Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Imagem Andre de Dienes
Não me apetece dizer o que penso,
o que sinto, o que sou…
Não me apetece dizer-te
para onde vou, onde estou
o que senti…
Não me apetece manifestar meus afectos,
meus carinhos, pedir um beijo,
roçar teu corpo em mil desejos…
Não me apetece dizer
quantos orgasmos tive,
enquanto me possuías loucamente…
Não me apetece dizer o que sinto
quando o frenesim da tua boca,
roça as minhas coxas
e me deixas louca de tesão.
Não me apetece
E apetece-me tudo...
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
Dos meus olhos, porque não vos fixais?
Que passais como a água cristalina
Por uma fonte para nunca mais!…
Ou para o lago escuro onde termina
Vosso curso, silente de juncais,
E o vago medo angustioso domina,
- porque ides sem mim, não me levais?
Sem vós o que são os meus olhos abertos?
- O espelho inútil, meus olhos pagãos!
Aridez de sucessivos desertos…
Fica sequer, sombra das minhas mãos,
Flexão casual de meus dedos incertos,
- Estranha sombra em movimentos vãos.
(Poema de Camilo Pessanha)
Imagem daqui

Imagem de Alphonse Mucha - (1896)
Tenho cantado esperanças…
Tenho falado d’ amores…
Das saudades e dos sonhos
Com que embalo as minhas dores…
E eu cuidei que era poesia
Todo esse louco sonhar…
Cuidei saber o que é vida
Só porque sei delirar…
Eram fantasmas que a noite
Trouxe, e o dia levou…
À luz da estranha alvorada
Hoje minha alma acordou!
Esquece aqueles cantos…
Só agora sei falar!
Perdoa-me esses delírios…
Só agora soube amar
[Poema"Maria" de Antero de Quental]

Imagem Google
Nesta madrugada,
o meu pensamento esvoaça
perante os meus outros eus…
heterónimos de mim,
caminham docemente,
despindo-me de preconceitos,
nos meus lençóis de seda vermelhos…
espero-te
vem…
percorre meu corpo,
leva-me ao êxtase
saciando tua fome
tua sede
sente meus orgasmos,
que são teus…
bebe-os
nessa ansiedade
de me amares vertiginosamente
neste eu que se soltou
nesta madrugada…
(memórias minhas…)
Pintura de Salvador Dali-Angustia
Perdida no meio dos muros que eu própria ergui, vivo a fantasia de ser aquilo que não sou capaz de ser. Pelo sonho e ilusão, encontro um equilíbrio pardo, amarelado, que suaviza a dor da minha própria ausência.
Na fantasia, sinto as tuas mãos. Tão diferentes das que conhecem a geografia do meu corpo.
No sonho, uns lábios de sabor a mel. Tão diferentes do sabor da rotina dos que conheço.
Na ilusão, o cheiro do teu corpo a maresia. Tão diferente do que já se confunde com o meu.
Pouco interessa quem és, se me permites a ilusão de me sentir renascer.
Mas, quando os meus olhos se abrem, apenas sinto a tua ausência em mim, a dor do desejo, a permanente insatisfação que me tolda a mente, que me acentua a dor, quase física, de te não ter.
Amor? Romance? Liberdade? Auto estima? Sei lá o quê…
À mercê de todos os outros, sempre os outros no meu pensamento, ergo bem alta a herança do preconceito de ser leal a mim própria, aos meus desejos e sentimentos.
Pelo bem dos outros, não hesito em actos de autofagia do que quero, do que me faria sentir mais mulher, mais pessoa, mais eu.
Tenho, em agonia, uma máscara de sorrisos pregada no rosto que, em oferenda, fazem os outros um pouco mais felizes.
Ainda pelos outros, pela lealdade aos outros, pela regra do estipulado como virtude, sou a tecedeira parcimoniosa do mais ignóbil crime – deixar que a Vida, apenas desenhe rugas no meu corpo e amargue o meu olhar!
Poderão os outros ser bafejados com momentos de maior felicidade, originados pela insatisfação a que me voto? Ou será ilusão? Valerá a pena?
Olho-me ao espelho…é difícil ver-me por detrás da máscara.
Receio perder-me de vez…