Eternamente Menina

Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...






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  • Segunda-feira, Agosto 18, 2008
    …pura ebulição


    Aguarela de Stephanie Pui Mun Law


    Fomos gerados num momento de sonho,
    nascemos nas asas de uma ilusão
    adormecemos nas águas límpidas,
    de um mar sereno
    fruto da nossa paixão.


    Voámos
    para terra seca,
    buscamos
    grão a grão,
    risos alegres,
    palavras amenas,
    uma carícia leve,
    neste
    momento breve
    que é a vida
    em pura ebulição.

    Publicado por menina_marota em 08/18 às 08:15 AM
    Categoria: Poesia • (7) Comentários
    Terça-feira, Agosto 12, 2008
    Murmúrios do Vento…

    Foto pessoal


    O vento,
    que era
    vento,
    ao
    vento
    perguntou:

    Vento,
    porque és
    vento,
    se a
    brisa

    soprou?



    E o Vento respondeu:


    Tocas melodias que me embalam.
    E falas-me com a sabedoria dos filósofos.
    E chegam-me, no vento, os teus murmúrios.

    Zélito

    Publicado por menina_marota em 08/12 às 01:32 PM
    Categoria: Poesia • (4) Comentários
    Terça-feira, Julho 29, 2008
    Cálida…


    Imagem de Claude Tháberge


    Cálida,
    a noite vem nos teus olhos
    quando a lua se descobre
    e a promessa dos teus beijos
    me estremece.

    As tuas mãos,
    que não tocaram meu corpo nestes dias sem tempo,
    viajam no sonho e nas palavras,
    florescendo no corpo húmido que se agita no desejo.

    Desvendo os sons sentidos no silêncio
    e neles quebro meu olhar que se espraia no horizonte,
    como nuvem em dia de chuva.

    Embalo-me como estrela cadente
    ritmada em suave toque,
    onde te imagino
    percorrendo-me, gota a gota,
    sorvida calidamente no desejo dos teus lábios
    sôfregos,
    que circulam em cada pedaço da minha pele…

    És.
    Sou.
    Imaginação
    e
    Fim.




    Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
    (Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

    Publicado por menina_marota em 07/29 às 09:15 AM
    Categoria: Poesia • (4) Comentários
    Segunda-feira, Maio 19, 2008
    Existência…


    É o tempo de vivência deste blogue…e ainda do
    Menina Marota
    que no passado dia 7, completou igualmente três anos de existência.
    Obrigada por me terem acompanhado nesta caminhada…

    Publicado por menina_marota em 05/19 às 09:54 AM
    Categoria: Poesia • (12) Comentários
    Quarta-feira, Abril 30, 2008
    Caminhos

    São estes os caminhos que percorro diariamente, que fortalecem a minha alma e acalmam o meu espírito.


    (Fotografia pessoal daqui)

    Publicado por menina_marota em 04/30 às 04:50 PM
    Categoria: Poesia • (6) Comentários
    Domingo, Março 09, 2008
    Não, Meu Amor


    Imagem de autor desconhecido


    “Não, meu amor… Nem todo o corpo é carne”
    – David Mourão-Ferreira -


    Não, meu amor, também és fogo
    na forma como incendeias os sentidos.
    Não, meu amor, também és raiva
    onde espojo meu corpo em suor.
    Não, meu amor, também és água
    a dessedentar minha língua
    seca de silêncio e de vómito.
    Não, meu amor. Não és apenas carne,
    nem apenas caule, nem apenas fruto,
    mas sobretudo a seiva
    de que se alimenta a minha ânsia de fuga.
    Não, meu amor, também és mulher,
    a parte que não existe em mim, homem!
    “Não, meu amor… Nem todo o corpo é carne”.
    Às vezes é uma viagem
    ao interior uterino da criação
    ao Imo da Vida!


    (Poema de Fernando Peixoto )

    Publicado por menina_marota em 03/09 às 08:03 PM
    Categoria: Poesia • (8) Comentários
    Sábado, Fevereiro 23, 2008
    Variedade dos Efeitos do Amor


    Pintura de Jacopo Tintoretto


    Nascemos para amar; a humanidade
    Vai tarde ou cedo aos laços da ternura
    Tu és doce atractivo, ó formosura,
    Que encanta, que seduz, que persuade.

    Enleia-se por gosto a liberdade;
    E depois que a paixão n’alma se apura,
    Alguns então lhe chamam desventura,
    Chamam-lhe alguns então felicidade.

    Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
    Qual em suaves júbilos discorre,
    Com esperanças mil na ideia acesas.

    Amor ou desfalece, ou pára, ou corre,
    E, segundo as diversas naturezas,
    Um porfia, este esquece, aquele morre.

    (Poema de Manuel Maria Barbosa du Bocage)


    Publicado por menina_marota em 02/23 às 11:45 PM
    Categoria: Poesia • (5) Comentários
    Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008
    Paraíso


    Imagem de Ernst Schütz


    Deixa ficar comigo a madrugada,
    para que a luz do Sol me não constranja.
    Numa taça de sombra estilhaçada,
    deita sumo de lua e de laranja.


    Arranja uma pianola, um disco, um posto,
    onde eu ouça o estertor de uma gaivota…
    Crepite, em derredor, o mar de Agosto…
    E o outro cheiro, o teu, à minha volta!


    Depois, podes partir. Só te aconselho
    que acendas, para tudo ser perfeito,
    à cabeceira a luz do teu joelho,
    entre os lençóis o lume do teu peito…


    Podes partir. De nada mais preciso
    para a minha ilusão do Paraíso.


    David Mourão-Ferreira in “Infinito Pessoal”

    Publicado por menina_marota em 02/14 às 05:39 PM
    Categoria: Poesia • (6) Comentários
    Terça-feira, Fevereiro 05, 2008
    para além de mim


    Pintura de Edward Henry Corbould (daqui)


    Escondo-me no abrigo de uma árvore,
    qualquer,
    enquanto a alma hiberna,
    sozinha.
    No ensombro, escrevo memórias espaças de um voo de mocho enamorado pela lua,
    menina.
    Caiu a noite, não há histórias nem sonhos…
    Há uma transparência cristalina que aguarda o instante, de voltar a ter cor,
    sem cinzentos-neblina.
    Dorme, a alma,
    talvez cansada,
    talvez dorida,
    dorme,
    sossegada,
    abraçada na árvore da vida…

    (Poema do Almaro)

    Publicado por menina_marota em 02/05 às 11:20 AM
    Categoria: Poesia • (7) Comentários
    Domingo, Janeiro 20, 2008
    Apenas um corpo…


    Imagem Jane Maclean



    Respira. Um corpo horizontal,
    tangível, respira.
    Um corpo nu, divino,
    respira, ondula, infatigável.

    Amorosamente toco o que resta dos deuses.
    As mãos seguem a inclinação
    do peito e tremem,
    pesadas de desejo.

    Um rio interior aguarda.
    Aguarda um relâmpago,
    um raio de sol, outro corpo.

    Se encosto o ouvido à sua nudez,
    uma música sobe,
    ergue-se do sangue,
    prolonga outra música.

    Um novo corpo nasce,
    nasce dessa música que não cessa,
    desse bosque rumoroso de luz,
    debaixo do meu corpo desvelado.

    (Poema de Eugénio de Andrade)

    Publicado por menina_marota em 01/20 às 10:06 AM
    Categoria: Poesia • (6) Comentários
    Domingo, Janeiro 13, 2008
    É ela! É ela! É ela! É ela!


    Pintura de Lauro Corado


    É ela! É ela! - murmurei tremendo,
    E o eco ao longe murmurou - é ela!
    Eu a vi… minha fada aérea e pura –
    A minha lavadeira na janela!
    Dessas águas-furtadas onde eu moro
    Eu a vejo estendendo no telhado
    Os vestidos de chita, as saias brancas;
    Eu a vejo e suspiro enamorado!
    Esta noite eu ousei mais atrevido
    Nas telhas que estalavam nos meus passos
    Ir espiar seu venturoso sono,
    Vê-la mais bela de Morfeu nos braços!
    Como dormia! Que profundo sono!…
    Tinha na mão o ferro do engomado…
    Como roncava maviosa e pura!…
    Quase caí na rua desmaiado!
    Afastei a janela, entrei medroso…
    Palpitava-lhe o seio adormecido…
    Fui beijá-la… roubei do seio dela
    Um bilhete que estava ali metido…
    Oh! de certo… (pensei) é doce página
    Onde a alma derramou gentis amores;
    São versos dela… que amanhã de certo
    Ela me enviará cheios de flores…
    Tremi de febre!
    Venturosa folha!
    Quem pousasse contigo neste seio!
    Como Otelo beijando a sua esposa,
    Eu beijei-a a tremer de devaneio…
    É ela! É ela! - repeti tremendo;
    Mas cantou nesse instante uma coruja…
    Abri cioso a página secreta…
    Oh! Meu Deus! Era um rol de roupa suja!
    Mas se Werther morreu por ver Carlota
    Dando pão com manteiga às criancinhas
    Se achou-a assim mais bela – eu mais te adoro
    Sonhando-te a lavar as camizinhas!
    É ela! É ela! meu amor, minh’alma,
    A Laura, a Beatriz que o céu revela…
    É ela! É ela! - murmurei tremendo,
    E o eco ao longe suspirou - é ela!

    (Poema de Álvares de Azevedo)

    Publicado por menina_marota em 01/13 às 11:17 PM
    Categoria: Poesia • (3) Comentários
    Segunda-feira, Dezembro 31, 2007
    O amor


    Imagem de Isabel Filipe



    Ao dizer que te amo é

    como se as portas da vida se

    abrissem, e uma luz nascida de dentro

    do desejo de ti me trouxesse

    até mim. Mas ao dizer

    que te amo, são as portas

    da noite que se fecham, e é

    contigo que espero a última

    madrugada, onde entre

    mim e ti

    nenhumas portas existam.


    (Poema de Nuno Júdice)

    Publicado por menina_marota em 12/31 às 05:21 PM
    Categoria: Poesia • (8) Comentários
    Terça-feira, Dezembro 25, 2007
    Natal




    Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
    Era gente a correr pela música acima.
    Uma onda uma festa. Palavras a saltar.


    Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
    Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
    E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.


    Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
    No teu ritmo nos teus ritos.
    No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
    Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
    E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
    No teu sol acontecia.


    Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
    Todo o tempo num só tempo: andamento
    de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
    Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
    acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
    na cidade agitada pelo vento.


    Natal Natal (diziam). E acontecia.
    Como se fosse na palavra a rosa brava
    acontecia. E era Dezembro que floria.
    Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
    E era na lava a rosa e a palavra.
    Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

    (Manuel Alegre, in Coisa Amar - 1976)



    Imagem:
    Mestre Bertram, “Painel do Altar de Grabow: Natividade” (1383)

    Publicado por menina_marota em 12/25 às 10:09 AM
    Categoria: Poesia • (1) Comentários
    Quinta-feira, Agosto 16, 2007
    No Fim do Trilho




    O mar estava perto,
    Fremente de espumas.
    Corpos ou ondas:
    iam, vinham, iam,
    dóceis, leves,
    só alma e brancura.
    Felizes, cantam;
    serenos, dormem;
    despertos, amam,
    exaltam o silêncio.
    Tudo era claro,
    jovem, alado.
    O mar estava perto
    puríssimo, doirado.

    Poema de Eugénio de Andrade


    E na espuma do Mar se perdem as palavras…

    Publicado por menina_marota em 08/16 às 12:48 AM
    Categoria: Poesia • (17) Comentários
    Domingo, Agosto 12, 2007
    Do indizível


    Pintura de William Merritt Chase

    Pequenas coisas

    Falar do trigo e não dizer
    o joio. Percorrer
    em voo raso os campos
    sem pousar
    os pés no chão. Abrir
    um fruto e sentir
    no ar o cheiro
    a alfazema. Pequenas coisas,
    dirás, que nada
    significam perante
    esta outra, maior: dizer
    o indizível. Ou esta:
    entrar sem bússola
    na floresta e não perder
    o rumo. Ou essa outra, maior
    que todas e cujo
    nome por precaução
    omites. Que é preciso,
    às vezes,
    não acordar o silêncio.

    Poema de Albano Martins

    “Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado.” (Goethe)

    Publicado por menina_marota em 08/12 às 10:33 AM
    Categoria: Poesia • (5) Comentários
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