Eternamente Menina

Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...








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  • Quinta-feira, Junho 30, 2005
    De amor nada mais resta…


    Imagem daqui

    De amor nada mais resta que um Outubro
    e quanto mais amada mais desisto:
    quanto mais tu me despes mais me cubro
    e quanto mais me escondo mais me avisto.

    E sei que mais te enleio e te deslumbro
    porque se mais me ofusco mais existo.
    Por dentro me ilumino, sol oculto,
    por fora te ajoelho, corpo místico.

    Não me acordes. Estou morta na quermesse
    dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
    nem teus zelos amantes a demovem.

    Mas quanto mais em nuvem me desfaço
    mais de terra e de fogo é o abraço
    com que na carne queres reter-me jovem.

    (Natália Correia)


    Publicado por menina_marota em 06/30 às 10:49 PM
    Categoria: Poesia • (29) Comentários
    Sexta-feira, Junho 24, 2005
    Aguaceiro


    Imagem daqui

    Passou aqui uma nuvem
    Com o formato de um anjo
    E cantou no meu alpendre
    Aguaceiro de harpa e banjo

    A seguir veio outra nuvem
    Mais cinzenta e apressada
    E deixou no meu alpendre
    O cheiro da terra molhada

    Depois vieram mais duas
    Como flocos de algodão
    Derramaram sobre as ruas
    O resto de uma canção

    Aguaceiro, aguaceiro
    Trazes chuva de manhã
    Nesse ritmo certo e brando
    Podes cair todo o dia
    Se parares de vez em quando

    Depois veio a clave de sol
    E pôs fim ao aguaceiro
    Levantou-se o girassol
    Sorrindo para o limoeiro

    Depois foram pra nordeste
    Cantar noutra freguesia
    E tudo o que ficou foi este
    Bocado de melodia

    Cantou chuva já sol posto
    Nas varas da minha umbrela
    Veio salpicar meu rosto
    E eu até cantei com ela

    Aguaceiro, aguaceiro
    Trazes chuva à meia-noite
    Para cantar na vidraça
    Podes cantar toda a noite
    Que eu até te acho graça

    Letra: Carlos Tê
    Música: Rui Veloso
    Aguaceiro- Lena d’Água

    Publicado por menina_marota em 06/24 às 06:41 PM
    Categoria: Poesia • (23) Comentários
    Domingo, Junho 19, 2005
    Balada de amor…


    Pintura de Yoshitaka Amano




    No silêncio da tarde alguém cantou,
    um início de balada,
    uma canção de amor.

    Ao longe o sol dentro do mar tombou
    e a tarde avermelhada
    era um jardim em flor.

    Voz clara a cantar eterno canto.
    Era tão triste e doce
    que eu a escutar parei.

    Caía do luar um claro encanto
    enquanto aquela voz distante
    cantava o seu amor perdido.

    E eu parti a chorar, caminho adiante,
    por ter compreendido que esse canto
    o tinha ouvido de um coração,
    que amava ternamente.

    As cores do amor… podem ser tão suaves…

    Publicado por menina_marota em 06/19 às 11:45 PM
    Categoria: Poesia • (25) Comentários
    Quarta-feira, Junho 15, 2005
    Hoje…


    Fotografia de Rita Silva



    ...levantei-me cedo e andei pela cidade, a minha cidade.
    Moro há anos aqui e mal a conheço.
    Queria ver novos lugares, ver novas pessoas.
    Andei por ruas que nunca vi, passei por pessoas desconhecidas e estive longe do velho mundo a que pertenço.
    Redescobri que as pessoas desta cidade são educadas.
    Redescobri a beleza das velhas calçadas, das velhas vielas, o eco entoando no silêncio da manhã.
    A minha cidade tem a sua identidade, coisa que eu já tinha esquecido.
    Nunca andei por ela para a conhecer verdadeiramente, andava por ela, alheia a tudo, vivendo dentro de mim.
    E gostei. Esta cidade ainda tem o ar de pequena aldeia, mesmo sendo tão grande.
    Falou-me uma linguagem nova e, levou-me a um passado, de momentos que eu já nem recordava.
    Mas o que importa? Mesmo em busca de mim, conheci algo de novo, pude conhecer esta gente e tudo aquilo que me rodeia.
    Nunca estive tão perto daquilo que já amei…
    Os velhos momentos vieram falar comigo, deram um beijo e disseram adeus.
    E foram tantos os momentos, tantos… Agora foram-se, e eu fiquei aqui no presente, que continua a pertencer-me.
    Eu sei, estou nostálgica do passado, mas isso passa!
    Uma sensação estranha tomou conta de mim.
    Pensei muito em tudo que já vivi.
    A saudade quis falar, mas não a quis ouvir, para que serve?
    Não quero ter raiva, só quero olhar de frente e seguir.
    Não quero ter medo, não quero relembrar coisas más.
    Quero apenas lutar por aquilo em que acredito e por aquilo que me espera.
    Preciso amadurecer, preciso ser mais decidida, preciso amar com todo o meu ser.
    Sim, amar… Amar as pequenas coisas e fazer delas essenciais.
    Tento sempre esconder-me e procurar o que é seguro.
    Mas o que é seguro? Esconder-me da vida?
    Para quê procurar a felicidade em sítios tão distantes, se ela está aqui ao meu lado?
    Por mais que caminhe acabo sempre no mesmo lugar.
    A verdade dói mas traz consigo a força que preciso para continuar.



    Hoje só quero ser feliz...

    Publicado por menina_marota em 06/15 às 01:02 PM
    Categoria: Crónicas • (27) Comentários
    Segunda-feira, Junho 13, 2005
    Espero-te em mim…

    Imagem daqui


    Espero-te em mim,
    em tardes doces,
    sedentas de magia.
    Espero-te em mim, por entre a água tépida
    de um chuveiro refrescante,
    por cima de nossos corpos suados.
    Espero-te em mim, naquele riso que
    só a alegria do amor, consegue transmitir.
    Espero-te em mim.
    na saudade fremente,
    de teus beijos quentes
    no alívio da tensão
    na imensidão
    da saudade
    dentro do meu coração.

    Espero-te em mim...

    Publicado por menina_marota em 06/13 às 01:03 AM
    Categoria: Poesia • (23) Comentários
    Sexta-feira, Junho 10, 2005
    10 de Junho


    Imagem de Pavel Krukov

    Esta gente cujo rosto
    Às vezes luminoso
    E outras vezes tosco

    Ora me lembra escravos
    Ora me lembra reis

    Faz renascer meu gosto
    De luta e de combate
    Contra o abutre e a cobra
    O porco e o milhafre

    Pois a gente que tem
    O rosto desenhado
    Por paciência e fome
    É a gente em quem
    Um país ocupado
    Escreve o seu nome

    E em frente desta gente
    Ignorada e pisada
    Como a pedra do chão
    E mais do que a pedra
    Humilhada e calcada

    Meu canto se renova
    E recomeço a busca
    De um país liberto
    De uma vida limpa
    E de um tempo justo.

    (Poema “Esta gente” de Sophia de Mello Breyner Andresen)

    Porque a diferença está em nós. Está em ti. Em mim. Em gente anónima que não quer palmas, nem pancadinhas nas costas. Que não quer ser ignorada, mas que sente o silêncio pesado, de quem não os quer conhecer…

    Publicado por menina_marota em 06/10 às 08:55 AM
    Categoria: Poesia • (36) Comentários
    Sexta-feira, Junho 03, 2005
    Acordar…


    Imagem daqui



    Serenamente,
    capto o teu olhar,
    nesta manhã,
    de sol a brilhar,
    aquecendo a alma,
    de quem quer amar.

    Refugio-me em ti
    não me abandones
    tenho fome e sede de ti
    jamais a espera
    foi tão longa
    de te querer
    e não te possuir.

    Acordar…

    Despertar,
    sem ti
    a meu lado,
    trazendo sonhos
    ainda por decifrar
    de noites longas
    sem poder
    te amar…

    Unidos na mensagem
    e no desejo de possuir
    afastamo-nos
    cada vez mais
    na palavra
    que se não diz.

    Publicado por menina_marota em 06/03 às 11:47 PM
    Categoria: Poesia • (34) Comentários
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