Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Imagem de autor desconhecido
Em noites longas, quando eu não consigo
descansar meu corpo, dormitando,
eu fantasio o amor, sonho contigo,
no mundo, em outro mundo, me isolando.
Em noites frias, quando eu busco abrigo
na irrealidade e quedo meditando,
eu te imagino, terno, forte e amigo,
em convincentes sonhos me embalando…
Em plenitude eu ardo em chaga aberta,
urdindo poemas para me fatigar e
me absorvo em espiritual sensualidade…
E a pertinaz insónia me desperta,
me persuadindo, tonta, a acreditar,
o meu sonho não haver sido realidade!
(memórias minhas...)
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
Imagem Google
Solta-me os cabelos, potros indomáveis
sem nenhuma melancolia,
sem encontros marcados,
sem cartas a responder.
Deixa-me o braço direito,
o mais ardente dos meus braços,
o mais azul,
o mais feito para voar.
Devolve-me o rosto de um verão
sem a febre de tantos lábios.
Sem nenhum rumor de lágrimas
nas pálpebras acesas.
Deixa-me só, vegetal e só,
correndo como um rio de folhas
para a noite onde a mais bela aventura
se escreve exactamente sem nenhuma letra.
(Eugénio de Andrade in “As palavras Interditas"1951)

Imagem Google
Se partires, não me abraces - a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces -
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas
Poema de Maria do Rosário Pedreira
in “O Canto do Vento nos Ciprestes”
Gótica, 2001