Eternamente Menina

Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...





Tema disponibilizado pelo pianista
Rui Serôdio


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  • Quarta-feira, Junho 10, 2009
    Sou quem sou…


    Pintura de Cristiane Campos



    Nada direi de ti,
    nem um só pensamento.

    Num assomo, lentamente,
    meu peito desgasta-se de palavras
    que se repetem textualmente

    pacientes, de toda a matéria que
    se pressente para lá do que se não vê,
    nem se imagina.

    Entreaberto, como uma janela, meu coração
    vislumbra o ocaso, em fragrâncias
    de pétalas por entre caminhos
    etéreos percorridos de mão em mão.

    Sou quem sou.

    Nesta forma de ser
    não há espaço para intervalos
    passeados entre os sentimentos
    de olhos que nada vislumbram
    nas profundezas da alma.

    Rasgo meus sentidos e
    abro a janela de sensações flóreas
    para lá de todos os laivos de vida
    que se sentem nas marés perdidas.

    Hoje nada direi de ti.

    Porque as palavras estão caladas
    sossegadas, no fundo da alma,
    e aí permanecerão.

    (Poema de Otília Martel)

    na voz de
    José-António Moreira in Sons da Escrita



    (Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)



    Publicado por menina_marota em 06/10 às 10:00 AM
    Categoria: Poesia • (5) Comentários
    Domingo, Maio 17, 2009
    Não sei…


    Pintura de Arthur Braginsky


    Não sei dizer-te,
    se o rio corre para o
    mar
    se a ponte encurta o
    caminho
    se o mar está em
    maré-vaza.


    Não sei dizer-te, amor
    se amor, é a palavra certa
    para te dizer,
    se o meu coração parou ou
    o tempo parou para nós.


    A textura da tua pele
    sente o arrepio
    que diz a sede
    da tua boca,
    o orgasmo falhado dos
    sentidos,
    a fome que no teu
    corpo espreita?


    Não sei dizer-te
    se o medo de perder-te
    te fez perder-me,
    se os beijos que guardei
    para ti
    já no tempo os perdi,
    se foi a saudade que
    nos matou ou
    matámos a saudade dentro de
    nós.


    Não sei dizer-te,
    Não sei…


    Publicado por menina_marota em 05/17 às 11:29 PM
    Categoria: Poesia • (7) Comentários
    Quarta-feira, Abril 22, 2009
    Suave carícia


    Pintura de Olga Sinclair


    Venço pensamentos
    Na suave carícia da meia-noite
    Tempo de paragem
    Numa madrugada serena
    Doce fragrância
    Momentos diluídos
    Na paisagem de encanto
    Solitária
    Preenchida no vácuo da esperança
    Segunda vida
    Que se repete
    Como a aurora que rompe
    Em cada amanhecer…

    No horizonte do céu virtual
    Esculturas de azul
    Existir, Viver, Amar…
    Mais que palavras
    Éticas (ideais para não esquecer)
    Equívocos que abrem feridas insondáveis
    Viver o presente, melhorando o futuro
    E dizer: não perco tempo,
    Minha alma está limpa
    Porque o crepúsculo
    Partilha dos meus sonhos
    E assim quero permanecer.

    Publicado por menina_marota em 04/22 às 03:01 PM
    Categoria: Poesia • (14) Comentários
    Quarta-feira, Março 11, 2009
    Figuração de um sonho

    Pintura de Renso Castaneda



    No deslumbre do amor,
    vida, corpo, voz,
    algodão doce, no céu azul,
    que se descobre pela manhã
    incutido no mesmo espelho e
    esculpidos no espírito
    (cumplicidade da memória)
    das almas que se tocam…
    bravias, sedentas, arrojadas,
    por entre o cheiro da terra molhada.


    Dentro da imaginação
    não existem rituais,
    mas ondas invisíveis
    movendo portas e janelas,
    sopradas nos dias de calmia,
    gravadas, palavra a palavra,
    na areia da vida, voando,
    sem asas, através dos ventos,
    como barcos que velejam ao sabor
    de cada corrente…


    Beijar e dormir na tua pele nua
    no abraço que me fez tua,
    figuração fervente de um sonho
    que permanecerá na minha mente.


    Publicado por menina_marota em 03/11 às 11:30 AM
    Categoria: Poesia • (6) Comentários
    Sábado, Fevereiro 14, 2009
    Momentos…

    Imagem de Fefa Koroleva



    Tocar o céu
    na bruma do desejo
    infinito…


    Tocar o mar
    nas ondas salgadas
    da tua boca


    Tocar a terra
    no chão molhado
    do teu corpo


    E perder-me
    nos teus braços
    como quem perde
    o último fôlego
    de Vida…




    Neste dia, a todos os apaixonados...

    Publicado por menina_marota em 02/14 às 03:00 PM
    Categoria: Poesia • (4) Comentários
    Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009
    Sonhos

    Imagem de Eugenio Recuenco



    Deu a volta maquinalmente à chave desligando o motor do veículo e recostou-se para trás enquanto fitava a paisagem à sua frente.

    O mar revolto contrastava com a calma do seu coração e lembrou-se dos tempos em que todo o seu corpo fremia como as ondas que contemplava.

    Saiu do carro devagar e percorreu a praia, palco de outros dias… outros sonhos…

    Maquinalmente, pegou no pequeno tronco caído no chão e desenhou as letras que compuseram a palavra “Sonhos” e sentou-se na areia contemplando-a, enquanto a espuma das ondas levava, lentamente, cada uma delas…

    Apetecia-lhe mergulhar naquele mar e deixar lá todas as recordações e quando regressasse à margem nada existisse nela que lhe trouxesse lembranças, mesmo aquelas mais felizes; queria saber-se limpa de todas as reminiscências que a rodeavam.

    Lentamente, tirou uma a uma cada peça do vestuário e mergulhou nas águas revoltas, afastando-se cada vez mais da margem.

    Quando quase perdia o fôlego parou e virou-se para trás: a linha do horizonte era tão minúscula que mal se via a separação entre a terra e o mar.

    Era assim que ela queria as suas recordações: uma linha no horizonte…
    Por instantes flutuou nas ondas revoltas e depois deixou que elas a levassem de volta.

    Indiferente aos olhares de quem passava, caminhou completamente desnuda pela areia sentindo gotas deslizarem na sua face, mas não se importou!

    O que sabiam aqueles olhares indiferentes gélidos de interrogações, da alma de cada um?

    Era naquele instante uma ilha deserta, onde os seus pensamentos e ilusões eram os seus únicos ocupantes, mas onde desejava deixar entrar luar, estrelas, carícias, desejos…

    Tudo dentro dela pedia um só momento, uma só palavra, que enchesse a ilha de um sol deslumbrante, mas sabia que esse momento não iria existir.

    Calmamente por sobre o corpo molhado, o vestuário voltava ao seu corpo, quando… sentiu um barulho que se aproximava, cada vez mais…

    Abriu os olhos e…

    S implesmente
    o sonho
    não acaba
    hoje… porque
    o meu
    sonho és tu!

    Publicado por menina_marota em 02/11 às 01:30 PM
    Categoria: Poesia • (7) Comentários
    Terça-feira, Janeiro 06, 2009
    Apenas um instante…

    Desenho de Cláudio Partes


    Hoje acordei com vontade de dizer que tenho saudades do teu abraço, dos teus lábios macios, tocando levemente os meus, das tuas mãos acariciando a minha nuca, deslizando suavemente pelo decote do meu seio.

    Ah… o sonho… a facilidade de tornarmos tão real pensamentos íntimos que nem a nós próprios queremos, por vezes, confessar.

    Gosto de imaginar a tocares-me e, tímida, afasto-te, mas ao mesmo tempo, o fogo do teu corpo encostado ao meu, abre em mim desejos que não quero olvidar.

    Recordo os teus olhos, malandros, plenos de vida e carícias; deixo-me afundar, em sonhos, neles…

    Existe vida para lá dos muros de silêncio em que te encerras”, digo a mim própria, em determinadas alturas, quando me sinto sufocar nas quatro paredes da gaiola de ouro onde me confino diariamente.

    Olho o meu corpo, carregado de desejos e ternuras; sinto-me em metempsicose, como que, numa outra vida, a viver aquilo que me está vedado…

    O meu pensamento vagueia no infinito: pode uma mulher anular dentro de si o apelo da natureza ou deixa que a explosão dos seus sentidos possa quebrar e banir padrões tradicionalmente impostos?

    Valerá a pena o sacrifico de deixar morrer o seu corpo, carente de afectos e desejos, incapaz de conseguir quebrar esses mesmos padrões que lhe impuseram?

    Dentro da minha alma o sonho permanece … fogo, suor, caminhos por desvendar. 

    Nas tuas mãos me entrego. Juntos encetamos a viagem a todo o universo, meu coração e corpo conjugam o verbo amar, em todos os tempos…

    Dizer da palavra amar,
    falar dos sentidos da alma,
    dos desejos avassaladores,
    das noites mal dormidas,
    acalentando sonhos por realizar.

    Dizer da palavra tempo
    que não existe
    na nossa memória,
    oscilando, suavemente,
    à brisa do entardecer,
    por entre almíscares
    que se colam na nossa pele.

    Dentro de mim
    há um espaço para voar,
    que emerge do oceano
    dos sentidos e flutua,
    na consistência do ser.

    Porque o sonho dura
    apenas um instante…

    Publicado por menina_marota em 01/06 às 08:52 PM
    Categoria: Poesia • (9) Comentários
    Segunda-feira, Dezembro 08, 2008
    Viajar no Sonho…


    Pintura de Vicente Romero


    Impossível viajar no sonho
    e dele não viver o momento
    inteiramente sequioso de ousadia.

    Corpo trémulo de magia
    que escorre em mãos
    liquefeitas de ternuras
    tímidas
    arrojadas
    permissivas.

    No viajar da memória
    corpos jorram mel
    em lábios que se unem
    e se desnudam
    loucos, sôfregos
    na fantasia do sentir.

    Num toque de pele
    gemendo
    arrebatada
    de desejos
    inconfessáveis
    um grito
    que antefrui
    o momento culminante
    que se adivinha.

    E no sonho, qual quimera
    que se transmuta,
    prosseguem os sentidos
    da Vida…


    Publicado por menina_marota em 12/08 às 07:31 PM
    Categoria: Poesia • (4) Comentários
    Terça-feira, Novembro 11, 2008
    Fugaz utopia


    Pintura de Garmash


    São as palavras, fugazes
    sentimentos perpetuadas
    na mansidão da penumbra.

    É a palavra calada,
    em novelos mordazes,
    estendida, mão a mão,
    no ocaso dos sentidos.

    Nada há em mim
    que não vos diga o que
    sou, porque a voz dos olhos
    é a mais profunda das
    palavras, que emana
    da clarividência da Vida.

    Fugaz é o destino que
    ombreia no universo fechado
    d’algum lugar onde nunca estive e,
    na fragilidade vertente dos dias,
    calam-se as vozes murmuradas da
    utopia.


    Publicado por menina_marota em 11/11 às 09:30 PM
    Categoria: Poesia • (8) Comentários
    Domingo, Outubro 19, 2008
    Voa…

    Imagem de Isabel Filipe



    Voo
    na fugaz lembrança
    de um tempo presente.


    Voa
    em meus braços cobertos
    de carícias leves
    entre beijos de corais
    e momentos breves
    que não se perdem
    jamais.


    Voamos
    na sensação primeira
    de abraços incontidos
    que se expressam
    um a um
    ilusórios
    persistente
    em espíritos
    frementes
    leves
    breves
    momentos
    de ilusão…


    Voamos
    ao sabor das vogais
    que hibernam no coração…


    Publicado por menina_marota em 10/19 às 05:47 PM
    Categoria: Poesia • (9) Comentários
    Domingo, Outubro 05, 2008
    Horas…




    A esta hora
    os pássaros
    despertaram
    encetando
    o voo matinal,
    entre raios de sol
    que se abrigam, nas
    nuvens da Vida.


    A esta hora
    o mar ondulou
    na areia fina
    entre os pés
    da solidão...


    A esta hora
    que não é a de todas
    as perfeições,
    as pedras
    gritaram
    as ausências
    sentidas...

    Poema na voz de
    José-António Moreira in Sons da Escrita



    (Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)




    Imagem de Koroleva

    Publicado por menina_marota em 10/05 às 03:20 PM
    Categoria: Poesia • (5) Comentários
    Sábado, Setembro 06, 2008
    Agosto


    Pintura de Eric Wallis


    O vento no rosto
    o vazio na alma
    vem o tempo
    vai o tempo
    vem o dia
    cai a noite
    vem Agosto
    vai Agosto
    e no calor cíclico
    da espera,
    sopra-me este vazio
    na alma,
    pernoita-me este vento
    no rosto.


    (Poema de Jorge Casimiro in
    TernasAlquimias)


    Ouvir o poema na voz de Ana Lúcia Palminha
    (Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

    Publicado por menina_marota em 09/06 às 07:53 AM
    Categoria: Poesia • (10) Comentários
    Segunda-feira, Agosto 18, 2008
    …pura ebulição


    Aguarela de Stephanie Pui Mun Law


    Fomos gerados num momento de sonho,
    nascemos nas asas de uma ilusão
    adormecemos nas águas límpidas,
    de um mar sereno
    fruto da nossa paixão.


    Voámos
    para terra seca,
    buscamos
    grão a grão,
    risos alegres,
    palavras amenas,
    uma carícia leve,
    neste
    momento breve
    que é a vida
    em pura ebulição.

    Publicado por menina_marota em 08/18 às 08:15 AM
    Categoria: Poesia • (14) Comentários
    Terça-feira, Agosto 12, 2008
    Murmúrios do Vento…

    Foto pessoal


    O vento,
    que era
    vento,
    ao
    vento
    perguntou:

    Vento,
    porque és
    vento,
    se a
    brisa

    soprou?



    E o Vento respondeu:


    Tocas melodias que me embalam.
    E falas-me com a sabedoria dos filósofos.
    E chegam-me com a brisa os teus murmúrios...

    Publicado por menina_marota em 08/12 às 01:32 PM
    Categoria: Poesia • (4) Comentários
    Terça-feira, Julho 29, 2008
    Cálida…


    Imagem de Claude Tháberge


    Cálida,
    a noite vem nos teus olhos
    quando a lua se descobre
    e a promessa dos teus beijos
    me estremece.

    As tuas mãos,
    que não tocaram meu corpo nestes dias sem tempo,
    viajam no sonho e nas palavras,
    florescendo no corpo húmido que se agita no desejo.

    Desvendo os sons sentidos no silêncio
    e neles quebro meu olhar que se espraia no horizonte,
    como nuvem em dia de chuva.

    Embalo-me como estrela cadente
    ritmada em suave toque,
    onde te imagino
    percorrendo-me, gota a gota,
    sorvida calidamente no desejo dos teus lábios
    sôfregos,
    que circulam em cada pedaço da minha pele…

    És.
    Sou.
    Imaginação
    e
    Fim.




    Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
    (Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

    Publicado por menina_marota em 07/29 às 09:15 AM
    Categoria: Poesia • (4) Comentários
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