus desejos,
    Que fertilizara com o húmus do seu amor,
    Essa terra
    Onde enraizara as suas esperanças
    Lhe era proibida.

    E o HOMEM,
    De novo reduzido à sua condição de homem
    Partiu
    Cabisbaixo
    E triste
    Levando no seu alforge esburacado
    O vazio do seu desalento


    (Poema de Carlos Ferreira in Garatujando )

    Publicado por menina_marota em 07/18 às 01:56 AM
    Categoria: Poesia • (5) Comentários
    Segunda-feira, Julho 09, 2007
    Livros…

    Pintura de Frederick Leighton

    A generosidade da Pink uma das mais fiéis leitoras deste blogue, desde o seu início, desafiou-me para uma das coisas mais difíceis, mas de que mais gosto: falar dos livros que leio.

    Fui sempre uma leitora (e compradora) compulsiva de livros. Quer seja poesia ou literatura. Falar de livros, não será para mim, um tema de circunstância, porque afinal, muita da literatura que li, marcou a minha personalidade e a minha escolha de filosofia de vida…

    Nos meus tempos de menina, na minha fase romântica, (confesso que ainda sou) chorei quando li “Jane Eyre”, de Charlotte Bronte, ou mesmo “O Monte dos Vendavais”, de sua irmã Emily Bronte, ou quando passava noites inteiras acordada lendo obras de (retiradas às escondidas, da biblioteca do meu Pai) Camões, Florbela Espanca, Afonso Lopes Vieira, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Sebastião da Gama, Miguel Torga, João de Deus, Antero de Quental, Natália Correia, Eríco Veríssimo, Marguerite Duras, António Botto, Teixeira de Pascoaes, Aquilino Ribeiro, Júlio Dinis, Alexandre Herculano, Walter Scott, Thomas Moore, Aldous Huxley, Honoré de Balzac, Jorge Amado, Charles Dickens, Camilo Pessanha ou um Eça de Queirós…

    Houve uma altura que “estudei” Homero, Ovídio, Virgílio, mas depressa passei para Cervantes e ler o seu “D. Quixote de La Mancha” foi qualquer coisa que me marcou até hoje. Depois vieram leituras empolgantes, como “Anna Karenina” ou “Guerra e Paz” de Leon Tolstói, ou “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, que me levou a desejar ler ainda mais e aí apareceram autores, como Dostoiévski, Gorki, Gogol, Tolstoi, Tchekhov.

    “ O Primeiro Amor” de Isaak Babel, deixou-me com dúvidas terríveis, mas depressa as esqueci a ler a fantástica obra de Anatoly Kuznetsov “Babi Yar” que me levou aos horrores do holocausto…

    Já numa outra fase, apaixonei-me por Friedrich Nietzsche e dele retirei um pouco da sua “loucura”.

    Numa viagem de vinte e dois dias por mar, li os quatro volumes de “O Don Tranquilo”, de Mikahail Chólokhov e depois interessei-me pela obra poética de Mikhail Lermontov de que aqui deixo um excerto:

    “Ó nuvens pelos céus que eternamente andais!
    Longo colar de pérolas na estepe azul,
    exiladas como eu, correndo rumo ao sul,
    longe do caro norte que, como eu, deixais!

    Que vos impele assim? Uma ordem do Destino?
    Oculto mal secreto? Ou mal que se conhece?
    Acaso carregais o crime que envilece?
    Ou só de amigos vis o torpe desatino?

    Ali não: fugis cansadas da maninha terra,
    e estranhas a paixões e ao sofrimento estranhas
    eternas pervagais as frígidas entranhas.
    E não sabeis, sem pátria, a dor que o exílio encerra”

    (“Nuvens”, de Mikhail Iurievitch Lermontov, in Poesia de 26 Séculos, Ed.Asa
    (pág.246)


    Chega de falar dos livros que já li. Passemos aos que actualmente estou a ler, ou antes, a reler…exactamente nas páginas onde vou…


    “Vimos de nada e vamos para onde.
    Perguntamos, e nada nos responde,
    A verdade e a mentira são irmãs:
    O que é que o evidente nos esconde?
    …(excerto)

    (in “Canções de Beber” de Fernando Pessoa), Assírio&Alvim
    (pág.84)


    Capa do livro


    “…Quem observasse o viver de Camilo assim parco na mesa só ampliada quando a ela se assentavam estranhos, como singelo no adorno da casa, rejeitava a suspeita de ostentação naquele grande espírito.”

    (in Camilo” visto por Freitas Fortuna, Edição da “Casa de Camilo”

    “Digo que não
    Ao medo
    Que me apavora;
    E juro ao coração
    Que virá cedo
    A calma que demora.”
    …(excerto)


    (in “Orfeu Rebelde” de Miguel Torga) Edição Particular, Coimbra
    (pág. 44)


    “…Quanto maior é a cidade mais anonimamente se vive nela. Parecendo que não, isso repousa os nervos. É evidente que há parecenças em todas as partes do mundo, mas é diferente constatar parecenças do que viver a permanência….”

    (In Banana SPLIT” de Rui de Brito), Pub. Europa-América
    (pág.88)

    “...Ver-se-ia então a noite instalar-se no mundo, as montanhas cobrirem-se de florestas e as florestas povoarem-se de feras.
    Quanto aos costumes e maneiras dos povos, uma carapaça de gelo os cobriria…”

    (in “Salvo-conduto” de Boris Pasternak), Bibliotex Editor
    (pág. 45)



    Retrato de Eugénio de Andrade por Dórdio Gomes

    “Acorda-me
    um rumor de ave.
    Talvez seja a tarde
    a querer voar.

    A levantar do chão
    qualquer coisa que vive,
    e é como um perdão
    que não tive

    Talvez nada.
    Ou só um olhar
    que na tarde fechada
    é ave.

    Mas não pode voar.

    (in “30 Poemas”, de Eugénio de Andrade) Fundação Eugénio de Andrade
    (pág.15)

    Publicado por menina_marota em 07/09 às 01:04 AM
    Categoria: Crónicas • (7) Comentários
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