Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Fotografia de Alexander Vasilenko
Chove.
O vento sibilante entoa nas janelas fechadas mas eu sinto o meu corpo quente como nas tardes de Verão em que o vento me segredava poesias infinitas… em palavras arrojadas de significados como o desejo de uma donzela perante o seu primeiro amor.
A brincadeira das palavras acabou sem ter começado.
Palavras amenas que se cruzam numa encruzilhada desacertada de estar, afinal, no local errado.
Bendigo… bendito… o Português que me leva a acordo sem acordos, a palavras sem significados, vocabulários que se cingem, se entregam sílaba a sílaba a momentos que como o vento desaparecem por entre nuvens de chuva que lavam letra a letra a palavra mencionada e se retraem no pensamento de escrever e nada dizer.
Oh… como são pulcras as palavras partilhadas em dias de chuva, reflexo de sabedoria ou uma simples invasão de significados que a mente não lê?
E a chuva cai levando, lavando, cada palavra que desaparece no vocabulário da ilusão prenhe de se pensar o que se não lê, sem acordo, nem acórdãos…mas em Português.
Imagem Google
Diz-me o coração.
E nestes dias de frio
Natal é aconchego
Amor, fraternidade
Solidariedade…
Até quando é Natal?
Nos meus olhos
Interrogam-se dúvidas.
O coração vibrante de quente
Esquece por momentos
Fomes dolorosas
Batalhas perdidas
Amigos ausentes
Palavras amargas
Crianças feridas.
Por momentos tudo é perfeito.
As luzes brilham numa música suave.
Ao longe faz-se ouvir o cristalino riso
De uma criança que desconhece o fel da Vida.
Riso que entoa e cruza o frio de neve
derrete-a.
E, por momentos, só por momentos,
O olhar do Menino Jesus sorri,
Deitado nas palhinhas olhando a Virgem Mãe,
Que ternamente, de joelhos, proclama
O seu Nascimento…
É Natal!
que buscas na intemperança e volúpia do desejo
o calor da alma pressentida no júbilo da razão.
Deitas-te na terra húmida entre musgo verde e
adormeces na tempestade que o céu serenou.
Na terra orvalhada em chão de prata
onde o amor lavra e a chuva perdura
em palavras amenas que o coração dita
embarcas no sonho e na magia que a
neve da frieza em rocha dura não matou.
Não iludas o que aprouvera dos teus sonhos.
Falsa a magia do momento. Na natureza
nunca nasce a mesma água de parecida fonte.
prazeres.
Na ponta do meu seio o secreto desejo que penetra os meus
poros e
lentamente percorre as tuas costas sentindo o pulsar da tua pele
que em
êxtase solta um frémito sussurro enquanto as tuas mãos
cegas procuram o meu corpo
que desliza como ondas bravias no teu. Assim nos sentimos.
Assim nos entregamos na invenção do amor…
Há no ardor do teu corpo a ferocidade do mar quando arranhas
a minha pele e os teus lábios, entre palavras inaudíveis de sussurros,
a boca do meu corpo vens beijar.
Soltam-se fúrias de desejo há muito quietas de prazer
e no êxtase do momento, não há palavras por dizer.
Envoltos na seda da carícia que de nós escorre
a maciez das minhas coxas que te envolvem, roçam o teu corpo
num último ímpeto
e sôfregos deixamo-nos embalar no desejo que o corpo não domina
- a paixão ali se sente e predomina -
Assim nos entregamos, de novo, na invenção do amor…

Fotografia de Almaro
“Ao fundo, no longe de um abismo, o sax canta, sem músicos
Tu que respiras semente
Porque te escondes no acaso
Porque te escondes no escuro negro da noite?
(Almaro ) (mote)
pairas na contemplação do mar
ao longe os búzios
devolvem-te o sonho
música
nas velas do tempo
que se esconde
tímida
de te amar.
Nessas velas
que te envolvem
flutuas
sonhando
entre o rosa
e o cinzento
(sonhos, quimeras?)
tu,
sonhador,
pescador de búzios,
em busca dos alísios
que te arrastam para o
mar...

Imagem de Brita Seifert
Sinto teu corpo em mim
...e...assim…
alma sem fim
ardente
em tempo que persiste
rasgo de pele
veemente
em pensamento diluído
no tempo da promessa.
Tens na palavra
o encanto da brisa
na aragem lavrada.
Sinto a quietude do mar
melodia do solfejo
nas ondas que se espraiam
em areia e espuma
de mil cores
no vermelho pôr do sol
a lua entrega um beijo
e dança com a brisa
a canção dos seus amores
Poema de Otília Martel (Menina Marota)
na voz de
José-António Moreira in Sons da Escrita
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Pintura de Cristiane Campos
Nada direi de ti,
nem um só pensamento.
Num assomo, lentamente,
meu peito desgasta-se de palavras
que se repetem textualmente
pacientes, de toda a matéria que
se pressente para lá do que se não vê,
nem se imagina.
Entreaberto, como uma janela, meu coração
vislumbra o ocaso, em fragrâncias
de pétalas por entre caminhos
etéreos percorridos de mão em mão.
Sou quem sou.
Nesta forma de ser
não há espaço para intervalos
passeados entre os sentimentos
de olhos que nada vislumbram
nas profundezas da alma.
Rasgo meus sentidos e
abro a janela de sensações flóreas
para lá de todos os laivos de vida
que se sentem nas marés perdidas.
Hoje nada direi de ti.
Porque as palavras estão caladas
sossegadas, no fundo da alma,
e aí permanecerão.
(Poema de Otília Martel)
na voz de
José-António Moreira in Sons da Escrita
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
Não sei dizer-te,
se o rio corre para o
mar
se a ponte encurta o
caminho
se o mar está em
maré-vaza.
Não sei dizer-te, amor
se amor, é a palavra certa
para te dizer,
se o meu coração parou ou
o tempo parou para nós.
A textura da tua pele
sente o arrepio
que diz a sede
da tua boca,
o orgasmo falhado dos
sentidos,
a fome que no teu
corpo espreita?
Não sei dizer-te
se o medo de perder-te
te fez perder-me,
se os beijos que guardei
para ti
já no tempo os perdi,
se foi a saudade que
nos matou ou
matámos a saudade dentro de
nós.
Não sei dizer-te,
Não sei…
Pintura de Olga Sinclair
Venço pensamentos
Na suave carícia da meia-noite
Tempo de paragem
Numa madrugada serena
Doce fragrância
Momentos diluídos
Na paisagem de encanto
Solitária
Preenchida no vácuo da esperança
Segunda vida
Que se repete
Como a aurora que rompe
Em cada amanhecer…
No horizonte do céu virtual
Esculturas de azul
Existir, Viver, Amar…
Mais que palavras
Éticas (ideais para não esquecer)
Equívocos que abrem feridas insondáveis
Viver o presente, melhorando o futuro
E dizer: não perco tempo,
Minha alma está limpa
Porque o crepúsculo
Partilha dos meus sonhos
E assim quero permanecer.

No deslumbre do amor,
vida, corpo, voz,
algodão doce, no céu azul,
que se descobre pela manhã
incutido no mesmo espelho e
esculpidos no espírito
(cumplicidade da memória)
das almas que se tocam…
bravias, sedentas, arrojadas,
por entre o cheiro da terra molhada.
Dentro da imaginação
não existem rituais,
mas ondas invisíveis
movendo portas e janelas,
sopradas nos dias de calmia,
gravadas, palavra a palavra,
na areia da vida, voando,
sem asas, através dos ventos,
como barcos que velejam ao sabor
de cada corrente…
Beijar e dormir na tua pele nua
no abraço que me fez tua,
figuração fervente de um sonho
que permanecerá na minha mente.

na bruma do desejo
infinito…
Tocar o mar
nas ondas salgadas
da tua boca
Tocar a terra
no chão molhado
do teu corpo
E perder-me
nos teus braços
como quem perde
o último fôlego
de Vida…
Neste dia, a todos os apaixonados...
Deu a volta maquinalmente à chave desligando o motor do veículo e recostou-se para trás enquanto fitava a paisagem à sua frente.
O mar revolto contrastava com a calma do seu coração e lembrou-se dos tempos em que todo o seu corpo fremia como as ondas que contemplava.
Saiu do carro devagar e percorreu a praia, palco de outros dias… outros sonhos…
Maquinalmente, pegou no pequeno tronco caído no chão e desenhou as letras que compuseram a palavra “Sonhos” e sentou-se na areia contemplando-a, enquanto a espuma das ondas levava, lentamente, cada uma delas…
Apetecia-lhe mergulhar naquele mar e deixar lá todas as recordações e quando regressasse à margem nada existisse nela que lhe trouxesse lembranças, mesmo aquelas mais felizes; queria saber-se limpa de todas as reminiscências que a rodeavam.
Lentamente, tirou uma a uma cada peça do vestuário e mergulhou nas águas revoltas, afastando-se cada vez mais da margem.
Quando quase perdia o fôlego parou e virou-se para trás: a linha do horizonte era tão minúscula que mal se via a separação entre a terra e o mar.
Era assim que ela queria as suas recordações: uma linha no horizonte…
Por instantes flutuou nas ondas revoltas e depois deixou que elas a levassem de volta.
Indiferente aos olhares de quem passava, caminhou completamente desnuda pela areia sentindo gotas deslizarem na sua face, mas não se importou!
O que sabiam aqueles olhares indiferentes gélidos de interrogações, da alma de cada um?
Era naquele instante uma ilha deserta, onde os seus pensamentos e ilusões eram os seus únicos ocupantes, mas onde desejava deixar entrar luar, estrelas, carícias, desejos…
Tudo dentro dela pedia um só momento, uma só palavra, que enchesse a ilha de um sol deslumbrante, mas sabia que esse momento não iria existir.
Calmamente por sobre o corpo molhado, o vestuário voltava ao seu corpo, quando… sentiu um barulho que se aproximava, cada vez mais…
Abriu os olhos e…
S implesmente
o sonho
não acaba
hoje… porque
o meu
sonho és tu!
Hoje acordei com vontade de dizer que tenho saudades do teu abraço, dos teus lábios macios, tocando levemente os meus, das tuas mãos acariciando a minha nuca, deslizando suavemente pelo decote do meu seio.
Ah… o sonho… a facilidade de tornarmos tão real pensamentos íntimos que nem a nós próprios queremos, por vezes, confessar.
Gosto de imaginar a tocares-me e, tímida, afasto-te, mas ao mesmo tempo, o fogo do teu corpo encostado ao meu, abre em mim desejos que não quero olvidar.
Recordo os teus olhos, malandros, plenos de vida e carícias; deixo-me afundar, em sonhos, neles…
“Existe vida para lá dos muros de silêncio em que te encerras”, digo a mim própria, em determinadas alturas, quando me sinto sufocar nas quatro paredes da gaiola de ouro onde me confino diariamente.
Olho o meu corpo, carregado de desejos e ternuras; sinto-me em metempsicose, como que, numa outra vida, a viver aquilo que me está vedado…
O meu pensamento vagueia no infinito: pode uma mulher anular dentro de si o apelo da natureza ou deixa que a explosão dos seus sentidos possa quebrar e banir padrões tradicionalmente impostos?
Valerá a pena o sacrifico de deixar morrer o seu corpo, carente de afectos e desejos, incapaz de conseguir quebrar esses mesmos padrões que lhe impuseram?
Dentro da minha alma o sonho permanece … fogo, suor, caminhos por desvendar.
Nas tuas mãos me entrego. Juntos encetamos a viagem a todo o universo, meu coração e corpo conjugam o verbo amar, em todos os tempos…
Dizer da palavra amar,
falar dos sentidos da alma,
dos desejos avassaladores,
das noites mal dormidas,
acalentando sonhos por realizar.
Dizer da palavra tempo
que não existe
na nossa memória,
oscilando, suavemente,
à brisa do entardecer,
por entre almíscares
que se colam na nossa pele.
Dentro de mim
há um espaço para voar,
que emerge do oceano
dos sentidos e flutua,
na consistência do ser.
Porque o sonho dura
apenas um instante…
Pintura de Vicente Romero
Impossível viajar no sonho
e dele não viver o momento
inteiramente sequioso de ousadia.
Corpo trémulo de magia
que escorre em mãos
liquefeitas de ternuras
tímidas
arrojadas
permissivas.
No viajar da memória
corpos jorram mel
em lábios que se unem
e se desnudam
loucos, sôfregos
na fantasia do sentir.
Num toque de pele
gemendo
arrebatada
de desejos
inconfessáveis
um grito
que antefrui
o momento culminante
que se adivinha.
E no sonho, qual quimera
que se transmuta,
prosseguem os sentidos
da Vida…
sentimentos perpetuadas
na mansidão da penumbra.
É a palavra calada,
em novelos mordazes,
estendida, mão a mão,
no ocaso dos sentidos.
Nada há em mim
que não vos diga o que
sou, porque a voz dos olhos
é a mais profunda das
palavras, que emana
da clarividência da Vida.
Fugaz é o destino que
ombreia no universo fechado
d’algum lugar onde nunca estive e,
na fragilidade vertente dos dias,
calam-se as vozes murmuradas da
utopia.