Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Imagem de Isabel Filipe
Paixão é arder o coração.
No frio ter calor,
Na noite ver-te assim, num clarão,
No peito sentir essa dor!
Paixão é sentir um calor,
Um arrepio, uma emoção,
Pensar que é dor
Olhar-te e perder a Razão!
Paixão é o que sinto,
Quando vens num abraço,
E nisso não minto,
És o meu embaraço.
Paixão, é um querer contente,
Um alegre, um triste,
Quando a saudade se sente,
Como quando tu partiste.
Paixão é assim uma flor,
Que cresce rapidamente
E não vai, não fica,
Mas nos marca,
E fica em nós,
Profundamente!
Paixão é um escuro,
um clarão!!!
Paixão é um sim,
um não!!!
(Poema de Delfim Peixoto)
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Imagem de Garmash
Gosto quando me falas de ti… e vou te percorrendo
e vou descortinando a tua vida na paisagem sem nuvens,
cenário de meus desejos tranquilos.
Gosto quando me falas de ti… e então percebo
que antes mesmo de chegar, me adivinhavas,
que ninguém te tocou, senão o vento
que não deixa vestígios, e se vai
desfeito em carícias vãs...
Gosto quando me falas de ti… quando aos poucos a luz
vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro
e te reencontro em teus lábios, apenas pintados,
maduros,
mas nunca mordidos antes da minha audácia.
Gosto quando me falas de ti… e muito mais adiantas
em teus olhos descampados, sem emboscadas,
e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol
distendido,
e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja
primeira curva
foi o nosso encontro.
Gosto quando me falas de ti… porque percebo que te desnudas
como uma criança, sem maldade,
e que eu cheguei justamente para acordar tua vida
que se desenrola inútil como um novelo
que nos cai no chão...
(J.G. de Araújo Jorge, do Livro “Quatro Damas”, 1a ed. 1965)
Com endereço… e com a ternura do meu coração...
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Imagem de Edson Campos
Deitado a dormir entre os afagos da noite
Vi o meu amor debruçar-se sobre o meu leito triste,
Pálida como a mais escura folha do lírio ou corola
De pele macia e escura, o pescoço nu para ser mordido,
Transparente de mais para corar, tão quente para ser branca,
Apenas de uma cor perfeita sem branco nem vermelho.
E os lábios abriram-se-lhe amorosamente e disseram -
Nem sei bem o quê, excepto uma palavra - Deleite.
E a face dela era toda mel na minha boca,
E o corpo dela todo pasto a meus olhos;
Os braços longos e lentos, as mãos quentes de fogo,
As ancas frementes, o cabelo a cheirar a Sul,
Os pés leves luzentes, as coxas esplêndidas e dóceis
E as pálpebras fulgentes com o desejo da minha alma.
(Poema de Algernon C. Swinburne)
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
Pintura de Ana Maria Jaramillo
e
desenho o teu perfume…
Visto-o
e
percorro-te a alma por entre a pele que te chama
e
deixo-me vaguear nos caminhos que nos levam as mãos…
As ruas são nossas
e
o luar abraça-nos o desejo…
Encanto-me na música,
que não oiço
e
sonâmbulo,
atravesso a ponte que me prende
e
dissolvo-me em ti …
(sem data…, porque o amor não a tem...)
Poema do Almaro

Imagem Google
Falas-me
com os olhos
das palavras
rios
que rasgam horizontes
em verdes prados
nascidos
na tua voz
feita de desafios…
Voz da noite
inquietante,
entre o tom e o som
subindo mais alto
aromas vibrantes
de seiva húmida,
em fúrias de desejo.
Oh, Momento
de estranha sinfonia,
um cântico de amor,
na Voz do horizonte
névoa
do infinito
reminiscência pálida
de um grito
que sai rouco,
vibrante,
da tua Voz…
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)