Eternamente Menina

Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...








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  • Domingo, Outubro 23, 2005
    Noites longas


    Imagem de autor desconhecido


    Em noites longas, quando eu não consigo
    descansar meu corpo, dormitando,
    eu fantasio o amor, sonho contigo,
    no mundo, em outro mundo, me isolando.


    Em noites frias, quando eu busco abrigo
    na irrealidade e quedo meditando,
    eu te imagino, terno, forte e amigo,
    em convincentes sonhos me embalando…


    Em plenitude eu ardo em chaga aberta,
    urdindo poemas para me fatigar e
    me absorvo em espiritual sensualidade…


    E a pertinaz insónia me desperta,
    me persuadindo, tonta, a acreditar,
    o meu sonho não haver sido realidade!



    (memórias minhas...)


    Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
    (Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

    Publicado por menina_marota em 10/23 às 10:13 AM
    Categoria: Poesia • (27) Comentários
    Segunda-feira, Outubro 17, 2005
    Vegetal e Só


    Imagem Google


    É outono, desprende-te de mim.

    Solta-me os cabelos, potros indomáveis
    sem nenhuma melancolia,
    sem encontros marcados,
    sem cartas a responder.

    Deixa-me o braço direito,
    o mais ardente dos meus braços,
    o mais azul,
    o mais feito para voar.

    Devolve-me o rosto de um verão
    sem a febre de tantos lábios.
    Sem nenhum rumor de lágrimas
    nas pálpebras acesas.

    Deixa-me só, vegetal e só,
    correndo como um rio de folhas
    para a noite onde a mais bela aventura
    se escreve exactamente sem nenhuma letra.

    (Eugénio de Andrade in “As palavras Interditas"1951)

    Publicado por menina_marota em 10/17 às 10:30 AM
    Categoria: Poesia • (21) Comentários
    Domingo, Outubro 09, 2005
    Se me abraçares, não partas…


    Imagem Google


    Se partires, não me abraces - a falésia que se encosta
    uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
    e sonha com viagens na pele salgada das ondas.

    Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
    das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
    mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
    porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
    a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces -

    o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
    nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz
    senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
    as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
    espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.

    Se me abraçares, não partas

    Poema de Maria do Rosário Pedreira
    in “O Canto do Vento nos Ciprestes”
    Gótica, 2001

    Publicado por menina_marota em 10/09 às 01:26 PM
    Categoria: Poesia • (18) Comentários
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