Eternamente Menina

Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...








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  • Sexta-feira, Outubro 20, 2006
    Não adormeças

    Imagem de Alberto Vargas



    Não adormeças: o vento ainda no meu quarto
    e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
    das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
    da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

    Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
    no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
    a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
    de quatro folhas; e das ervas mais húmidas e chãs
    com que em casa se cozinhavam perfumes que ainda hoje
    te mordem os gestos e as palavras.

    O meu corpo gela à mingua dos teus dedos, o sol vai
    demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
    que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
    serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
    como na minha pesará para sempre a pedra do teu rosto
    se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.



    (Maria do Rosário Pedreira in “A casa e os cheiros dos Livros")

    Publicado por menina_marota em 10/20 às 09:45 PM
    Categoria: Poesia • (8) Comentários
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