| Todo o conhecimento é uma resposta a uma pergunta. |Bachelard
Não me peças
Que detenha as palavras
Que entrecruzo.
Abuso é poder dizê-las
- transcritas, cópias lá delas -
Coladas vão as ideias
De quem por as ter as criou
Eu?
Eu brinco com elas
Se ideias tenho ao dizê-las
Se ideias dou ao escrevê-las
Isso já me ultrapassou
Se escrevo hoje sobre o ontem
E o ontem se te revelou
Acha-lo inteiro aqui. Correcto?
Logo, há um encantamento
Que nos mente, nessa lente
Que usa as frases como tecto
Eu?
Não fui! To juro!
Certo?
Ser quem não sou até posso
Uso do abuso o alicerce
Corto cerce; recrio o excesso
Fímbria a tíbia - mínimo osso
Quem já fui escarnece
- ri aqui, depois esquece -
O universo engrandece a cada
Remoque de gozo
- fala-me tu do caroço! -
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[ para ti, exclusivamente, Helder!
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A Exploração da imaginação criadora
Valorizando a liberdade criadora, Bachelard reabilita a imaginação. Próximo da fenomenologia ou da psicanálise, rejeita uma concepção «coisista» da imagem. Segundo ele, a imaginação está aberta, «toda para o futuro». Através da psicanálise das imagens, como da inteligibilidade da ciência, procura penetrar na riqueza inesgotável do real, cuja profundidade é vivida antes de ser pensada. A imaginação é a própria força do psiquismo, mas é preciso saber aprender a sonhar, pois o devaneio poético, que Bachelard opõe ao devaneio da sonolência, pressupõe uma disciplina. Ele é «desenvolvimento do ser e tomada de consciência». Contrariamente a Bergson, defende a força da linguagem, que cria o ser. Se o imaginário pode ser criador de realidade, se nos «abre uma via nova», não é porque a imaginação exprime, antes de mais, a afirmação do ser humano na natureza? «A descoberta do outro passa pelo Cosmos», escreve Bachelard.
(fonte)