Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Imagem daqui
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
(Natália Correia)

Imagem daqui
Com o formato de um anjo
E cantou no meu alpendre
Aguaceiro de harpa e banjo
A seguir veio outra nuvem
Mais cinzenta e apressada
E deixou no meu alpendre
O cheiro da terra molhada
Depois vieram mais duas
Como flocos de algodão
Derramaram sobre as ruas
O resto de uma canção
Aguaceiro, aguaceiro
Trazes chuva de manhã
Nesse ritmo certo e brando
Podes cair todo o dia
Se parares de vez em quando
Depois veio a clave de sol
E pôs fim ao aguaceiro
Levantou-se o girassol
Sorrindo para o limoeiro
Depois foram pra nordeste
Cantar noutra freguesia
E tudo o que ficou foi este
Bocado de melodia
Cantou chuva já sol posto
Nas varas da minha umbrela
Veio salpicar meu rosto
E eu até cantei com ela
Aguaceiro, aguaceiro
Trazes chuva à meia-noite
Para cantar na vidraça
Podes cantar toda a noite
Que eu até te acho graça
Letra: Carlos Tê
Música: Rui Veloso
Aguaceiro- Lena d’Água

Pintura de Yoshitaka Amano
No silêncio da tarde alguém cantou,
um início de balada,
uma canção de amor.
Ao longe o sol dentro do mar tombou
e a tarde avermelhada
era um jardim em flor.
Voz clara a cantar eterno canto.
Era tão triste e doce
que eu a escutar parei.
Caía do luar um claro encanto
enquanto aquela voz distante
cantava o seu amor perdido.
E eu parti a chorar, caminho adiante,
por ter compreendido que esse canto
o tinha ouvido de um coração,
que amava ternamente.
As cores do amor… podem ser tão suaves…
Fotografia de Rita Silva
Moro há anos aqui e mal a conheço.
Queria ver novos lugares, ver novas pessoas.
Andei por ruas que nunca vi, passei por pessoas desconhecidas e estive longe do velho mundo a que pertenço.
Redescobri que as pessoas desta cidade são educadas.
Redescobri a beleza das velhas calçadas, das velhas vielas, o eco entoando no silêncio da manhã.
A minha cidade tem a sua identidade, coisa que eu já tinha esquecido.
Nunca andei por ela para a conhecer verdadeiramente, andava por ela, alheia a tudo, vivendo dentro de mim.
E gostei. Esta cidade ainda tem o ar de pequena aldeia, mesmo sendo tão grande.
Falou-me uma linguagem nova e, levou-me a um passado, de momentos que eu já nem recordava.
Mas o que importa? Mesmo em busca de mim, conheci algo de novo, pude conhecer esta gente e tudo aquilo que me rodeia.
Nunca estive tão perto daquilo que já amei…
Os velhos momentos vieram falar comigo, deram um beijo e disseram adeus.
E foram tantos os momentos, tantos… Agora foram-se, e eu fiquei aqui no presente, que continua a pertencer-me.
Eu sei, estou nostálgica do passado, mas isso passa!
Uma sensação estranha tomou conta de mim.
Pensei muito em tudo que já vivi.
A saudade quis falar, mas não a quis ouvir, para que serve?
Não quero ter raiva, só quero olhar de frente e seguir.
Não quero ter medo, não quero relembrar coisas más.
Quero apenas lutar por aquilo em que acredito e por aquilo que me espera.
Preciso amadurecer, preciso ser mais decidida, preciso amar com todo o meu ser.
Sim, amar… Amar as pequenas coisas e fazer delas essenciais.
Tento sempre esconder-me e procurar o que é seguro.
Mas o que é seguro? Esconder-me da vida?
Para quê procurar a felicidade em sítios tão distantes, se ela está aqui ao meu lado?
Por mais que caminhe acabo sempre no mesmo lugar.
A verdade dói mas traz consigo a força que preciso para continuar.
Hoje só quero ser feliz...
Espero-te em mim,
em tardes doces,
sedentas de magia.
Espero-te em mim, por entre a água tépida
de um chuveiro refrescante,
por cima de nossos corpos suados.
Espero-te em mim, naquele riso que
só a alegria do amor, consegue transmitir.
Espero-te em mim.
na saudade fremente,
de teus beijos quentes
no alívio da tensão
na imensidão
da saudade
dentro do meu coração.
Espero-te em mim...
Imagem de Pavel Krukov
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo.
(Poema “Esta gente” de Sophia de Mello Breyner Andresen)
Porque a diferença está em nós. Está em ti. Em mim. Em gente anónima que não quer palmas, nem pancadinhas nas costas. Que não quer ser ignorada, mas que sente o silêncio pesado, de quem não os quer conhecer…
Imagem daqui
capto o teu olhar,
nesta manhã,
de sol a brilhar,
aquecendo a alma,
de quem quer amar.
Refugio-me em ti
não me abandones
tenho fome e sede de ti
jamais a espera
foi tão longa
de te querer
e não te possuir.
Acordar…
Despertar,
sem ti
a meu lado,
trazendo sonhos
ainda por decifrar
de noites longas
sem poder
te amar…
Unidos na mensagem
e no desejo de possuir
afastamo-nos
cada vez mais
na palavra
que se não diz.