Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Diz-me
que cada palavra trocada
que cada beijo molhado
valem mais
que números frios
em catálogos gravados
de uma vida que se perdeu…
Diz-me
que para lá deste aposento
gaivotas esvoaçam ao vento
de momentos constantes
perdidos em emoções
e permanentes ilusões
que não acabam
em leilão…
Diz-me
que as nossas mãos se unirão
mais uma vez em nossos corpos sedentos
daquela magia que nos juntou…
Diz-me
que afinal
nada terminou…
Diz-me…
Poema deixado num comentário...aqui
Imagem de Drica Del Nero
Os olhos do homem extasiaram-se
Na muda contemplação da Terra.
E na sua alma de poeta
Nos seus olhos de artista
No seu gosto de esteta
O sonho se definiu
Tomou forma
Cresceu.
Aureolado de esperança
Tirou do alforge das suas ilusões
Um punhado de sementes
E lançou-as à terra.
E através do prisma da sua imaginação
As sementes germinaram
E numa explosão de cor
Floriram:
Aqui
As rosas brancas da amizade;
Além
O amarelo do jasmim da dedicação;
Acolá
O azul das glicínias da ternura;
Mais além
A mancha forte, rubra, dos cravos
Na significação emblemática do Amor.
E evolando-se da terra
O odor agridoce dos desejos..
Então,
Miríades de borboletas
Descendo
Na sua graça alada
Da poalha doirada do Sol
Vieram
Policromas e belas,
Poisar levemente nas flores
Levando
De corola em corola,
O pólen da fecundação.
E,
Quando em êxtase se perdia
Na amorosa contemplação
Da beleza que o cercava
O homem foi
Subitamente,
Cruamente,
Acordado pela Razão.
Na aridez ressequida da realidade
Viu
Que a terra fecunda em que lançara
Esperançoso, as suas esperanças
Onde depositara,
Cheio de ilusão,
As suas ilusões
A terra promissora
Que tratara com a ternura do seu querer,
Que sulcara com o arado dos seus desejos,
Que fertilizara com o húmus do seu amor,
Essa terra
Onde enraizara as suas esperanças
Lhe era proibida.
E o HOMEM,
De novo reduzido à sua condição de homem
Partiu
Cabisbaixo
E triste
Levando no seu alforge esburacado
O vazio do seu desalento
(Poema de Carlos Ferreira in Garatujando )

A generosidade da Pink uma das mais fiéis leitoras deste blogue, desde o seu início, desafiou-me para uma das coisas mais difíceis, mas de que mais gosto: falar dos livros que leio.
Fui sempre uma leitora (e compradora) compulsiva de livros. Quer seja poesia ou literatura. Falar de livros, não será para mim, um tema de circunstância, porque afinal, muita da literatura que li, marcou a minha personalidade e a minha escolha de filosofia de vida…
Nos meus tempos de menina, na minha fase romântica, (confesso que ainda sou) chorei quando li “Jane Eyre”, de Charlotte Bronte, ou mesmo “O Monte dos Vendavais”, de sua irmã Emily Bronte, ou quando passava noites inteiras acordada lendo obras de (retiradas às escondidas, da biblioteca do meu Pai) Camões, Florbela Espanca, Afonso Lopes Vieira, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Sebastião da Gama, Miguel Torga, João de Deus, Antero de Quental, Natália Correia, Eríco Veríssimo, Marguerite Duras, António Botto, Teixeira de Pascoaes, Aquilino Ribeiro, Júlio Dinis, Alexandre Herculano, Walter Scott, Thomas Moore, Aldous Huxley, Honoré de Balzac, Jorge Amado, Charles Dickens, Camilo Pessanha ou um Eça de Queirós…
Houve uma altura que “estudei” Homero, Ovídio, Virgílio, mas depressa passei para Cervantes e ler o seu “D. Quixote de La Mancha” foi qualquer coisa que me marcou até hoje. Depois vieram leituras empolgantes, como “Anna Karenina” ou “Guerra e Paz” de Leon Tolstói, ou “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, que me levou a desejar ler ainda mais e aí apareceram autores, como Dostoiévski, Gorki, Gogol, Tolstoi, Tchekhov.
“ O Primeiro Amor” de Isaak Babel, deixou-me com dúvidas terríveis, mas depressa as esqueci a ler a fantástica obra de Anatoly Kuznetsov “Babi Yar” que me levou aos horrores do holocausto…
Já numa outra fase, apaixonei-me por Friedrich Nietzsche e dele retirei um pouco da sua “loucura”.
Numa viagem de vinte e dois dias por mar, li os quatro volumes de “O Don Tranquilo”, de Mikahail Chólokhov e depois interessei-me pela obra poética de Mikhail Lermontov de que aqui deixo um excerto:
Longo colar de pérolas na estepe azul,
exiladas como eu, correndo rumo ao sul,
longe do caro norte que, como eu, deixais!
Que vos impele assim? Uma ordem do Destino?
Oculto mal secreto? Ou mal que se conhece?
Acaso carregais o crime que envilece?
Ou só de amigos vis o torpe desatino?
Ali não: fugis cansadas da maninha terra,
e estranhas a paixões e ao sofrimento estranhas
eternas pervagais as frígidas entranhas.
E não sabeis, sem pátria, a dor que o exílio encerra”
(“Nuvens”, de Mikhail Iurievitch Lermontov, in Poesia de 26 Séculos, Ed.Asa
(pág.246)
Chega de falar dos livros que já li. Passemos aos que actualmente estou a ler, ou antes, a reler…exactamente nas páginas onde vou…
“Vimos de nada e vamos para onde.
Perguntamos, e nada nos responde,
A verdade e a mentira são irmãs:
O que é que o evidente nos esconde?
…(excerto)
(in “Canções de Beber” de Fernando Pessoa), Assírio&Alvim
(pág.84)

Capa do livro
“…Quem observasse o viver de Camilo assim parco na mesa só ampliada quando a ela se assentavam estranhos, como singelo no adorno da casa, rejeitava a suspeita de ostentação naquele grande espírito.”
(in Camilo” visto por Freitas Fortuna, Edição da “Casa de Camilo”
“Digo que não
Ao medo
Que me apavora;
E juro ao coração
Que virá cedo
A calma que demora.”
…(excerto)
(in “Orfeu Rebelde” de Miguel Torga) Edição Particular, Coimbra
(pág. 44)
“…Quanto maior é a cidade mais anonimamente se vive nela. Parecendo que não, isso repousa os nervos. É evidente que há parecenças em todas as partes do mundo, mas é diferente constatar parecenças do que viver a permanência….”
(In Banana SPLIT” de Rui de Brito), Pub. Europa-América
(pág.88)
“...Ver-se-ia então a noite instalar-se no mundo, as montanhas cobrirem-se de florestas e as florestas povoarem-se de feras.
Quanto aos costumes e maneiras dos povos, uma carapaça de gelo os cobriria…”
(in “Salvo-conduto” de Boris Pasternak), Bibliotex Editor
(pág. 45)

Retrato de Eugénio de Andrade por Dórdio Gomes
“Acorda-me
um rumor de ave.
Talvez seja a tarde
a querer voar.
A levantar do chão
qualquer coisa que vive,
e é como um perdão
que não tive
Talvez nada.
Ou só um olhar
que na tarde fechada
é ave.
Mas não pode voar.
(in “30 Poemas”, de Eugénio de Andrade) Fundação Eugénio de Andrade
(pág.15)