Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Pintura de Olga Sinclair
Uma folha tomba do plátano, um frémito sacode o imo do cipreste,
És tu que me chamas.
Olhos invisíveis sulcam a sombra, penetram-me como à parede os pregos,
És tu que me fitas.
Mãos invisíveis nos ombros me tocam, para as águas dormentes do lago me atraem,
És tu que me queres.
De sob as vértebras com pálidos toques ligeiros a loucura sai para o cérebro,
És tu que me penetras.
Não mais os pés pousam na terra, não mais pesa o corpo nos ares, transporta-o a vertigem
obscura
És tu que me atravessas, tu.
Poema de Ada Negri
Trad. de Jorge de Sena
Óleo de Guillaume Seignac
Da grande página aberta do teu corpo
sai um sol verde
um olhar nu no silêncio de metal
uma nódoa no teu peito de água clara
Pela janela vejo a pequenina mão
de um insecto escuro
percorrer a madeira no momento intacto
meus braços agitam-se como uma bandeira em brasa
ó favos de sol
Da grande página aberta
sai a água de um chão vermelho e doce
saem os lábios de laranja beijo a beijo
o grande sismo do silêncio
em que soberba cais vencida flor
António Ramos Rosa in «Antologia Poética»
- “Nos Seus Olhos de Silêncio” 1970 -

E me embrenho nas palavras significativas
De símbolos pairando nas entrelinhas
Que desvio… desvias…
Como se o tempo delas não fizesse sentido
E falamos com leveza
Da futilidade dos dias
Da doença das viagens em cadência
Do tudo e do nada que temos
Na omissão constante de brilhos plenos
E sorrio… sorris…
Num prolongado breve momento
De um tempo ido… sem fim
E cruzam-se a esperança e a nostalgia
Entre nossos anos leves de vento
Encanecidos nos cabelos
Que fio… que fias…
Pelas palavras serenas
Merecidas e eternas
Numa entrega simbólica e plena
Sem tempo…
(Poema de Amita)
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
Óleo de Joan Beltrn Bofill
Nunca deixes de ser essa eterna romântica que és. Nunca percas a capacidade de sonhar...nunca! ”
Imagem de Jnos Makray
Apesar do frio, o sol brilhara o dia todo e ela deixara-se ali estar, entregue aos seus pensamentos, passando em memória os últimos anos da sua vida.
As coisas belas que lhe tinham acontecido, fizeram-na sorrir… as memórias da sua vida, que guarda com carinho, no interior da sua alma.
Em cada margem
Em cada ponte
Encostou-se à rocha, sentindo o seu frio, mas isso não a incomodou. Ao longe, uma musica suave confundia-se com o rumor do mar e ela deixou-se embalar pelo som das ondas.
Um toque suave no seu cabelo rebelde, acorda-a do marasmo. Não pressentira a sua presença e olharam-se nos olhos.
Nesse olhar, há um mundo de magia que os une e instintivamente abraça-o.
e no vento, escuta a voz do horizonte que parte para a descoberta
de sonhos e de saudade…
- Oh! Momento de estranha magia, sente seus lábios percorrerem a pele como uma brisa, fundindo-se nela como encantamento. O calor do seu corpo percorre-a, com um enternecimento abrasador, acordando repentinas sensações dentro da sua alma e um desejo profundo, de se envolver nos seus braços, fazem-na tremer.
A voz sussurra-lhe palavras inaudíveis e o seu corpo é uma onda azul que avassala e sente roçar lasciva uma carícia exótica.
Deliciosamente irresistível o seu abraço percorre-lhe o corpo e…
A boca na sua boca se incendeia…