Eternamente Menina

Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...








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  • Terça-feira, Janeiro 30, 2007
    Multidão…


    Pintura de Olga Sinclair



    Uma folha tomba do plátano, um frémito sacode o imo do cipreste,
    És tu que me chamas.

    Olhos invisíveis sulcam a sombra, penetram-me como à parede os pregos,
    És tu que me fitas.

    Mãos invisíveis nos ombros me tocam, para as águas dormentes do lago me atraem,
    És tu que me queres.

    De sob as vértebras com pálidos toques ligeiros a loucura sai para o cérebro,
    És tu que me penetras.

    Não mais os pés pousam na terra, não mais pesa o corpo nos ares, transporta-o a vertigem
    obscura

    És tu que me atravessas, tu.


    Poema de Ada Negri
    Trad. de Jorge de Sena

    Publicado por menina_marota em 01/30 às 01:20 AM
    Categoria: Poesia • (9) Comentários
    Sexta-feira, Janeiro 19, 2007
    Da grande página aberta do teu corpo


    Óleo de Guillaume Seignac


    Da grande página aberta do teu corpo
    sai um sol verde
    um olhar nu no silêncio de metal
    uma nódoa no teu peito de água clara

    Pela janela vejo a pequenina mão
    de um insecto escuro
    percorrer a madeira no momento intacto
    meus braços agitam-se como uma bandeira em brasa
    ó favos de sol

    Da grande página aberta
    sai a água de um chão vermelho e doce
    saem os lábios de laranja beijo a beijo
    o grande sismo do silêncio
    em que soberba cais vencida flor

    António Ramos Rosa in «Antologia Poética»

    - “Nos Seus Olhos de Silêncio” 1970 -

    Publicado por menina_marota em 01/19 às 12:26 AM
    Categoria: Poesia • (9) Comentários
    Sexta-feira, Janeiro 12, 2007
    Sem Tempo…





    E conversas comigo…

    E me embrenho nas palavras significativas
    De símbolos pairando nas entrelinhas
    Que desvio… desvias…
    Como se o tempo delas não fizesse sentido

    E falamos com leveza
    Da futilidade dos dias
    Da doença das viagens em cadência
    Do tudo e do nada que temos
    Na omissão constante de brilhos plenos

    E sorrio… sorris…
    Num prolongado breve momento
    De um tempo ido… sem fim
    E cruzam-se a esperança e a nostalgia
    Entre nossos anos leves de vento
    Encanecidos nos cabelos

    Que fio… que fias…
    Pelas palavras serenas
    Merecidas e eternas
    Numa entrega simbólica e plena
    Sem tempo…



    (Poema de Amita)


    Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
    (Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

    Óleo de Joan Beltrn Bofill

    Publicado por menina_marota em 01/12 às 07:10 PM
    Categoria: Poesia • (11) Comentários
    Terça-feira, Janeiro 02, 2007
    Beijo…
    “Pegara-lhe nas mãos e dissera-lhe carinhosamente:
    Nunca deixes de ser essa eterna romântica que és. Nunca percas a capacidade de sonhar...nunca! ”


    Imagem de Jnos Makray

    Lembrou-se destas palavras, vendo o sol entrar no mar, tornando o horizonte vermelho fogo.
    Apesar do frio, o sol brilhara o dia todo e ela deixara-se ali estar, entregue aos seus pensamentos, passando em memória os últimos anos da sua vida.
    As coisas belas que lhe tinham acontecido, fizeram-na sorrir… as memórias da sua vida, que guarda com carinho, no interior da sua alma.

    Em cada margem
    Em cada ponte

    Quantos rios tivera que atravessar, quantas pontes a separaram de sonhos que albergou?
    Encostou-se à rocha, sentindo o seu frio, mas isso não a incomodou. Ao longe, uma musica suave confundia-se com o rumor do mar e ela deixou-se embalar pelo som das ondas.
    Um toque suave no seu cabelo rebelde, acorda-a do marasmo. Não pressentira a sua presença e olharam-se nos olhos.
    Nesse olhar, há um mundo de magia que os une e instintivamente abraça-o.


    Mergulha nas águas o seu coração sonhando
    e no vento, escuta a voz do horizonte que parte para a descoberta
    de sonhos e de saudade…

    A tarde deu lugar à noite, desfolhando-se na areia mais um dia, subindo mais alto o aroma de cada flor, sentindo vibrar de seiva a areia fria…
    - Oh! Momento de estranha magia, sente seus lábios percorrerem a pele como uma brisa, fundindo-se nela como encantamento. O calor do seu corpo percorre-a, com um enternecimento abrasador, acordando repentinas sensações dentro da sua alma e um desejo profundo, de se envolver nos seus braços, fazem-na tremer.
    A voz sussurra-lhe palavras inaudíveis e o seu corpo é uma onda azul que avassala e sente roçar lasciva uma carícia exótica.
    Deliciosamente irresistível o seu abraço percorre-lhe o corpo e…


    O olhar no seu olhar como fogo
    A boca na sua boca se incendeia…

    Publicado por menina_marota em 01/02 às 01:30 AM
    Categoria: Contos • (23) Comentários
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