Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Imagem de autor desconhecido
Saboreia o mesclado do meu sentir
como romã rubra deixada na tua boca,
acordando sentidos em êxtase peregrinos
como sol em dias quentes de Agosto.
Do meu peito apreende essa canção suprema
que sempre bela tem ao tempo resistido,
o amor é um poema
que só poetas sabem seu sentido.
Minhas palavras porém ficam aquém do pensamento…
Palavras que ainda não foram gastas
(podem-se gastar as palavras?)
em vidas vividas de sóis nascidos
alados em caminhos de pedra polida
brilhando no rasgar do sol-pôr
ecos esdrúxulos ouço em silvo estrídulo
roçando por mim em lúcido sonho…
Porque na vida vivida sem gosto e sem sal
não escorre do corpo a seiva que estonteia
numa estranha volúpia como cordas de violino
sopros que a brisa calmamente adivinha
em teu olhar que fulgurante, reluz.
Trazes no corpo o fruto fecundo
na alma a doçura das marés por descobrir
feita de aromas inebriantes e falaz luz
que deslumbrada em sonhos hipnóticos me traz
uma visão alada, incorpórea, fugaz.
Trazes na voz a força do trovão
a fragrância da terra molhada
o suspiro das folhas que se libertam
na loucura de um instante
povoando de sonhos os jardins da quimera.
Trazes em ti a doçura das mulheres que amaste
fruto amadurecido que tua semente germinou
o teu olhar condensa o mar habitado
num fogo sentido que não se apagou…
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Óleo sobre tela de Tamara de Lempicka
Como dizer-te
que povoas
o meu sono,
ao cair da noite,
quando o dia termina,
despertando sensações
há muito escondidas em mim.
Como dizer-te
que em sonhos,
tuas mãos afagam
meus cabelos,
e percorrem-me
ondas de emoção…
Como dizer-te
que tua voz
me possui, entrando
no meu ouvido, como seta
directa ao coração.
Como dizer-te
das sensações primeiras
coração aberto
sorriso franco
em sangue quente
que me inunda
e dá alento.
Como dizer-te
que és maré alta
em noite de lua cheia.
Como dizer-te…
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Imagem de autor desconhecido
Não digas nada!
Não, nem a verdade!
Há tanta suavidade
Em nada se dizer
E tudo se entender
Tudo metade
De sentir e de ver…
Não digas nada!
Deixa esquecer.
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda esta viagem
Até onde quis.
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz…
Não digas nada.
(Poema de Fernando Pessoa)
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)