Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Talvez nunca a beleza fosse tanta
Como entre os montes amadurecidos
E quando as casas se elevam
Entre o ouro e o fumo da tarde.
Silêncio que parece vir do lento
Passado
Vozes que se dão em resignada melancolia
E tomam a forma dos frutos
Vinho e sombra que apagam o mar
Nas árvores
Onde não tardará o abandono
Memória do que somos.
Repousam sobre a noite os grous
Enquanto as cidades crescem à nossa volta
Contra o sul vencido.
Vento ramo e sombra que caem
Sobre as janelas ardentes:
Lá onde a púrpura se reclina
Sobre a água
A verdade começa a surgir da espuma.
(Poema de Henrique Dória )
Como as crianças caminhava para Oriente,
Acreditando que podia tocar o sol com as mãos;
Como as crianças ia pela terra redonda
Perseguindo o horizonte e a quimera solar.
Estava a igual distância do oriente de oiro
Por mais que caminhasse e voltasse a caminhar
Então fiz como as crianças: sentindo a marcha inútil
Colhi flores do chão e comecei a brincar.
Alfonsina Storni in “Poesia no Mundo” (pág.9)

Até breve...
Pintura de William Mulready daqui
É pelo teu rosto em que as marés passam,
pelos teus lábios em que voam gaivotas,
pelos teus dedos em que a luz perpassa,
pelos teus olhos que me traçam as rotas,
que este barco encontra o caminho,
que este dia descobre que não é tarde,
que as palavras se bebem como vinho,
e o fogo não queima quando arde.
É no que me dizes quando a noite fala,
no que perdura da manhã que se esquece,
no que é dito em tudo o que se cala,
e não precisa de ser dito quando amanhece.
Pode ser o amor tantas vezes sentido,
ou só aquilo que vive no coração,
pode ser o que pensava ter esquecido,
e regressa agora pela tua mão.
Quantas vezes já foi primavera,
e logo aí as flores morreram:
até ao dia em que nada ficou como era,
e todas as folhas mortas reverdeceram.
Poema de Nuno Júdice