Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Pintura de James Fitz-Patrick
Amor, sobre a filosofia do amor.
Estas três horas que gastámos,
Caminhando até aqui, duas sombras,
Nos acompanharam, produzidas por nós próprios.
Agora, o sol está a pino sobre a nossa cabeça
Nós pisamos essas sombras,
E todas as coisas se reduzem à ousada claridade.
Assim, enquanto o nosso jovem amor crescia,
Máscaras e sombras se retiravam
De nós, e de nossos cuidados; mas agora mudou.
Não atingiu o seu grau mais elevado o Amor
Que se preocupa ainda com o medo de ser visto.
A não ser que o nosso amor se detenha nesta pausa de meio-dia,
Novas sombras criaremos quando do regresso.
Como as primeiras foram feitas para cegar
Os outros, estas que vêm por detrás
Irão agir sobre nós próprios, cegando nossos olhos
Uma vez nosso amor desfalecido, declinando para oeste,
Falsamente, tu para mim as tuas
E eu para ti as minhas acções, disfarçaremos.
As sombras da manhã ir-se-ão dissipando,
Mas estas alongar-se-ão por todo o dia:
Oh, como é curto o dia do amor, se o amor se esvai.
O amor é uma luz crescente e constante, ou em constante plenitude,
E o seu primeiro minuto depois do meio-dia é já noite.
(Poema de John Donne in Poemas Eróticos)
*Trad. Helena Basbas- Pág. 179)*
(1572-1631)
Pintura de Carmen Manno
o corpo
o tempo já vencido
os dedos que me
vogam
nos cabelos
e os lábios que me
roçam pela boca
nesta mansa tontura
em nunca tê-los…
Meu amor
que quartos na memória
não ocupamos nós
se não partimos…
Mas porque assim te invento
e já te troco as horas
vou passando dos teus braços
que não sei
para o vácuo em que me deixas
se demoras
nesta mansa certeza que não vens.
(Poema de Maria Teresa Horta)
...é o tempo de existência deste espaço e em que sinto o carinho de todos aqueles, que fazem com que ainda continue.
Pintura de Ina Lukauskaite
debruço às vezes, serena, o meu olhar,
para no meio do sol poente
ver o Mundo por mim passar.
Já fui menina e moça e ergo contente,
os meus olhos castanhos para o ar
e, ao clarão do luar adolescente,
como todos, um dia aprendi também, a amar.
E fui princesa de sonhos estonteantes,
heroína de mil baladas e poemas,
nos braços do meu cavaleiro andante
descobri os prazeres de ser terrena.
Desfolha-se na areia mais um dia:
uma dor, uma esperança, uma alegria.
O dia morre. Uma saudade vem
na magia que este Mundo tem…

A Clarinda Galante
teve a gentileza de me enviar uma flor das Dunas do Guincho…
Imagem de Howard Austin Feld
Ignoro o que seja a flor da água
mas conheço o seu aroma:
depois das primeiras chuvas
sobe ao terraço,
entra nu pela varanda,
o corpo inda molhado
procura o nosso corpo e começa a tremer:
então é como se na sua boca
um resto de imortalidade
nos fosse dado a beber,
e toda a música da terra,
toda a música do céu fosse nossa,
até ao fim do mundo,
até amanhecer.
Eugénio de Andrade in Branco no Branco (1984)
Fotografia de autor desconhecido
encontro o equilíbrio perfeito.
Não encontro ninguém e ninguém
me encontra também.
Na madrugada, percorro
meus sonhos que não sonhei
sinto abraços que não dei
e beijos que acalento
no desespero e
ao vento os mandei.

Imagem autor desconhecido
Esta tarde,
de ideias e preconceitos
e revi-me nas memórias de um tempo
que ainda não terminou.
Exalei meu perfume de fêmea madura,
expirei meu suspiro de loba faminta,
olhei para dentro de mim
e revi-me nos braços de um passado,
que se tornou presente,
de quimeras e luares,
de suores e verdades,
de paixão quente
que nunca esfriou.
Esta tarde,
sentei-me na areia
e na simplicidade
de todas as horas perfeitas,
revi-me em momentos
sublimes, únicos
onde fomos
os actores principais.
Esta tarde,
no cheiro do silêncio
que se confunde com o rumor do mar
saciei-me na voz que não ouvi,
na meiguice das palavras que não disse,
na mão que procurei e não descobri.
...segui meu caminho deixando o mar para trás,
levando no coração o calor da frieza irónica da solidão,
que senti no meio da multidão.
Desta tarde…
nada mais resta...anoiteceu…
(memórias minhas...)

Pintura de Zhaoming Wu
que sonhando-me
sonhas-me,
em teus braços,
mil beijos
sussurrados
Sonho-te
e sonhando-me
amo-te
no rasgar da pele
buscando
carícias longas
entregando-me
Sonho-te
no abraço incontido
corpo entregue
vencido
em noites de vendaval
E esse perfume errante
- seiva quente -
dá vida dá alento
mesmo que não passando
de ilusão,
que se desfaz em nada,
tal qual nuvem
em tarde de Verão.
Sonho-te
que sonhando-me
sonhas-me…
amando-te…